sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ainda Sampaio da Nóvoa ― Last but not least


Muitos leitores deste blogue sabem que, na sequência de certas intervenções laudatórias em relação ao candidato a Presidente da República António Sampaio da Nóvoa, tenho recomendado uma Leitura Complementar ("Escândalo num concurso para Professor Catedrático de Geologia na Universidade de Lisboa, sendo reitor António Sampaio da Nóvoa"). 
Entretanto, soube recentemente de mais um episódio que não posso deixar de referir:

No dia 15.Dez.2011, o candidato Fernando Ornelas Marques interpôs recurso da decisão do Júri para o reitor da Universidade de Lisboa António Sampaio da Nóvoa.
No dia seguinte, o reitor da UL enviou um email ao Director Executivo da Reitoria da UL remetendo-lhe o processo do candidato acompanhado do seguinte despacho:
Isto é para enviar para o júri do Concurso.
Obrigado. 
António Nóvoa
Que resultado se poderia esperar deste despacho? Nenhum, evidentemente. De facto, “isto” equivale à seguinte situação: 
Um injustiçado que foi condenado em 1.ª instância interpõe recurso na expectativa de nova avaliação dos factos em 2.ª instância, mas vê o processo regressar à 1.ª instância… onde obviamente volta a ser condenado! 
Se isto não é conivência com a injustiça praticada, o que é?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

“Você é livre para fazer as suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências” (Pablo Neruda)

Carlos Fiolhais
Por-Sampaio-da-Nóvoa
Vou votar em Sampaio da Nóvoa. Sou, como ele, independente – nunca militei ou apoiei qualquer partido político. E isso nada me diminui como cidadão nem nunca coibiu a minha participação política e cívica. Na eleição para a Presidência da República podemos escolher directamente candidatos de fora dos partidos. Vou votar em Sampaio da Nóvoa porque a eleição de um cidadão independente para Presidente representa o amadurecimento da nossa democracia. […]
Cf. Leitura complementar

Morreu Nuno Teotónio Pereira (1922-2016)



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Um discurso pode cativar mas não faz um presidente


Teresa Salgueiro
Com-Sampaio-da-Nóvoa-pela-cidadania
É com muita alegria que apoio a candidatura do professor Sampaio da Nóvoa a Presidente da República de Portugal. Abraço esta causa de alma e coração plenos, com confiança e entusiasmo. A mesma confiança e entusiasmo que senti na primeira vez que o escutei enquanto candidato, no seu discurso de apresentação no Teatro da Trindade. Desde aí, não deixei de o acompanhar. Porque me devolveu a esperança. […] 

Cf. Leitura complementar
 

Morreu Almeida Santos



[...] Quando jovem, Almeida Santos estabeleceu-se em Moçambique, na então Lourenço Marques, actual Maputo, onde se envolveu em actividades políticas e de apoio a nacionalistas. O envolvimento na política levou-o a ser um dos protagonistas no Portugal pós-25 de Abril de 1974, como ministro de várias pastas, desde o I Governo Provisório, foi conselheiro de Estado, presidente da Assembleia da República e presidente do PS, tendo sido um dos mais próximos colaboradores de Mário Soares. [...]

sábado, 16 de janeiro de 2016

Sobre a (falta de) liberdade dos deputados...


As-mordaças-no-Parlamento
Há quatro deputados do PSD a quem foram instaurados processos disciplinares. Paula Teixeira da Cruz, ex-ministra da Justiça e ex-vice-presidente do partido por ter contrariado orientações em relação às alterações à lei do aborto. Os outros três, eleitos pela Madeira, além de já terem sido destituídos dos seus cargos na bancada, estão também sujeitos a processo disciplinar. O crime que cometeram está perfeitamente tipificado: a defesa dos interesses da sua região. […]
Atenção que este não é apenas um problema do PSD! A submissão dos deputados aos directórios partidários é um problema da nossa democracia e estende-se a todas as bancadas. Este problema explica muitas das queixas sobre a falta de qualidade do Parlamento, com consequências directas na opacidade das regras de transparência, que estão a impedir o funcionamento exemplar da casa da democracia.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Confesso que também faço parte deste grupo...

Francisco Assis

O-cândido-candidato
Confesso que faço parte do grupo de cidadãos portugueses a quem não foi concedida a graça de se extasiarem com os discursos do Prof. Sampaio da Nóvoa. Causa-me até alguma perturbação o tom messiânico com que o cândido candidato apregoa o advento de um “tempo novo” e proclama as virtudes do angelismo político, por contraposição ao sórdido mundo das combinações e dos interesses estabelecidos. Há mesmo momentos em que não parece estarmos perante um candidato presidencial mas sim diante de alguém que aspira a um estado de verdadeira beatitude. […]

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Uma década fora do comum

Na década de 90 do século XX passei por situações peculiares de natureza pessoal e profissional. Um dia, talvez este período venha a despertar o interesse de algum tetraneto mais curioso...


