terça-feira, 9 de abril de 2013

Uma roda bem rodada...

A minha neta Inês (8 anos) fazendo ginástica na praia do Meco 
fotografada pelo tio-geólogo Fernando Ornelas Marques

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domingo, 7 de abril de 2013

Há 50 anos... em Paris



Completam-se hoje precisamente 50 anos desde que estes retratos foram feitos na Place du Tertre (junto ao Sacré-Coeur), aquando da nossa estadia em Paris (cf. aqui). Clicar para ampliar.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Em quem se pode confiar?

Meu artigo publicado hoje no semanário O MIRANTE 
(ver http://www.omirante.pt/ e aqui)

Face ao que nos é dado observar desde há oito anos na área da Educação, compreende-se que a classe docente tenda a confiar cada vez menos nos dirigentes do Ministério. No consulado de Maria de Lurdes Rodrigues (2005-2009) começou o desatino da desconsideração dos professores e da instabilidade no sistema educativo. O desagrado atingiu o seu clímax em Março de 2008, expresso numa Marcha da Indignação que levou 100 mil professores à rua.

Quando Nuno Crato chegou ao ministério da Educação, houve pessoas que saudaram a sua nomeação, crentes de que haveria uma alteração de política e uma mudança de atitude para com os professores, dadas as críticas que o próprio tinha feito no tempo do anterior executivo. Com o passar dos meses começou a perceber-se que não havia razões para tanta expectativa.

No momento presente, com a novidade de os professores do quadro sem componente lectiva (horário zero) passarem a ser abrangidos pela mobilidade especial – com o salário reduzido a metade e despedimento ao fim de dois anos neste regime –, volta a colocar-se a questão da confiança dos professores no Ministério que os tutela. É que, ao longo de 2012, o ministro Nuno Crato garantiu repetidas vezes que tal não aconteceria. Também o secretário de Estado Casanova Almeida em Setembro, na Assembleia da República, garantiu o mesmo, mas agora veio dar o dito por não dito com uma espécie de graçola: Como a mudança de regime só se aplica no próximo ano lectivo, o compromisso foi cumprido! Salvo melhor opinião, isto é um argumento do tipo chico-esperto que não fica bem a um membro do Governo.

Esta situação – que pode atirar ainda mais professores para o desemprego – a par de outras medidas que vão no mesmo sentido (criação de monstruosos agrupamentos escolares, “rescisões amigáveis” com funcionários públicos dos escalões mais baixos, etc.), poderia ser assumida honestamente como uma “contribuição” do ministério da Educação para os cortes (as ditas poupanças…) em perspectiva. Mas não, são invocados argumentos mais ou menos ardilosos para tudo explicar em nome de objectivos que não são os reais.

The International Herald Tribune publicou em 20 de Março último um artigo de Jonathan Blitzer que, dando o mote, começa assim: «A política de Educação não é o ponto forte do Governo Português». A terminar, o jornal reproduz uma afirmação esclarecedora de um dirigente de uma escola de Lisboa: «O ministério encarregado da Educação em Portugal é, na verdade, o Ministério das Finanças». Ou seja: a troika manda, as Finanças obedecem e os da Educação executam, quais ajudantes que prescindem de convicções, entendendo porventura que a coerência não é uma bandeira de virtudes.

Ilustração: © Antero Valério

quarta-feira, 3 de abril de 2013

domingo, 31 de março de 2013

A “narrativa”... pelo próprio e a cores

A “narrativa” apresentada na RTP é uma velha história conhecida dos portugueses. Só convence os que de antemão já estão convencidos. O mais que posso dar para este peditório é recordar um post publicado há cerca de dois anos (ver aqui).


«(...) Muito se tem falado sobre o “profissionalismo” de Sócrates, do seu virtuosismo mediático, de conseguir falar apenas do que lhe interessa, de encostar os adversários à parede, etc., etc. Provavelmente, neste tipo de coisas, será rei. Mas é precisamente o tipo de político de que Portugal não precisa: não precisamos de quem negue e mascare a realidade em permanência, de quem escamoteie as suas responsabilidades, de quem seja um ás na culpabilização dos outros. Pode haver quem considere esta actuação como o expoente máximo da sabedoria política. Eu vejo-a como um miserável manobrismo de um homem cujo ego lhe subiu tanto à cabeça que deixou de ver o país. (...)»

