quarta-feira, 22 de junho de 2016

Às três é de vez ?

Portugal-decide-tudo-em-Lyon
Paulo Curado (Público)

A Hungria já está nos oitavos-de-final e vai discutir com a selecção nacional a hierarquia no Grupo F. 



No decurso do Euro 2016, participei por três vezes neste blogue na “aventura” portuguesa em França: (1) Quando o campeonato começou para Portugal (ver AQUI); (2) Quando Portugal empatou com a Islândia (ver AQUI); (3) Quando Portugal empatou com a Áustria (ver AQUI).

Devo dizer que não tinha sentimentos positivos aquando das duas primeiras jornadas e... Portugal empatou em ambos os casos. Hoje é diferente, tenho uma fezada. A razão? Os primeiros dois jogos foram realizados às 20 horas e o de hoje vai realizar-se às 17 horas. Ora isto faz toda a diferença! A jogar de dia, acredito que os nossos jogadores vejam melhor a baliza adversária... 

terça-feira, 21 de junho de 2016

Solstício de Verão 2016



A questão é que a União Europeia...

José Vítor Malheiros (Público)

[...] Foi por isso que atravessar a ponte e entrar em Espanha sem ver um único polícia, sem ver um posto de fronteira, sem mostrar um documento, foi uma experiência inesquecível.
Na altura eu era ainda um ingénuo adepto da União Europeia e aquilo era para mim a Europa. Não só a liberdade de circulação, mas a corporização da própria liberdade dos cidadãos, da confiança na sociedade, da cooperação e da solidariedade entre os estados.
Eu era então, como me considero ainda hoje, um europeu e um europeísta. Nascido entre dois países e duas línguas, educado entre quatro línguas, habituado a desconfiar de todos os nacionalismos, a ideia de uma Europa que transcende os seus países sempre me foi cara. [...]

A questão é que a UE perdeu o direito de reivindicar qualquer superioridade moral quando continuou a atirar refugiados para a morte mesmo depois de ter chorado lágrimas de crocodilo sobre a fotografia de uma criança afogada no Mediterrâneo. Hoje, tenho vergonha de pertencer a este clube e não gosto desse sentimento. Será isto isolacionismo? Pelo contrário. O que eu e muitos cidadãos europeus exigimos é a solidariedade entre países que a União se recusa a praticar.
Há pessoas pouco recomendáveis do lado do “Brexit”? Há. Mas do outro lado também. E na UE não faltam pessoas pouco recomendáveis, a começar pelo senhor Jean-Claude Juncker, símbolo da evasão fiscal e da imoralidade política.
A questão é que a União Europeia não é a Europa dos valores que sonhámos. A UE capturou essa Europa e transformou-a num bordel. O sonho transformou-se num pesadelo.
A questão é que a União Europeia se tornou o ninho da serpente e deve ser desmontada peça por peça. Espero que o referendo britânico possa ser o primeiro passo.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Calma, isto não é o fim do mundo!

David Andrade (Público)

Os dois empates, claramente mentirosos e que em nada hipotecam os objectivos portugueses em França, deram origem a um chorrilho de críticas e da euforia, rapidamente se passou para a depressão. As nove vitórias consecutivas no apuramento foram esquecidas, o domínio exercido sobre os adversários desvalorizado, e no ponto de mira de quase todas as reacções esteve Cristiano Ronaldo, autor de seis golos, todos eles decisivos, nos seis jogos que fez na qualificação. [...]
E para quem tem boa memória, é preciso não esquecer que há quatro anos, no Euro 2012, quando também já tinha passado de bestial a besta, CR7 engatou à terceira, marcando os dois golos que garantiram a vitória contra a Holanda (2-1) e o apuramento para os “quartos”.
NOTA: Convém não esquecer também que todos os grandes jogadores (Messi, Eusébio, Pelé, Maradona...) falharam alguma vez uma grande penalidade. Só não falha quem não marca, diria La Palisse.

sábado, 18 de junho de 2016

Elite é "isto"?