Do ponto de vista pessoal, perdi o meu Pai (Julho.1991) e a minha Mãe (Fevereiro.1993); e perdi dois bons amigos e colegas de longa data (que trabalhavam como eu no Reactor do Laboratório Nuclear de Sacavém): João Batista Menezes (Julho.1997) e Carlos Ramalho Carlos (Dezembro.1998). Foram perdas dolorosas, por razões diferentes, de que me refiz dificilmente. 

Profissionalmente, comecei por sentir a chamada “Crise de 1992-1994” no Laboratório Nuclear de Sacavém, descrita no livro de Jaime da Costa Oliveira “Memórias para a História de um Laboratório do Estado” (págs. 114 a 128). Cada investigador viveu-a a seu modo e muitos remaram contra a maré resultante da deterioração da relação de confiança entre o ministro da tutela (Mira Amaral) e o presidente da instituição (Veiga Simão). Resumindo, o propósito do ministro era “desembaraçar-se de Sacavém”… Pareceu-me então ser necessário ir à luta, “avisar a malta”. Procurei apoio em jornais de referência, o qual me foi generosamente dado pelo saudoso Senhor Coimbra (Expresso) e por José Vítor Malheiros (Público). São dessa altura os artigos seguintes: A nossa opção nuclear. Expresso - n.º 1051, 19.Dezembro.1992; Investigação, visão de Estado e o futuro do ICEN. Público, n.º 1080, 18.Fevereiro.1993; O Estado e o nuclear. Expresso / Economia, n.º 1080, 10.Julho.1993; Sem ciência não há tecnologia. Expresso / Economia, n.º 1066, 03.Abril.1993; O adeus ao reactor português? Expresso, n.º 1111, 12.Fevereiro.1994. Julgo que esta iniciativa foi um dos contributos úteis para a resolução do problema, a qual se veio a concretizar em 01.Janeiro.1995 com a criação do Instituto Tecnológico e Nuclear (nova designação dada ao Laboratório Nuclear de Sacavém). 

O que se passou em Sacavém entre 1995 e 2000 encontra-se também descrito no citado livro de Jaime da Costa Oliveira em “A mutação de 1995” (págs. 129 a 140). Após a fase de instalação do ITN, foi designado o novo presidente da instituição (José Carvalho Soares), cuja tomada de posse ocorreu em 12.Janeiro.1996. Posso testemunhar, por experiência própria, "as dificuldades de relacionamento do Conselho Directivo do ITN com a maioria dos investigadores”. Bastará dizer que cheguei a sentir-me ostracizado por alguns colegas do Reactor devido ao meu desalinhamento…
Para ultrapassar esta desagradável situação, continuei a via que já vinha prosseguindo: escrita de relatórios em Português (sobre matérias relevantes no que se refere à utilização de reactores de investigação) que pudessem ser úteis no futuro a jovens investigadores, após a minha aposentação. Foi assim que redigi relatórios como: Avaliação de doses absorvidas em experiências de irradiação em reactores nucleares, INETI/DEEN-R-94/34; Activação de amostras em reactores nucleares, ITN/DEEN-R-95/39; Cálculo de doses absorvidas por amostras irradiadas em espectros de neutrões rápidos de reactores nucleares, ITN/RPI-R-96/42; Produção de radionuclidos no RPI para aplicações médicas (4 relatórios entre 1998 e 1999). Há pouco tempo, senti-me completamente recompensado por este trabalho quando encontrei, por mero acaso, um desses jovens investigadores (NB) na Repartição de Finanças do meu Bairro e ele me disse espontaneamente: Sabe, aqueles seus relatórios de revisão, em Português, têm-me sido extremamente úteis!
A outra via que segui para ultrapassar a situação de quase isolamento em que me sentia no meu departamento (Reactor) foi a de procurar dois colegas (José Francisco Salgado e Isabel Ferro Gonçalves) de outro departamento (Física) e propor-lhes um trabalho de colaboração. Esse trabalho visava a quantificação do fenómeno de neutron self-shielding (autoprotecção neutrónica) que se manifesta em Física de Reactores Nucleares em inúmeras experiências de irradiação de amostras. Os resultados dessa cooperação foram publicados entre 2001 e 2004 e estão disponíveis na internet (AQUI). Observando em particular este LINK, o leitor poderá constatar que os resultados que obtivemos têm aceitação internacional generalizada e consistente no tempo, até hoje.
Tal como diz o provérbio popular, há males que vêm por bem…