domingo, 30 de abril de 2017

Vendeu-se por um prato de lentilhas...


Candidata da Frente Nacional diz que se ganhar as presidenciais o seu primeiro-ministro será Nicolas Dupont-Aignan, que se apresenta como o principal herdeiro político de Charles de Gaulle.

Alexandre Martins (Público, 29. Abril. 2017)

Até agora o partido de Dupont-Aignan tinha-se apresentado como uma alternativa nacionalista à extrema-direita, com as mesmas preocupações mas sem a carga xenófoba e racista da Frente Nacional.
Nicolas Dupont-Aignan criticou duramente a Frente Nacional e Marine Le Pen em várias ocasiões até há pouco mais de um mês. A 9 de Março, em entrevista à estação France Inter, afirmou que os eleitores não tinham de ficar reféns de uma escolha entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen: “No Debout La France não temos uma gaveta de extrema-direita, ao contrário da Frente Nacional.”


NOTA - Ouvi o mesmo senhor Dupont-Aignan afirmar há uns três dias na TV5 Monde: A Frente Nacional não é de extrema-direita. Visivelmente, mudou de ideias... 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Donald Trump, os primeiros 100 dias

Bárbara Reis (Público, 28.Abril.2017)
Seria caso para dizer "parabéns pela incompetência". Mas não há razão para champanhe. Cem dias são apenas 100 dias. Em quatro anos é possível fazer muitos disparates. Alguns já começaram.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Que futuro (europeu) em comum ?

Marine Le Pen -- E. Macron -- J-L. Mélenchon

Muitos eleitores do candidato de esquerda radical (Jean-Luc Mélenchon) declaram que se vão abster. A candidata de extrema-direita (Marine Le Pen) está a cortejar os eleitores do campo oposto (ver cartaz em baixo). Emmanuel Macron e a França (e a Europa) que se cuidem...


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Vês o "Ministério do Tempo", gorila?


Neste "Ministério do Tempo" há portas que dão acesso a períodos importantes de vários séculos. Como é que se vai até lá? “A cavalgar”, explicam as personagens. Como é que se socorre alguém que acaba de ser baleado em 1384? Enviando uma “brigada intensiva móvel do presente. Como é que se fala entre épocas? Com um telemóvel (ver aqui).

De vez em quando dizem-me: Liga aí para a RTP1 para nos divertimos um bocado com o Ministério do Tempo”. A última vez foi no passado dia 24. Desta feita deparámo-nos logo com um Camões malandreco falando com um Fernando Pessoa atarantado. Desliga, desliga! diz-me a mesma voz. Resumindo: Bastou 1 minuto para termos a nossa dose de divertimento... 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O povo (francês) é sereno...


Diogo Queiroz de Andrade (Editorial do Público, 24.Abril.2017)

A disputa entre Marine Le Pen e Emmanuel Macron será um choque de civilizações que vai ditar o futuro de todo o continente europeu durante toda a primeira metade do século XXI.

domingo, 23 de abril de 2017

Quanto mais sabemos sobre uma coisa...

Miguel Esteves Cardoso 
Público, 23.Abril.2017

Ninguém sabe ao certo se Einstein alguma vez disse que “tudo deveria ser o mais simples possível – mas não mais simples do que isso.”
A frase não é um elogio da simplicidade. A simplicidade, só por si, não nos diz nada. É um erro procurá-la só porque a nossa preguiça e pressa já nos predispõem para ela.
No frenesi da Internet há pessoas que se divertem a fingir que conseguem explicar coisas complicadas em 60 segundos ou em 12 frases curtas. Só quando percebemos do assunto é que vemos quando alguém está a fingir que percebe.
Quando gostamos muito de uma coisa – pode ser bridge, química, filosofia, moral – apetece-nos continuar a estudá-la até mais não. Geralmente quanto mais sabemos sobre uma coisa melhor ideia temos do pouco que sabemos (ou podemos saber) sobre ela. Esta tomada de consciência, que é mais alegre do que triste, não é parecida com a ignorância. Uma coisa é o sábio que se recusa a responder a uma pergunta porque ela é difícil demais; outra é o silêncio de quem não faz a mais pequena ideia.
A frase de Einstein revela impaciência. É o que se responde a alguém que quer obter, de uma maneira fácil e rápida, aquilo que levou muito tempo e muito trabalho a estudar. Revela também agressividade: a agressividade da pessoa inteligente que é chateada no sentido de usar essa inteligência para simplificar coisas naturalmente difíceis, de maneira a poderem ser entendidas por pessoas apressadas mas gananciosas a quem convém apresentarem-se como um bocadinho estúpidas e ignorantes.