O centrista Pedro Mota Soares [no Parlamento] citou António Costa que há pouco tempo descreveu Manuel Caldeira Cabral como “tímido”. O ex-ministro foi ao dicionário e encontrou, entre outros sinónimos, os de “acanhado, amedrontado, apoucado, assustadiço, atadinho, comedido, envergonhado, espantadiço, fraco, frouxo, medroso, matuto, mijote, mole, pávido, poltrão, pusilâmine, receoso, retraído, temeroso, trépido, vergonhoso”. Mota Soares apressou-se a lavar as mãos: “Não sou eu nem ninguém da bancada do CDS, mas sim o primeiro-ministro que o chamou para o Governo que lhe chamou isto.” 
Ver mais aqui

sexta-feira, 17 de junho de 2016

1.ª travessia do Atlântico completou-se há 94 anos


A épica viagem iniciou-se em Lisboa, às 7:00h (hora GMT) de 30 de março de 1922, empregando um hidroavião monomotor Fairey F III-D MkII, especialmente concebido para a viagem, equipado com motor Rolls-Royce e batizado Lusitânia. Sacadura Cabral exercia as funções de piloto e Gago Coutinho as de navegador. Este último havia criado, e empregaria durante a viagem, um horizonte artificial adaptado a um sextante, a fim de medir a altura dos astros, invenção que revolucionou a navegação aérea à época. [...]
Reconduzidos a Fernando de Noronha, aguardaram até 5 de junho, quando lhes foi enviado um novo Fairey F III-D (o n.° 17), batizado pela esposa do então Presidente do Brasil, Epitácio Pessoa (1919-1922), como Santa Cruz. Transportado de Portugal pelo navio Carvalho Araújo foi posto na água do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, tendo levantado voo rumo a Recife, fazendo escalas em Salvador, Porto Seguro, Vitória e dali para o Rio de Janeiro, então Capital Federal, onde, a 17 de junho de 1922 amarou em frente à Ilha das Enxadas, nas águas da baía de Guanabara.
Aclamados entusiasticamente como heróis em todas as cidades brasileiras onde amerisaram, os aeronautas haviam concluído com êxito não apenas a primeira travessia do Atlântico Sul, mas pela primeira vez na História da Aviação, tinha-se viajado sobre o Oceano Atlântico apenas com o auxílio da navegação astronômica a partir do aeroplano.
Embora a viagem tenha consumido setenta e nove dias, o tempo de voo foi de apenas sessenta e duas horas e vinte e seis minutos, tendo percorrido um total de 8.383 quilômetros. A viagem serviu de inspiração para os raides posteriores de Sarmento de Beires, João Ribeiro de Barros e de Charles Lindbergh, todas em 1927. Ver AQUI


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Adivinhem lá...

João Miguel Tavares (Público)


José Sócrates foi eleito primeiro-ministro em Março de 2005. Três meses e meio depois (Agosto de 2005) correu com o anterior presidente da Caixa Geral Depósitos, que não chegou a aquecer o lugar (Vítor Martins, 10 meses no cargo), e nomeou Armando Vara administrador, com a responsabilidade de gerir as participações financeiras da CGD em várias empresas estratégicas. Sete meses depois, a comunicação social anunciava que os seus poderes haviam sido “reforçados”. [...]
Vara permaneceu três anos como administrador da Caixa Geral de Depósitos, até sair em 2008 para a vice-presidência do Millenium BCP, com o dobro do salário, o sucesso que se conhece e um pedido de licença sem vencimento para poder continuar nos quadros da Caixa. Ainda em representação da CGD, Vara foi administrador não-executivo da PT, desempenhando um papel decisivo na oposição à OPA da Sonae em 2006, devido aos poderes mágicos da golden share. Justiça lhe seja feita: não se pode dizer que a CGD tenha sido um tacho para Armando Vara. Foi muito pior do que isso: a Caixa transformou-se num imenso caldeirão onde os mais variados interesses se foram servir, cabendo a Vara decidir quem enchia a gamela. [...]