Esther Mucznik 
in O tempo de Sócrates acabou
PÚBLICO – 19.Maio.2011

sexta-feira, 22 de março de 2013

Previsões e conversa da treta

Meu artigo publicado ontem no semanário O MIRANTE

Julgo que toda a gente gosta de fazer previsões ou de beneficiar das previsões de outrem. Todavia, previsões há muitas e nem todas são credíveis. Uma coisa é um astrónomo fazer a previsão de um eclipse que acontecerá no sistema solar daqui a uns anos, outra é um astrólogo “prever” uma melhoria das finanças pessoais na próxima semana, com base na data de nascimento...

Que esperamos nós das previsões económicas feitas pelos governantes e pela “troika”? Esperamos certamente que sejam previsões mais do lado da astronomia… Ora não é isso que se tem verificado em Portugal desde há dois anos. Eu bem sei que a economia não é uma ciência exacta, mas há limites para os erros de avaliação, certo?

Os resultados da 7.ª avaliação do “programa de ajustamento” foram agora conhecidos. Perante o falhanço sistemático das sucessivas previsões, é caso para duvidar que se trate apenas de incompetência. Talvez tenha razão a D. Joaquina, 91 anos, 230 euros de reforma, que disse recentemente a'O MIRANTE (Ano XXV, N.º 1081, 14.Março.2013, pág.16): «Sempre achei que um dia os donos do dinheiro iriam voltar atrás e vingar-se do povo».

Falando apenas do indicador económico mais significativo para as pessoas, o desemprego, uma pergunta ocorre: Como é possível haver diferenças tão brutais entre as previsões e os valores reais? Em 2011, as luminárias previram que o máximo do desemprego seria atingido em 2012, mas não, agora é em 2014; pior do que isso, previram que o máximo do desemprego seria 12,4%, mas não, agora é 18,5% (!), o que corresponde a mais 330 mil pessoas desempregadas. Olhando para o rosto hirto e distante do ministro das Finanças ao dizer o que disse, quase não nos surpreenderia que tivesse dito que são “apenas” mais 330 mil desempregados.

Perante tão crassos erros, como é que ainda têm o arrojo de fazer previsões para 2015 e 2016? Estarão mesmo à espera que os portugueses acreditem no que dizem? Ou será que eles próprios não acreditam no que nos estão a dizer?

O primeiro-ministro veio afirmar a seguir que “previsões são previsões”, o que toda a gente sabe, acrescentando que o caminho passa por “aproveitar estas previsões para trabalhar no sentido de evitar que elas possam ser uma certeza”, que é precisamente aquilo que não tem sido feito.

Finalmente, deixo-vos com uma passagem da “conversa” do ministro das Finanças: «A revisão dos limites foi calibrada de forma a garantir uma constância na persistência do esforço de consolidação orçamental ao longo de tempo, de forma a conciliar os efeitos do ajustamento com a necessidade de ancorar a dívida pública e do financiamento dessa dívida.» O leitor percebeu? Não? Não se preocupe, o ministro estava falando para inglês ver.


PS – Este artigo foi enviado por email para O MIRANTE no domingo dia 17 de Março às 09h38, antes portanto de o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, no jornal da noite da TVI, se ter referido às previsões do ministro Vítor Gaspar como parecendo ser de um astrólogo... Fica aqui o registo, para memória futura. 

Ilustração: http://carpinteira.blogspot.pt

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dia Mundial da Poesia – três poemas para uma ilustração de Miguel Horta

Miguel Horta


1
sempre assim
espera(nça) inquieta
doída desassossegada
pela outra quase nada
que voa em mim
sempre
assim


2
e se
fosse mesmo isto
a (triste) casa:
ficar ficar ficar
sem sonho
sem desejo
nem desassossego
nem asa?


3
há na saudade
um não sei quê
de laranja
começo
fim de dia
desencontro
lágrima
fado
poesia


Teresa Martinho Marques

quinta-feira, 14 de março de 2013

Um nada, o outro nem isso!

