sexta-feira, 25 de maio de 2012

Escândalo num concurso universitário


Teve início no ano passado um concurso para preenchimento de um lugar de Professor Catedrático no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O desfecho final, após interposição de recurso, só foi conhecido há poucos dias. Acontece que o Júri tomou uma decisão que considero escandalosa, prejudicando o candidato Fernando Ornelas Marques. É devida aqui uma declaração de interesses: o candidato é meu genro, mas esta circunstância não me retira o direito de me indignar e de denunciar publicamente o caso. Aqui fica o registo para memória futura.
Curriculum Vitae de Fernando Ornelas Marques (FOM)
Entrando na página https://sites.google.com/site/fomarques/ o leitor tem acesso ao curriculum vitae actualizado de FOM. Seguindo o link  ISI - ResearcherID  (note-se que ISI-Web of Knowledge é a base de dados de referência a nível internacional na área científica) o leitor encontra a lista ISI de publicações com os artigos de que FOM é autor ou co-autor, podendo ainda consultar a chamada Citation Metrics, que contém informações estatísticas diversas. 
FOM licenciou-se em Geologia com média final de curso de 17 valores, doutorou-se em Geologia (especialidade de Geodinâmica Interna) em 1994 e fez as provas de agregação na Universidade de Lisboa (UL) em 2003.
A maioria dos trabalhos que constam da lista ISI de publicações (cerca de 75%) foram produzidos entre 2003 (ano da agregação) e 2011 (ano do concurso). Paralelamente, repare-se na evolução consistentemente positiva do gráfico de citações durante este período.
FOM é professor auxiliar com agregação da UL. Pertence à secção de Geodinâmica do Departamento de Geologia da FC/UL, e a sua área científica é Geologia Estrutural e Tectónica. Tem desempenhado funções editoriais em publicações prestigiadas (Member of the Editorial Board of Tectonophysics; Top Reviewer of the Journal of Structural Geology in 2008; Organizer of GeoMod (Modelling in Geosciences), University of Lisbon, Portugal, 2010, e Editor of GeoMod2010 Special Issue in Tectonophysics).
As Universidades estrangeiras que FOM tem visitado (e com quem tem colaborado) regularmente estão no topo do ranking das classificações europeias e mundiais. Em particular, é de referir a prestigiada ETH-Zürich onde FOM passou recentemente um ano de licença sabática como Professor Convidado.
Concurso
Conforme explicitado no respectivo edital, o concurso foi aberto para preenchimento de uma vaga de Professor Catedrático no Departamento de Geologia, na especialidade de Geodinâmica Externa. Cabe aqui um reparo: o Regulamento de Concursos na UL estipula que “A especificação da área ou áreas disciplinares não deve ser feita de forma restritiva, que estreite de forma inadequada o universo dos candidatos.”. Esta orientação recomendaria que o concurso fosse aberto simplesmente na especialidade de Geodinâmica.
De acordo com o Despacho Interno R/87/2010, em particular o esclarecimento do Senhor Reitor sobre concursos na UL, os concursos devem ser “abertos a título excepcional, por relevante interesse público, destinando-se a ocupar postos fundamentais para assegurar o normal funcionamento da instituição”. E esclarece-se adicionalmente que o preenchimento de lugares depende da “existência de relevante interesse público no recrutamento, ponderada a eventual carência dos recursos humanos no sector de actividade a que se destina o recrutamento”.
Composição do Júri (Edital n.º 832/2011 da Reitoria da UL) – Presidente: Reitor da Universidade de Lisboa (Doutor António Sampaio da Nóvoa); Vogais: Doutor Cristino Dabrio Gonzalez, Professor Catedrático da Facultad de Ciências Geológicas da Universidad Complutense de Madrid; Doutor João José Cardoso Pais, Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa; Doutor Fernando Joaquim Tavares Rocha, Professor Catedrático do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro; Doutor António Manuel Nunes Mateus, Professor Catedrático do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; Doutor César Freire de Andrade, Professor Catedrático do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Foram apresentadas duas candidaturas a concurso: a de Fernando Ornelas Marques (cujo Curriculum Vitae se encontra acima) e a de Maria da Conceição Pombo de Freitas (http://www.fc.ul.pt/node/2106) – licenciada em Geologia com média final de curso de 15 valores, doutorada em Geologia (especialidade de Geologia Económica e do Ambiente) em 1996, fez as provas de agregação em 2005, e pertence à Secção de Geologia Económica e Aplicada.
Importa aqui relevar o seguinte: a área científica do Doutor César Freire de Andrade, presidente do Departamento de Geologia da FC/UL, é Geologia Costeira (http://www.fc.ul.pt/node/2085) e a área científica da candidata é Geologia Litoral. Em consequência da similitude destas áreas científicas, não surpreende que, em cerca de 90% dos artigos listados na candidatura da Doutora Maria da Conceição Pombo de Freitas, a candidata e o Doutor César Freire de Andrade sejam parceiros de co-autoria. Note-se que este facto não é despiciendo visto à luz da orientação superior de que o recrutamento deve ter em conta a “carência de recursos humanos no sector de actividade a que se destina o recrutamento“. Por outro lado, tudo indica que a génese da abertura do concurso (definição da área e constituição do Júri) terá sido da responsabilidade exclusiva do presidente do Departamento de Geologia, Doutor César Freire de Andrade, dado que os órgãos colegiais do Departamento não foram convocados para esse efeito (pelo menos não consta que haja actas que o comprovem). 
Decisão do Júri
De acordo com as regras habituais, após admissão formal dos candidatos a concurso, o Júri começa por proceder à avaliação das candidaturas em mérito absoluto. É nesta fase que surge a decisão do Júri que considero absolutamente escandalosa:

Fernando Ornelas Marques é excluído do concurso
porque foi reprovado em mérito absoluto!

Em consequência desta ignóbil decisão, a candidata Doutora Maria da Conceição Pombo de Freitas passou sozinha à fase seguinte, sem concorrência...  
Resumindo, em conclusão:
(1) O concurso foi aberto na especialidade de Geodinâmica Externa;
(2) F.O. Marques pertence à secção de Geodinâmica, trabalha em Geodinâmica ou domínios afins, onde tem um currículo invulgar em Portugal, como foi reconhecido há bem pouco tempo por alguns dos melhores especialistas estrangeiros desta área;
(3) É nestas condições que o douto Júri se outorga o direito de excluir liminarmente do concurso o candidato mais bem apetrechado cientificamente para o preenchimento do lugar de Professor Catedrático no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa!
Observação final
Fernando Ornelas Marques tem um senão: é frontal, diz o que tem a dizer, não entra em jogos de bastidores, não pactua com irregularidades. Numa corporação blindada como a Universidade (portuguesa) esta atitude paga-se caro. Esta não foi a primeira vez que FOM foi prejudicado em concursos no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa… e muito provavelmente não será a última. Infelizmente.

sábado, 12 de maio de 2012

Varandas




Bocadinhos de floresta
pedacinhos de jardim
nas varandas pendurados
são viagens de saudade
são passeios inventados
que quando nos falta o tempo
que quando nos falta o campo
fazemos em casa parados

E as palavras, os desenhos
são os perfumes, as flores
a preto e branco ou a cores
dos livros e das janelas
quando não ficam fechados…


Poema de Teresa Martinho Marques
ilustrado por Paulo Miguel Pinheiro Martinho

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Que fica de nós quando partimos?


Há dias a Joana Salgado Emídio contactou-me no sentido de vir a ser membro honorário do Clube de Leitores de O Mirante. Nada lhe respondi então, mas fiquei a pensar no assunto, procurando encontrar uma explicação para o convite.
Porquê tal distinção? Bem ou mal, cheguei à conclusão de que o mérito não era intrinsecamente meu, antes dever-se-ia à minha respeitável idade... Não me parece que exista outra explicação. Nada fiz de especial pelo Jornal a não ser acreditar no projecto do Joaquim António Emídio em 1987 e nele ter colaborado desde o primeiro número até 2001.
Quando nos chamam “mestre” sem o sermos ou “professor” sem termos o título ou, neste caso, nos convidam para “membro honorário” de uma confraria, é caso para conferir o bilhete de identidade! Cara Joana, eis o que tenho a propor: vamos esperar mais algum tempo, porventura até que eu complete os 80… Passarei a ter mais um suplemento de ânimo para perseverar na vida. É assim como uma espécie de certeza de não morrer enquanto tiver um testemunho para dar.
Por associação de ideias, o convite da Joana fez-me lembrar uma muito recente e inesperada afirmação da minha neta Inês: «Avô, tu estás velhinho, mas o mais importante é que eu gosto muito de ti.» A seguir, sentou-se a meu lado no sofá e aninhou-se. Fiquei sem fala. Aonde é que uma criança com menos de cinco anos vai buscar uma tão comovente “declaração de amor”?
O efeito da inexorável passagem do tempo, que é disso que se trata, leva a uma interpelação verbalizada por Teresa Martinho Marques numa das entradas do seu blogue Tempo de Teia: «O que fica de nós quando partimos?» Ela mesmo ensaiou uma (poética) resposta à sua própria pergunta: «A memória do que deixámos espalhado pela casa. As pegadas no coração dos outros. Impressões digitais que não desaparecem, nem se conseguem limpar. Vivemos sem luvas pela vida. Deixamos marcas em todos os lugares. A cor e forma das marcas dependem dos caminhos escolhidos. Dos caminhos percorridos.»
Passando em revista o que escrevi para O Mirante, pergunto-me: O que ficou dessa colaboração?
Para a generalidade dos leitores, provavelmente nada ou pouca coisa. Em regra, um artigo de jornal é para ter impacte num dado momento, passado o qual o seu destino é o “papelão”. Para ressuscitar o que se pretender arrancar ao esquecimento da “espuma dos dias”, só mesmo uma busca numa hemeroteca.
Para o autor, é diferente: Ele poderá ter visto alguns escritos seus reproduzidos num outro jornal ou em livro; poderá ter ouvido apreciações estimulantes em relação à abordagem de certos assuntos; poderá ter ajudado a esclarecer certas questões técnicas; poderá ter antecipado cenários políticos que se vieram a confirmar; etc. E estes factos também contribuem, directa ou indirectamente, para o prestígio do jornal.
Por múltiplas razões, O Mirante é hoje um semanário de referência com inúmeros leitores um pouco por todo o lado, para o que também concorre a versão on-line. Os caminhos escolhidos e os caminhos percorridos por Joaquim António Emídio e a sua equipa ditaram um êxito que “ficará” e que merece o nosso aplauso. Parabéns!