sábado, 22 de abril de 2017

Pela Ciência, contra a ignorância

Inspirada pela Marcha das Mulheres contra Trump e empurrada pelos anunciados cortes nas mais variadas áreas de investigação nos EUA, um grupo de cientistas norte-americanos marcou a data de 22 de Abril para a Marcha pela Ciência. Portugal também aderiu a esta iniciativa.


Em Lisboa, o ponto de encontro é às 14h, no Largo de São Mamede, seguindo-se depois pela Rua da Escola Politécnica e daí até ao Largo do Carmo, onde às 15h será montado um palco para discursos de alguns convidados (o comissário europeu Carlos Moedas e os investigadores Maria Mota, Alexandre Quintanilha e Olga Pombo), mas com a promessa de “microfone aberto”.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Parabéns Isabel !

Recebi há dias um email com um “desafio” curioso:  
Gostaria de ter a sua contribuição para o seguinte: Estou a preparar uma surpresa para os 50 anos da Isabel, pedindo a amigos e familiares para me enviar uma PALAVRA (só uma) que a defina. 
O “retrato” da minha filha Isabel que resultou desta iniciativa da Eliana foi o seguinte:

RESILIENTE (Piedade e Eduardo) – INTENSA E EXUBERANTE (Teresa) – LUTADORA (Lena) – MULTIFACETADA (João) – CORAJOSA (Paulo) – FANTÁSTICA (Inês) – BONITA (Hugo) – OTIMISMO (Emília) – AMIGA (Inês A.) – GENEROSA (Carolina) – SUNNY-SEXY-BRAINY (Kathy) – UNIQUE (Murielle) – GÉNÉREUSE (Caroline) – FORÇA DE VIDA (Muriel) – BFF (Eliana) – SUPERLATIVA (Ju) – MULHER (Carlos M.) – DÉTERMINATION (Jorge O.) – ENTHOUSIASME (Susana N.) – ALEGRE (João T.) – ALEGRIA (Paulo S.) – FUN (Yasmine) – PEPS (Ilda) – FOUS RIRE (Markus) – ENTHOUSIASTE (Susana) – ÉCLAT (Lurdes) – HUMOUR (Vincent) – ÉNERGIQUE (Mário) – MENTORA (Mónica) – DECISIVE (Miguel) – GRACEFUL (Marcos) – SMART (Aye Aye) BISABELLE (Jos) EFERVESCENTE (Bas) TÁGIDE (Alexandra) DECIDIDA (Paulo P.)


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Base espacial em Santa Maria (Açores)?

Teresa Firmino (Público)
O espaço, os oceanos, o clima e a energia são vistos como centrais 
para criar nos Açores um centro internacional de investigação. 

domingo, 16 de abril de 2017

Reunião da família Martinho...

... para assinalar o aniversário da Piedade. Faltam o Paulo Miguel (filho), 
a Filomena (nora), o Bruno (neto) e o Fernando (genro), que estavam longe.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Ronaldo, de CR7 a CR100

Com os dois golos marcados ontem ao Bayern de Munique, Cristiano Ronaldo tornou-se o primeiro jogador a atingir a marca dos 100 golos nas taças europeias.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Finalistas? Chegaram ao fim de quê?


Claudia Carvalho Silva (Público, 09.Abril.2017)
Este tipo de comportamento é inadmissível”, diz a psicóloga educacional Sónia Seixas. “Há uma coisa que temos de esclarecer: aquilo que é normal e aquilo que é frequente. Que eles considerem que é frequente, é verdade. Mas não pode ser considerado normal”, adianta.
Este tipo de situações torna-se difícil de prevenir. “Tem a ver com estilos educativos e não só”. Independentemente da boa educação que os jovens possam ter, existem vários "factores facilitadores" nesta equação: as questões hormonais, a influência de grupo e o possível efeito de álcool e substâncias psicoactivas.
Mesmo que os estudantes tenham sido insultados pela gerência do hotel, isso não deve servir de justificação. É o que pensa Sónia Seixas, que acredita que as respostas têm de ser adequadas: “Em resposta a um insulto, quando muito, responde-se com outro insulto”. Além disso, os insultos por parte do hotel devem ter tido uma razão de ser.
Ainda assim, no meio de toda a confusão, a psicóloga aceita que existam jovens injustamente acusados. “Acredito que nem todos o tenham feito mas também houve muitos que fizeram. E é muito difícil para os funcionários de um hotel conseguir distinguir quem fez o quê”, conclui. 