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O costume, nada que me surpreenda

No passado dia 12 escrevi uma carta à directora do Público sobre uma notícia desse dia referente à manifestação contra a central nuclear de Almaraz. Ei-la:

«Na notícia intitulada “Central de Almaraz: Rosa não quer os filhos num mundo com energia nuclear” (Público, 12/06/2016) é abordada extensamente a manifestação que teve lugar em Cáceres em que participaram portugueses e espanhóis pedindo o encerramento da central nuclear de Almaraz.
É compreensível a preocupação das pessoas que se manifestaram, que aliás vem na sequência de uma “tradição” de temores antigos. No título da notícia é que poderia ter sido evitado o toque demagógico costumeiro nestas ocasiões. Por isso, seria conveniente que alguém explicasse à Rosa que o mundo em que vivemos é radioactivo, que ela e os próprios filhos são radioactivos e emitem radiações devido ao facto de existir potássio no organismo dos humanos (onde ocorrem alguns milhares de desintegrações por segundo). Como as radiações provêm de transformações nucleares, que são manifestações de energia nuclear, seria adequado que a jornalista Maria João Lopes tranquilizasse a Rosa informando-a de que o seu desejo não pode ser satisfeito...»  
Esta carta (irónica, reconheço) não foi publicada.
O costume, nada que me surpreenda.

Entretanto, hoje é publicada a seguinte carta:
«Bomba relógio
Portugal não tem nenhuma central nuclear, existindo uma a cerca de 100 km da fronteira – a central nuclear de Almaraz (Espanha) que é refrigerada pelas águas do rio Tejo. Funciona desde 1983 e nos últimos anos já se contabilizaram mais de 50 incidentes! (... ) A central não é fiável e a cada ano que passa o risco grave – é iminente. O ‘El País’ informa que o Conselho de Segurança nuclear espanhol dá o alarme na opinião pública. Cá, especialistas consideram que este engenho, com tecnologias obsoletas, deve ser desactivado com urgência. Incidentes descontrolados terão consequências desastrosas (mortíferas) para as populações, para a actividade económica e para o rio Tejo. Deveria ter sido encerrada em 2010, mas tem licença até 2020 (!). Razões economicistas do governo espanhol para prolongar a central nuclear são mais importantes do que o rio Tejo, a vida económica, o ambiente e as populações ibéricas. Este latente perigo, deixará de o ser quando houver vítimas em Espanha e Portugal? Vítor Colaço Santos, S. João das Lampas»
Esta carta, que mete bomba relógio, tecnologias obsoletas, 50 incidentes e por aí fora, foi publicada.
O costume, nada que me surpreenda.


Não sei de que fala o leitor com as expressões “bomba relógio, “tecnologias obsoletas” e “incidentes”, por exemplo, mas julgo oportuno fazer os seguintes comentários.
Sobre a bomba relógio, um reactor nuclear não pode tecnicamente explodir como se se tratasse de uma potencial boma atómica.
Quanto a tecnologias obsoletas, a central de Almaraz é equipada com reactores PWR (pressurized water reactor), o tipo de reactor mais utilizado em todo o mundo: 286 em 445.
Finalmente, no tocante aos "incidentes", a escala INES (International Nuclear Events Scale) da Agência Internacional de Energia Atómica é suficientemente explícita para mostrar que “incidentes” é uma coisa e “acidentes” é outra... Se houver um sismo de grau 2 nos Açores, não vejo razões para ficarmos preocupados... Analogamente, porquê invocar “incidentes” em Almaraz associando-lhes consequências "mortíferas”?

Eu avisei: Confiar, sim, mas moderadamente



domingo, 12 de junho de 2016

É preciso dizer qualquer coisa à Rosa...