Meu artigo publicado hoje no semanário O MIRANTE

Quando se é professor, é vulgar haver situações em que se é solicitado para qualquer coisa do tipo “veja lá o que pode fazer”. Foi o caso do senhor reitor da Universidade que me telefonou um dia, quando eu dava aulas de Física Atómica na Faculdade de Ciências de Lisboa. O aluno tinha tido nota baixa na prova escrita, o que o impedia de ir a exame oral. Eu ainda disse ao reitor que sempre aproveitava tudo o que podia ser aproveitado na escrita para dar a oportunidade da oral, mas que iria rever a prova. Reapreciada a prova escrita, nada havia a acrescentar à nota… e tudo ficou como estava. Julgo saber que o senhor reitor não apreciou a minha falta de flexibilidade.
Situação mais delicada foi quando um professor da Faculdade, que havia sido meu assistente, veio a minha casa para me dar conta da preocupação de uma mãe viúva a quem o filho informara que eu não lançara a nota na pauta, porventura por esquecimento... Ora o aluno era filho e tinha o apelido sonante de um eminente matemático já falecido, e eu nem sequer tinha memória de que alguém com esse apelido tivesse sido meu aluno. Perante a insistência do meu interlocutor – “essas coisas acontecem”, dizia ele, ao que afirmei “comigo nunca aconteceram” – dispus-me a marcar um encontro com o dito aluno para o conhecer e esclarecer a situação. O visado não compareceu ao encontro… e o professor acabou a pedir-me desculpa embaraçado com o sucedido.
Um professor de uma escola de engenharia procurou-me um dia no meu gabinete do Laboratório Nuclear de Sacavém. Queria falar-me de um concurso para preenchimento de uma vaga na carreira de investigação a que concorria um seu familiar. Acontece que o candidato fazia parte da minha equipa, mas eu não fazia parte do júri do concurso. Quando perguntei ao meu interlocutor o que pretendia ele exactamente, deu-me a entender que há sempre maneira de interceder… Registei a novidade (para mim) de que se pode dar um jeitinho “por fora”. O concurso acabou mal para o candidato.
Estas evocações fazem-me lembrar uma história que me foi contada pelo falecido doutor José Nunes Petisca, distinto médico veterinário chamusquense. Dois irmãos iam fazer exame oral da mesma disciplina no mesmo dia, e o pai solicitou um empenhozinho ao professor, que era seu amigo. Finda a prova do primeiro irmão, que correu pessimamente, o professor perguntou-lhe se ele sabia nadar. Que sim, sabia, respondeu o aluno estranhando a pergunta. A cena repetiu-se exactamente com o segundo irmão, que à última pergunta respondeu que não sabia nadar. Reprovaram ambos. Quando o pai interrogou o professor sobre o resultado, este justificou-se: Que podia eu fazer? Um nada, o outro nem isso!

terça-feira, 12 de março de 2013

quinta-feira, 7 de março de 2013

Questões de linguagem

Meu artigo publicado hoje no semanário O MIRANTE

A Lei n.º 46/2005 estabelece, explicitamente, que «O presidente de câmara municipal e o presidente de junta de freguesia só podem ser eleitos para três mandatos consecutivos». Dito isto, e apenas isto, parece não haver qualquer dúvida de que a finalidade da lei é evitar a eternização dos autarcas. Findos três mandatos consecutivos, os senhores presidentes cessam funções, ponto final. E percebe-se que assim seja, porque já Eça de Queiroz dizia: “Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”.


Diz-se que, em política, o que parece, é. Todavia, neste caso da limitação dos mandatos autárquicos, uma disposição legal que é clara e óbvia tornou-se misteriosamente numa dúvida obscura. Parece que por duas razões: (1) porque a presidência da república descobriu ao fim de oito anos (!) que, na fase de publicação da lei, havia sido trocado um “da” por um “de”, e (2) porque se aproximam as eleições e a certos políticos convém mais o “da”. Para mim – que sou um simples cidadão e não tenho os pergaminhos das numerosas e mui ilustres personalidades que têm perorado sobre este momentoso problema – esta tergiversação dá-me vontade de rir, para não dizer que me dá vontade de vomitar.
Já agora, aproveito para chamar a atenção para um pormenor da lei que não tem sido referido. No artigo 1.º aparecem duas expressões conflituantes: no ponto 1 lê-se «O presidente de câmara municipal e o presidente de junta de freguesia (…)», mas no ponto 2 lê-se «O presidente da câmara municipal e o presidente de junta de freguesia (…)». Não seria de nomear uma qualquer comissão para esclarecer este gravíssimo problema?
Há vinte anos, quando o presidente da república era primeiro-ministro, também houve um caso muito comentado. Foi o enigma de uma certa vírgula – que estava onde não devia estar, ou não estava onde devia estar, pouco importa – num decreto-lei. É conhecido o valor da pontuação num texto, mas a questão é outra. A questão é as vírgulas se permitirem andar por aí à deriva… não estarem onde deveriam estar e com isso alterarem o sentido de leis que a todos afectam – mais a uns do que a outros, em geral, dependendo de se ter ou não uns trocos para contratar bons advogados.
Ainda a propósito de linguagem, parece-me que os dicionários deveriam ser revistos. Pelo menos é o que se infere da nova linguagem do governo. Por exemplo, o leitor já reparou que agora, no melífluo palavreado do primeiro-ministro e do ministro das finanças, a palavra “cortes” tem vindo a ser substituída pela palavra “poupanças”? Deve ser porque a palavra “cortes” lembra golpes, sangue… e a palavra “poupanças” sugere ponderação, virtuosidade! Ou estarei a tresler?

