segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Pausa no blogue "Corações da Chamusca"

Carlos Oliveira em entrevista na RTP-2
O meu conterrâneo Carlos Santos Oliveira autor de Corações da Chamusca decidiu fazer uma pausa no seu blogue, com sentidas palavras que passo a resumir:
Faz hoje um ano que publiquei o primeiro trabalho no blogue. Encetei aí um trabalho voluntário que achei ser necessário, por sentir que havia no Concelho da Chamusca e nas suas Gentes, princípios, valores e qualidades que mereciam um reconhecimento público.
Nunca pensei que este meu impulso fosse tão bem recebido e merecesse tantos elogios e atenções e que os próprios entrevistados despertassem tanto interesse e fossem tão estimados pelos visitantes do blogue, o que realça ainda mais a evidência das suas qualidades.
Com 15.600 visitas, repartidas por Portugal e outros 93 países, sinto orgulho e carinho em dizer: Muito Obrigado! Sinto orgulho em ter envolvido várias pessoas e Instituições neste trabalho colectivo, a quem agradeço toda a colaboração, porque juntos conseguimos dignificar a Chamusca e as suas Gentes e mostrar a profundidade das nossas raízes.
Nesta hora de partilha e de balanço gostaria de deixar a mensagem de que irei continuar, agora com menor frequência, porque cada trabalho que publiquei neste blogue significou muitos dias de dedicação.
Um abraço do tamanho do mundo para todos.

Prezado Carlos, nós todos é que agradecemos o trabalho meritório a que meteu ombros e que foi tão bem sucedido. Parabéns! Ficamos à sua espera...

Uns têm, outros não...



Deolinda no Coliseu dos Recreios



domingo, 23 de fevereiro de 2014

O que ele diria no congresso do PSD

por José Pacheco Pereira

Podia-se considerar que se trata apenas de uma situação de emergência em que os governantes do PSD estão apenas a tentar fazer sair o país da crise tornando-se executantes aplicados de programa da troika com que não concordavam. Mas quantas declarações políticas já foram feitas, desde a que dizia que "o programa do PSD era o programa da troika", mostrando que não se trata de uma comunhão por necessidade, mas sim numa concordância de fundo, que vai muito para além das circunstâncias actuais? Até que ponto o programa da troika, que o PSD ajudou a delinear, que o PSD completou nas negociações com Passos e Gaspar e a troika, não é o governo do PSD?

Se virmos bem, a fonte dos discursos de aceitação pacífica de redução da soberania, de diminuição dos poderes do parlamento português, de um futuro de vinte ou trinta anos em que a possível recuperação económica não implicará a recuperação social, em que não há uma palavra para o trabalho, para o seu valor social, em detrimento de uma repetição monocórdica da palavra "empresas", o discurso de divisão entre jovens e velhos, o efectivo abandono de qualquer preocupação ou medida contra o empobrecimento dos desempregados de longa duração ou os "desencorajados", é o governo do PSD e Primeiro-ministro.

Fujam, que ele vem aí...



Mário Viegas >> "Os ais" deste País...



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

João Tordo escreve carta ao pai Fernando Tordo

19.Fevereiro.2014


Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer. Perante a tua carta que a Eugénia e teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta.
Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês (grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou) ela e os meus netos, aqueles sorrisos.
Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua. 
Beijo do teu pai Fernando."
(Mensagem publicada no FaceBook)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O Mirante lança novo livro de Jaime da Costa Oliveira


O MIRANTE, um Jornal que também edita Livros, acaba de publicar Memórias para a História de um Laboratório do Estado, do meu colega e amigo Jaime da Costa Oliveira.


O livro é uma proposta de síntese interpretativa das crises e das mutações a que esteve sujeito o Laboratório de Sacavém, um laboratório do Estado vocacionado para a realização de estudos de energia nuclear, ao longo da sua existência de mais de meio século.

Índice e Prólogo aqui. 
O livro contém Depoimentos de  Alfredo Nobre da Costa, Álvaro Barreto, Fernando Videira, João Motta Campos, Joaquim Rocha Cabral, Joaquim Soeiro de Brito, José Mariano Gago, José Torres Campos, José Veiga Simão, Leonor Parreira, Luís Alves Monteiro, Luís Mira Amaral, Luís Todo-Bom, Manuel Fernandes Thomaz, Pedro Lynce, Pedro de Sampaio Nunes, e Ricardo Bayão Horta.

Outros livros do mesmo Autor publicados pel’O MIRANTE:


Ciência à deriva



Artigo de Carlos Fiolhais (Público, 19.Fev.2014)

Já ninguém se lembra do programa do governo, mas ele está à distância de um clique. Na área da ciência começava por tecer rasgados elogios aos governos precedentes: “Graças às políticas de investimento de sucessivos governos anteriores, a ciência em Portugal representa uma das raras áreas de progresso sustentado no nosso país, tendo vindo a dar provas inequívocas de competitividade internacional.” [...]
[...]
Até o governo se esqueceu do seu próprio programa num dos raros sectores em que havia um amplo consenso. Não foi apenas o ministro da Economia mas também o primeiro ministro que recentemente criticou a política de ciência dos governos anteriores, incluindo os do seu próprio partido.
[...]
Voltando ao programa do governo, nele se pretendia “instituir mecanismos que dêem voz a toda a comunidade científica nacional.” Contrariando a promessa, hoje essa comunidade não é tida nem achada. Houve até uma tentativa de amordaçamento do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, órgão consultivo que reúne alguns dos nossos melhores cientistas, quando este apontou o desnorte da ciência portuguesa (ver aqui). [...]