sábado, 8 de abril de 2017

Ataque dos EUAmérica, expectativa e apreensão

Síria: Um ataque dos EUA pela calada com uma mensagem à vista de toda a gente
Estados Unidos lançam mísseis contra a Síria e deixam aviso à Rússia. Líderes europeus põem-se ao lado do Presidente Donald Trump e dizem que o ataque foi merecido e proporcionado.
Alexandre Martins (Público, 07.Abril.2017)


O que quis Trump ao punir Assad? Intervir de forma decisiva na guerra síria, ou apenas mostrar força e ficar por aqui?
Nuno Pacheco (Editorial do Público, 08.Abril.2017)

terça-feira, 4 de abril de 2017

Violência no futebol

No passado dia 28 de Março, postei um texto sobre a violência no futebol onde dizia a certa altura: "Os árbitros acabam por ser os alvos mais fáceis: são eles os causadores de maus resultados, responsáveis por más contratações e piores classificações, além de outras malfeitorias. Resultado: tem havido agressões a árbitros, esperando-se apenas que danos irreversíveis não ocorram" (ver aqui).

Há dois dias, um árbitro foi brutalmente atingido por um jogador, tendo sido hospitalizado (ver Clube Futebol Canelas, a coleccionar polémicas desde 2012). Lamentável tudo isto :(

Adenda (05.Abril.2017)  
Episódios como os que se repetem a cada grande jogo, ou no campo do Canelas, vão servindo para matar a ideia de que o Estado, a lei, tem o exclusivo da violência.
 

domingo, 2 de abril de 2017

Produção científica em Portugal

Portugal sobe para 11.º lugar entre 27 países europeus na produção de ciência
Andrea Cunha Freitas
O número de publicações triplicou na última década (2005-2015), colocando Portugal entre o Reino Unido e a Alemanha na tabela das publicações por milhão de habitantes, segundo estatísticas agora divulgadas. 


Adenda (05.Abril.2017)
Portugal quase no top ten da ciência europeia
Carlos Fiolhais
Uma questão interessante é saber se a política de Passos Coelho teve um impacto negativo no crescimento da produção científica. A resposta é clara: o crescimento abrandou mesmo.


sexta-feira, 31 de março de 2017

Trumpolinice

Um micro bê-á-bá para Donald Trump
Bárbara Reis
Querer ressuscitar as minas de carvão americanas é provavelmente tão eficaz como voltar a construir zeppelins para dar trabalho a mais pilotos e hospedeiras.

As razões de Trump contrariam décadas de investigação e tendências internacionais e não têm nenhuma base sólida. Nem na ciência, nem na política, nem na economia.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Bruno Martinho, Character Artist/3D Generalist

Sith Lightsaber Concept 
Freelance work, Sith lightsaber designed and modeled for a client. Resources
used: Pixel Sagas' Aurebesh font; Engine and Wings IMM from BadKing





terça-feira, 28 de março de 2017

Os árbitros são vítimas de desbocamentos...

Eu gosto de futebol. Quando era mais novo, até fiz parte da equipa júnior da Académica de Santarém e, vinte anos mais tarde, cheguei a ser presidente da assembleia-geral do F.C.Alverca. Em termos clubísticos, sou “medianamente” adepto do Benfica; eu explico: era fã quando o Benfica só tinha jogadores portugueses. Agora o futebol é um negócio para dirigentes sofríveis com ambições pessoais e para jogadores de muitas e variadas paragens. Talvez por isso, a arbitragem é fértil em discussões, disputas e acusações. Os árbitros acabam por ser os alvos mais fáceis: são eles os causadores de maus resultados, responsáveis por más contratações e piores classificações, além de outras malfeitorias. Resultado: tem havido agressões a árbitros, esperando-se apenas que danos irreversíveis não ocorram.