Maria João Lopes (texto), Rui Gaudêncio (fotos) 
PÚBLICO, 12.Jun.2016 


A notícia referida acima diz respeito a uma manisfestação que teve lugar ontem em Cáceres em que participaram portugueses e espanhóis pedindo o encerramento da central nuclear de Almaraz.
É compreensível a preocupação das pessoas que se manifestaram, que vem na sequência de uma “tradição” de temores antigos. Aliás, no painel em que se destaca Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, sobressai logo um desenho de "aflição" baseado no quadro “O Grito” de Edvard Munch, datada de 1893, que representa no original uma profunda angústia e desespero existencial (que não tem nada a ver com o “nuclear”, que só apareceu mais tarde).
O título da notícia tem o toque de demagogia que também costuma aparecer nestas ocasiões: “Rosa não quer os filhos num mundo com energia nuclear”. É necessário que alguém diga à Rosa que o mundo em que vivemos é radioactivo, que ela e os próprios filhos são radioactivos, emitem radiações pelo simples facto de terem potássio no seu organismo (no corpo de uma pessoa com 70 quilogramas ocorrem uns 4 a 5 milhares de desintegrações por segundo!). Como as radiações provêm de transformações nucleares, que são manifestações de energia nuclear, é preciso que alguém diga à Rosa que o seu desejo não pode ser satisfeito.

É preciso ter cuidado com os argumentos que se invocam quando se pede o encerramento da central de Almaraz, que, atenção, é apenas uma entre as várias dezenas que existem na Europa. Mas isto fica para depois, se se justificar. Por agora, expliquem à Rosa aquilo que não pode ser ignorado.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Sueños de Volar... en busca de “un destino sin mapa”


Sueños de volar - Teresa Martinho Marques & Fátima Afonso
Arturo Obregón

Ya sea la épica del mito de Ícaro, ya sea la expresión “altos vuelos” para designar cualquier cosa que nos parece de importancia, desde tiempo inmemorial relacionamos el concepto volar con la gran fascinación inalcanzable del ser humano. Ése imposible con el que cualquiera de nosotros gozaría es el mcguffin de Sueños de volar, el libro de Teresa Martinho Marques ilustrado por Fátima Alonso acerca de la posibilidad de cumplir o no nuestros sueños.
A través de una chica decidida a salir de sí misma en busca de “un destino sin mapa”, Sueños de volar (Kalandraka) expresa la necesidad de afrontar el reto de cambiar para crecer y qué mejor imagen que la de las aves a la hora de emprender ése vuelo con el que asociamos la libertad. Pero mucho cuidado porque soñar demasiado también tiene sus peligros: las aves tienen alas, nosotros no y por eso lo más difícil es mantener las dosis de realismo necesarias para saber hasta dónde podemos llegar con nuestros sueños.
Por eso Sueños de volar nos alienta a tirar del deseo y la voluntad para salir de la zona de confort, pero también nos advierte del peligro de soñar por encima de nuestras posibilidades y caer en ingenuos espejismos que sólo nos llevarían a la frustración, distinguir entre soñar y soñar tanto que lleguemos a olvidarnos de nosotros mismos. Una reflexión que conlleva dudas y miedo a lo desconocido, pero que los poéticos de dibujos de Fátima Alonso convierten en contemplativa y serena, una atmósfera de belleza etérea reconocida con una mención especial en el VII Premio Compostela de Álbum Ilustrado.
Dirigido a lectores a partir de 8 años, la belleza lírica de Sueños de volar anima a cada uno a encontrarse a sí mismo explorando el camino menos trillado. Con las debidas precauciones, eso sí, pero sin olvidar que, o intentamos hacer nuestros sueños realidad o podemos lamentar para siempre no habernos atrevido.

Sueños de Volar: Un deses libros dos que é imposible fuxir


Blogue de Gracia e de Anxo

Buaaaaa, que fermosura de álbum. Un deses libros dos que é imposible fuxir, namoras só con velo de lonxe. E se te achegas... estás perdido!  
Falo dunha das novidades da editorial Kalandraka que nolo ofrece en portugués e español: Sonho com asas - Sueños de volar, con texto de Teresa Martinho Marques e ilustracións de Fátima Afonso. Os soños. Perseguer os soños? Deixalos ir? Que ocorre se marchan e nós non imos tras eles? Porque de acadar soños, ou de tentalo, cando menos, é do que trata este máxico álbum, dunha nena, dunha moza que quere cumprir o seu soño, que medra atopando o seu camiño, aquel que ela mesma dirixe, loitando contra os obstáculos, abrindo esas portas e ventás que a vida nos vai ofrecendo e ás que tantas veces tememos asomarnos. O emprego da metáfora do voo, tantas veces utilizado, acae perfectamente no libro, xa que este amosa que todos e todas, dende sempre, debemos loitar polo que nós desexamos.
Non, non me esquezo das ilustracións. Son absolutamente marabillosas e inesquecibles. Con elas, voamos nós tamén na procura dos nosos soños, aqueles que tiñamos aparcados porque, sinxelamente, viámonos maiores para perseguilos.
E as páxinas finais, que se despregan... buf, mellor descubrídeas vós.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Uma nova recensão espanhola do álbum ilustrado "Sonho com Asas" -- “Sueños de volar”