Texto publicado no jornal O MIRANTE
(Edição 22.º Aniversário), 16.Novembro.2009

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ainda o Dia da Mãe


A Educadora Helena Martinho mostrou aos meninos do Jardim-de-Infância do Vimeiro a fotografia do Sol de Lápis feito pelo seu irmão Paulo Pinheiro Martinho [cf. http://madeiraviva.blogspot.pt]...


… e lembrou-se de sugerir-lhes que fizessem prendas inspiradas neste trabalho para celebrar o Dia da Mãe (06.Maio). Seguem-se algumas das "obras" concebidas/produzidas pelos meninos. Eu gosto.


terça-feira, 8 de maio de 2012

domingo, 6 de maio de 2012

Poderá o Japão prescindir do nuclear?


Título e sub-título de uma notícia de ontem no jornal PÚBLICO (pág. 23):
Apagão nuclear no Japão pela primeira vez em 40 anos
O último reactor a funcionar no Japão será desligado neste sábado, deixando o país sem energia nuclear.
Na net o título era: O Japão é hoje um país sem energia nuclear.

No corpo das notícias ficava-se a saber mais: As centrais nucleares japonesas foram encerradas para manutenção; o parque nuclear japonês compreende 54 reactores nucleares, responsáveis por 30% da electricidade consumida a nível nacional; a única opção viável são as centrais térmicas a gás e a carvão; actualmente, as renováveis respondem por apenas 10% da produção de energia no país, a maioria a partir de barragens; e a energia eólica e solar representam, juntas, 1%.


São muitas as opiniões, no Japão e não só, de que o acidente de Fukushima – provocado por um tsunami dantesco, convém recordar – foi o ponto de partida para uma “nova era” no Japão, uma era sem recurso à energia nuclear. Julgo que esta ideia é errónea. Tal como antecipei em 1999 que a Alemanha não podia passar sem o nuclear (base do acordo entre SPD e Verdes) (ver aqui), 
também agora me parece inviável que o Japão possa prescindir do nuclear. O tempo o dirá. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Energia Nuclear - Bases” – Dados estatísticos

Completam-se hoje seis meses desde que foi iniciado o site ENERGIA NUCLEAR – Bases, uma introdução ao ‘nuclear’ numa perspectiva pedagógica: http://energianuclear-bases.blogspot.pt (cf. coluna à direita).

Seguem-se os respectivos dados estatísticos referentes aos temas mais procurados (com mais de 100 visualizações) e aos países donde provêm os visitantes (no mapa abaixo os países estão  assinalados a verde, em que verde mais intenso significa maior número de visualizações).

Total de visualizações de páginas: 2720 (453 por mês)

Radioactividade e Radiações  ---> 253 Visualizações

Constituição do átomo  ---> 187 Visualizações


Alcance das radiações ionizantes  ---> 149 Visualizações

Resíduos radioactivos  ---> 149 Visualizações

Carta de Nuclidos  ---> 111 Visualizações

quinta-feira, 3 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pingo Amargo



O facto de uns saldos terem sido “a notícia” de ontem
diz muito do Portugal que somos nestes dias difíceis.
in Editorial do jornal PÚBLICO, 02.Maio.2012

(…) ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato! (…)

Alexandre O'Neill
1924-1986

Ilustração in: http://peroladecultura.blogspot.pt

terça-feira, 1 de maio de 2012

O meu Bairro – O 1.º de Maio na Alameda

Aspecto geral cerca do meio-dia, hora de almoço...

... e para isso há tasquinhas e petiscos.
A figura colorida à esquerda... o que será? 

Ah, é uma "estátua"... Quando lhe dão uma moeda,
agradece meneando-se a preceito e... oferece um chupa-chupa!

Foram montadas mesas para as pessoas colocarem o farnel.

Aspecto da Alameda quando voltámos pelas16 horas.

Quando partimos, pelas 17h30, havia ainda muita gente a chegar.