Para além da impreparação cultural do povo português, parte significativa da responsabilidade pela situação da arbitragem está na importância excessiva atribuída ao futebol pelos órgãos de comunicação, em especial por vários canais de televisão, onde discorrem inúmeros jornalistas e comentadores desportivos durante tempos infindos. Antes do 25 de Abril dizia-se que Portugal era o país dos três efes: Fátima, Futebol e Fado. Actualmente, os três efes têm outro significado: Futebol, Futebol e Futebol. É espantoso o número de horas que a rádio oficial dedica ao futebol, assim como vários canais de televisão com “mesas redondas” mais ou menos concorridas, algumas abrilhantadas por comentadores que funcionam como representantes dos maiores clubes (deveria haver, aliás, uma bandeirinha à frente de cada um para os identificar, porque nem todos os telespectadores são connaisseurs das questões futebolísticas). 

Numa das mesas-redondas realizada há dias, fiquei surpreendido e chocado ao ouvir o director de um jornal nacional de referência (que em geral faz comentário político...) ao dizer convictamente que 20 (vinte!) penáltis tinham sido negados ao F.C.Porto! Enquanto isso, como é óbvio, os seus comparsas reclamavam estatísticas diferentes... As discussões são feitas aos berros, invectivando-se os “adversários”, classificando-os de mentirosos, invocando exclamações desbragadas do tipo “bardamerda para os que não são sportinguistas”, entre muitos outros mimos. Quem quiser confirmar, basta ir ao Youtube e pesquisar “comentadores de futebol”. 
 
Com tais exemplos de gente bem-falante com aceitação social, não surpreende que os árbitros sejam vítimas indefesas dos desgostos clubísticos de pessoas com tendência para agir impulsivamente, sem pensar na consequência dos seus actos.

segunda-feira, 27 de março de 2017

O futuro da Europa está na juventude

Forma-se uma geração europeia
Rui Tavares (Público, 27.Março.2017)
Uma segunda manifestação era a "Marcha pela Europa". Qualquer pessoa, partido ou movimento, fosse de esquerda, de centro ou de direita aí poderia integrar-se. Duas coisas me surpreenderam nesse cortejo. A primeira delas foi a quantidade de jovens. Em dezenas de anos de manifestações, esta foi certamente a manifestação mais jovem que vi. Eram adolescentes italianos, liceais franceses e universitários de todos os lados da União e de alguns países fora dela. Alguns britânicos marcaram também presença. A anunciada saída do Reino Unido é uma ferida aberta para muitos destes jovens. Um rapaz dinamarquês dizia-me: "Vamos lutar por isto com todas as nossas forças, não vamos deixar que nos façam o mesmo que aos jovens britânicos". "Isto" é um modo de vida europeu; acontecer "o mesmo que aos jovens britânicos" é ver esse modo de vida destruído sem apelo nem agravo por quem depois nem fica para apanhar os cacos.

Mensagem-testemunho proveniente de Bruxelas hoje: 
Pensei o mesmo aqui na marcha pela Europa. Bastantes jovens. Parecem ter acordado. Muitos britânicos a reclamar o direito de serem europeus. Interessante. Penso que o Brexit, e agora o Trump, acordaram bastante gente que andava para aí a dormir. Levei o Hugo à marcha pela Europa. Bandeiras europeias. Nenhumas nacionais.

domingo, 26 de março de 2017

Era uma vez... um tipo mimado e birrento

Trump não é um epifenómeno
José Pacheco Pereira (Público, 25.Mar.2017)

Ele é o Presidente da “nova ignorância”, um misto de troll, de figurante de um reality show especialmente bully, um artista de variedades e um con man, um vigarista. Desculpem tanta palavra em inglês, mas é nessa língua que tem florescido a ecologia que é a de Trump. 
O seu Twitter é um retrato psicológico do mundo que se encontra hoje nas redes sociais, a mesma incapacidade de separar verdade da mentira, a mesma ignorância presumida e arrogante, o mesmo desprezo pelo saber e pela especialização, o mesmo misto de ameaças e de gabarolice, o mesmo uso paupérrimo da linguagem, com abundância de expletivos e de maiúsculas, que são uma forma de gritar numa mensagem. Só não há erros de ortografia, porque alguém os corrige. A ameaça, a chantagem e a vingança são elementos fundamentais no seu Twitter e, como estamos a falar do homem mais poderoso do mundo, tem de ser tomado muito a sério.