Una inquietud de ave
Jorge de Arco

Dos portuguesas de 1962, Teresa Martinho Marques y Fátima Afonso, han unido sus talentos (literario y pictórico, respectivamente), para crear un libro en verdad sugestivo, “Sonho com asas”, traducido al castellano por Xosé Ballesteros, con el título de “Sueños de volar”. Y precisamente la colección “Libros para soñar”, de Kalandraka Editora, lo ha acogido con su habitual pulcritud y buen gusto.
     Hay que reconocer, desde un principio, que el texto es breve y, por demás lírico y casi etéreo; pero a Fátima Alfonso le ha bastado – y aun sobrado –  para hacer un despliegue de sus facultades y de su delicadeza, que admira al lector o, por mejor decir, al contemplador de estas páginas pobladas de pájaros, nubes, aviones, globos…, todo lo que en el aire está o el aire se lleva, contribuyendo así a plasmar visualmente lo que el espíritu del relato propone y es: sueño, vuelo, pura metáfora poética.
     La protagonista, a la que la autora no da nombre, “no sabía muy bien lo que quería pero, si pudiese, elegiría volar”. “Elegir – leemos en un cierto instante – es ya una parte del viaje”. Y estas palabras traen a mi memoria un verso de Pedro Salinas: “Elegir es una muerte”.
Queda claro que me muevo en dos contextos muy distintos, pero factibles de paralelizar: lo que para la chica del cuento representa un inicio, para el poeta su octosílabo puede anunciar un acabamiento (“Puede”, escribo, porque si la elección de Salinas anuncia algo que se extingue, también esconde algo que empieza y perdura: lo elegido).
    Pero sepamos algo más de esta protagonista que no creía en las hadas, pero le gustaría creer en ellas: y que tenía siempre los ojos y la cabeza “en lo alto, en la Luna…”: “Sentía en su interior una inquietud de ave, un deseo súbito y suave de volar lejos, hacia un destino sin mapa”. Ni que decir tiene que acabará lográndolo. Las aves conocerán su anhelo y con ellas se irá, maleta en mano, (aquí la autora nos sorprenderá con una pirueta) “en un barco de vela”.
Porque Fátima Afonso no pinta barcos, sino pájaros, alas, cielo. “Hay sueños con alas dentro – leemos al final del relato –, y hay deseos de soñar sueños. Lo desconocido nos aguarda más allá de nosotros mismos”.
     Recomendado para niños a partir de ocho años, no cabe duda de que cualquier adulto puede aprovechar esa recomendación porque el mundo que nos ofrece la ilustradora – profesora de Artes Visuales en Setúbal, en donde reside –, tiene, además de su magia, abundantes elementos capaces de propiciar el goce estético.
     “El vuelo – se nos dice en una nota editorial –, que ha sido uno de los retos más antiguos de la historia de la humanidad, alcanza en este álbum una versión moderna, lírica y sugerente”.
Y quien esto firma, lo ratifica. Y recuerda, como ultimo botón, a la gran poetisa Alfonsina Storni, quien dejara escrito tiempo atrás: “¿Qué mundos tengo dentro del alma que ha tiempo vengo pidiendo medios para volar?”

terça-feira, 7 de junho de 2016

Recensão espanhola do álbum "Sonho com Asas", de Teresa Martinho Marques e Fátima Afonso

"Sueños de volar": "deseos de soñar sueños"

Anabel Sáiz Ripoll 
Profesora de lengua y literatura españolas. Doctora en Filología. Especialista en Literatura Infantil y Juvenil.
 