segunda-feira, 4 de março de 2013

In Memoriam Stéphane Hessel (1917–2013)

Morreu Stéphane Hessel (diplomata, embaixador, resistente, escritor e militante político francês), o autor do celebrado livro Indignez-vous! Ver biografia aqui.


Foto de S.Hessel: Miguel Manso

É sempre a descer...

...e em 2013 tenho de mudar de escala!... ver aqui


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ir ao mercado

Meu artigo publicado hoje no semanário O MIRANTE

Quando eu era miúdo e vivia na Chamusca, a expressão “ir ao mercado” tinha um significado preciso. “Ir ao mercado” significava exactamente “ir à praça”, um espaço que ficava (e fica) ao pé da Igreja Matriz, onde se podia comprar couves, fruta, peixe do rio, enfim mantimentos para o sustento da família. Ir ao mercado era também a oportunidade de as mulheres saírem de casa, de porem a conversa em dia.
Actualmente, “ir ao mercado” perdeu grande parte daquele significado. Eu diria mesmo que é uma expressão que quase caiu em desuso, porque a praça está às moscas, com apenas meia dúzia de bancas tristes. Perdeu a vitalidade, o ruído e o colorido de outrora. Hoje não se vai ao mercado (a pé), vai-se ao supermercado (de carro)...
No campo desportivo, “ir ao mercado” tem ainda outro significado. Quando dirigentes de clubes ou treinadores de futebol dizem pretender “ir ao mercado” estão a dizer que querem comprar novos jogadores, estrangeiros eventualmente. Nestas idas ao mercado, como se sabe, são movimentados muitos milhões de euros. O que não se percebe muito bem é que clubes altamente endividados, com enormes dívidas à banca e ao fisco, quando não aos próprios jogadores, queiram ir ao mercado, mas vão.
A moda actual é mesmo “ir ao mercado”… pedir dinheiro emprestado! Com o espectro da bancarrota no horizonte, veio a crise e o chamado programa de ajustamento da troika. Durante um tempo não se pôde ir ao mercado. Andava toda a gente triste, que maçada, não se pode ir ao mercado… Eis senão quando o incontornável ministro das finanças veio anunciar: Combinámos umas coisas com a Irlanda numa reunião em Bruxelas e… amanhã vamos ao mercado!
Fomos ao mercado e, diz-se, com grande sucesso. E diz-se mais: esta operação abriu-nos a porta para ir mais vezes ao mercado. Houve comentários de regozijo e suspiros de alívio. O pior da crise já passou, previram os mais optimistas. Mas o inefável primeiro-ministro veio logo pôr água na fervura: Calma aí, isto é apenas um ponto de partida, não é um ponto de chegada. Jogo de palavras para disfarçar a auto-satisfação pelo “êxito”?
Muito bem, fomos ao mercado. E depois? Qual a vantagem do regresso aos mercados? Quais as vantagens para a população em geral? Vamos continuar a pagar dívida e juros pedindo mais dinheiro emprestado? A ideia é continuar a empurrar a dívida para a frente com a barriga? Não foi essa política do anterior governo que precipitou a queda no atoleiro em que estamos atascados? Estas perguntas são porventura tolas, mas eu sou um mero escrevedor com dúvidas... que nada sabe de economia.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013