Portugueses no Mundo


Há quem diga que Portugal é um caso de sucesso, que é mesmo «o herói-surpresa da Zona Euro»… A realidade-real é bem outra. Por exemplo, o drama da emigração que se está a viver em Portugal pode ser “visto” em Portugueses no Mundo, um programa da Antena-1 coordenado por Alice Vilaça. Marlene Almeida, enfermeira, emigrada há um ano em Braine-l'Alleud, Bélgica, contou hoje o seu caso (ouvir aqui). Mas há mais testemunhos.

Adenda (22h11)
O escritor João Tordo escreveu hoje uma “Carta ao pai”, o músico Fernando Tordo, que emigrou para o Recife e deixou este país, onde nasceu e onde viveu durante 65 anos. É dessa carta o seguinte excerto: Os nossos governantes têm-se preparado para anunciar, contentíssimos, que a crise acabou, esquecendo-se de dizer tudo o que acabou com ela. A primeira coisa foi a cultura, que é o património de um país. A segunda foi a felicidade, que está ausente dos rostos de quem anda na rua todos os dias. A terceira foi a esperança. E a quarta foi o meu pai, e outros como ele, que se recusam a ser governados por gente que fez tudo para dar cabo deste país - do país que ele, e milhões de pessoas como ele, cheias de defeitos, quiseram construir: um país melhor para os filhos e para os netos.

Adriano Correia de Oliveira >> Fala do Homem Nascido



Poema de António Gedeão
Música de José Niza

Venho da terra assombrada,
do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.
Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza
que a Natureza sou eu,
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

Giordano Bruno morreu há 414 anos



Giordano Bruno (Nola, Reino de Nápoles, 1548 — Roma, Campo de Fiori, 17 de Fevereiro de 1600) foi um teólogo, filósofo, escritor e frade dominicano italiano condenado à morte na fogueira pela Inquisição romana (Santo Ofício) por heresia.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Falando de ensino pré-escolar


O ex-ministro da Educação Eduardo Marçal Grilo (EMG) (1.º Governo de António Guterres, 1995-1999) deu uma entrevista a Maria João Avillez (MJA)― ver aqui ― que foi publicada hoje no Público-2 (revista). É desta entrevista o seguinte excerto: 

EMG – […] em quarto lugar havia algo de muito importante que era a mensagem que o ministro lançava para a sociedade.
MJA – Qual era?
EMG – Uma delas foi muito simples: a importância da educação nos primeiros anos de escolaridade.
MJA – O célebre pré-escolar de que tanto falaram na altura?
EMG – Lançámos o pré-escolar, criámos as suas bases. Era uma grande preocupação minha que vinha do tempo em que dirigia o Conselho Nacional de Educação – antes de entrar para o Governo – e sobre a qual já muito escrevera. Os resultados de diversos testes demonstram que os miúdos que passaram pela educação pré-escolar são muito diferentes dos que não tiveram essa possibilidade. Há uma sociabilização da criança, o contacto com as letras, os números, as pessoas, o mundo, e isto é absolutamente essencial para o seu desenvolvimento.

Esta passagem do diálogo desencadeou em mim algumas recordações referentes a factos ocorridos na segunda metade da década de 90, entre as quais (1) uma carta que dirigi a um alto responsável (actual) do PS, e (2) um despacho de Marçal Grilo atribuindo uma menção de Excelência a uma educadora de infância.

Na referida carta ao responsável do PS, escrita em 08.Março.1995, dizia eu o seguinte:
[…] Apraz-me registar, em especial, a prioridade atribuída pelo Eng. António Guterres e a sua equipa à Educação. Embora tudo tenha a ver com tudo, e seja difícil, por isso, eleger uma área prioritária por excelência no meio de tantas que se encontram em situação preocupante, é também minha convicção que é aí, na Educação, que se joga, verdadeiramente, os amanhãs individual e colectivo.
E se me pedissem para identificar uma subárea por onde começar, eu não hesitaria: a educação pré-escolar. Por um lado, é imprescindível que a taxa de cobertura dos jardins-de-infância aumente significativamente e, por outro, importa que se ponha um cuidado particular na formação e reciclagem dos educadores de infância, que, a meu ver, são as pessoas com a missão mais delicada, porque mais portadora de futuro, no sistema educativo. […]

Dito isto, convém recordar que foi precisamente no 1.º Governo de António Guterres, sob a tutela de Marçal Grilo, que a educação pré-escolar registou um impulso assinalável.

Quanto à menção de excelência, em 24.Março.1999 foi publicado no Diário da República um despacho de Marçal Grilo (ver foto abaixo), em que se pode ler o seguinte:
Assim (...) é reconhecido (...) o mérito excepcional e é atribuída a menção de Excelente à educadora de infância Maria Helena Pinheiro Martinho (...) pelo seu invulgar empenho na causa da educação pré-escolar traduzido na dinamização de projectos, na procura de fundamentação científica e na disponibilização e na rentabilização da sua experiência junto de outros profissionais e da comunidade em geral.

Foi uma alegria para nós este justo reconhecimento de um trabalho que continua a ser notável. Basta pesquisar “Helena Martinho” no topo deste blogue, à esquerda, para confirmar isso mesmo.


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Nina Simone >> Feeling Good



World Press Photo 2013



sábado, 15 de fevereiro de 2014

Perguntar não ofende



José Pacheco Pereira
Como é que o Governo pode pensar que em Portugal se vai dar um “milagre” económico com a pauperização do principal sector dinâmico da sociedade, a classe média?

Quando o Governo fala dos portugueses, considera que está a falar dos muitos milhões de pessoas para quem não existe qualquer perspectiva de futuro e para quem o Governo não tem quaisquer políticas e aparenta não se preocupar por não ter? 

Galileu nasceu há 450 anos









Poema para Galileo
de António Gedeão
dito por Mário Viegas