¿Qué ocurre con los sueños y los anhelos? ¿Los seguimos o nos resignamos a que no se cumplan? ¿Hay una edad en que se renuncia a los sueños? ¿Hay otra edad en que se añoran los sueños? Es más: ¿hay un momento en que se cumplen los sueños? O... ¿los sueños cumplidos engendran nuevos sueños?
Todas estas preguntas y alguna más se me vienen a la cabeza -y al corazón- tras la lectura de Sueños de volar. Si bien el libro se destina a niños desde 8 años, cualquier lector puede leerlo y debería hacerlo porque, en cuanto se abandonan las ilusiones, se deja de crecer y se comienza a envejecer.
La verdadera juventud está hecha de ilusiones, de retos, de pequeños estímulos, de nuevas posibilidades, de un sinfín de preguntas y otras tantas esperanzas. Hay un algo de duda, de sospecha, de enigma ante las posibilidades que nos conocemos y un mucho de miedo o espanto ante la idea de abandonar la zona de confort, tan conocida, tan mullida y tan... aburrida.
La joven protagonista del relato siente una llamada, algo que la empuja "hacia un destino sin mapa". Busca salir de sí misma y, en la metáfora del vuelo, encuentra una posibilidad de crecimiento, de cambio. Las aves son las elegidas para ayudarla a emprender el vuelo y estas mismas aves se encargan de hacerle "nacer deseos de soñar más alto". Está bien transcenderse y querer encontrar el camino propio, pero hay que ser realistas y no jugar con espejismos, con falsedades que no nos ayudan, sino que nos frustran y ahogan nuestros sueños. Algo parecido le pasa a esta chica que, de tanto soñar, se olvidó de ella misma, de sus verdaderos deseos. Y así, la narradora advierte que "Sin alas, el futuro soñado puede quedar escondido en el discurrir del tiempo". Hay que saber distinguir, como decía Antonio Machado, las voces de los ecos y  eso hace nuestra joven. Empieza su propio viaje y entiende que "Lo desconocido nos aguarda más allá de nosotros mismos".
Sueños de volar no alienta falsas quimeras, sino que abre puertas y ventanas y deja entrar el aire puro en nuestras vidas e invita a los lectores a lograr una manera de vivir en donde domine la esencia sobre la posesión. De una manera metafórica, así lo vamos entenfiendo. Quizá los pequeños no necesiten más explicaciones que la dejarse acariciar por las palabras y empezar sus propios sueños. Los adultos entenderán la parte simbólica y en sus manos, en nuestras manos, está el aplicarla.
En el relato se alude al vuelo que es uno de los temas que más ha estimulado al ser humano. Desde Ícaro, todos hemos querido volar y hemos deseado tener alas para ser libres. Porque se asocia la libertad con el vuelo. De ahí que la autora emplee está metáfora y la ayuda de las aves para que la joven inicie su destino. 
Las ilustraciones, de Fátima Afonso, son parte del viaje, parte de los sueños. Imágenes que invitan a la meditación, a la contemplación. El aire, el mar, la tierra se dan la mano para propiciar un momento de tranquilidad. Son iljustraciones balsámicas que nos permiten volar también con los ojos de la imaginación y de la fantasía. Las páginas finales, a doble página, son un auténtico poema que aúna aves con mariposas con libélulas... para arropar a la protagonista en su viaje.
Xosé Ballesteros nos ofrece, por último,  una brillante traducción al castellano.
 Sueños de volar  ha sido mención del VII Premio Compostela. Es un texto que no ofrece respuetas, sino posibilidades y nuevos caminos. Es un texto reflexivo, teñido de lirismo que nos invita a ser curiosos y a investigar nuevos caminos porque un camino ya pisado no nos aportará demasiado. Mejor que lo abramos nosotros mismos. Mejor que los niños aprendan a ser, desde pequeños, ellos mismos con sus propias ilusiones, no las heredadas de los padres, sino las suyas. Todo un reto.