sábado, 11 de maio de 2013

Ascensão na Chamusca 1 -- A espiga

 A manhã de 5.ª feira surgiu com uma chuva miudinha, 
nada propícia para ir apanhar a espiga ao campo.

 Uma senhora vinda da Golegã resolveu o problema a troco de 2 euros...

 ... e fomos exibir a espiga para o Parque Municipal...

... antes de a colocar atrás do portão, como manda a tradiçao.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Vou apanhar a espiga ao Ribatejo

Na Chamusca apanha-se a espiga pela Ascensão. 
É para lá que vou hoje. Espero ter o meu quinhão.


Foto retirada daqui.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O calculador de bolso na escola

Como este tema volta agora a dar que falar, parece fazer sentido repescar um meu artigo publicado na revista Chamusca Ilustrada em Agosto de 1980.

É quase certo que em muitas escolas primárias continua, e continuará, a ouvir-se a lengalenga da petizada, qual coro afinado: dois vezes um, dois; dois vezes dois, quatro; dois vezes três, seis... Trata-se de uma forma de memorizar a tabuada – nomeadamente a da multiplicação, que é a base do cálculo – a que estamos ainda muito arreigados. Outras formas há modernamente mais atraentes para os alu­nos, em particular quando envolvem a exploração de noções mais ou menos intuitivas e/ou fazem ape­lo a métodos audiovisuais. E no futuro como será? Que novos utensílios poderão ser empregados em com­plemento do ensino? Um, pelo menos, se perfila no horizonte.

É sabido que muitos alunos, mesmo a nível do ensino primário, começam a ter acesso a pequenas máquinas de calcular – os chamados calculadores de bolso – que eles manipulam com inegável satis­fação. A utilização generalizada das pequenas máquinas de calcular, que têm vindo a infiltrar-se de forma crescente desde 1972 nas escolas, nos liceus, na universidade, na vida quotidiana de pessoas com actividades extremamente diferenciadas, levanta um problema pedagógico, mas não só, de grande interesse e actualidade.

Que papel estará reservado aos calculadores de bolso no âmbito do ensino, nomeadamente no ensi­no da matemática? Deve-se deixar ou não que os alunos se sirvam de calculadores de bolso? No caso afirmativo, a partir de que nível? Provavelmente, como advogam alguns especialistas, a partir da altura em que as bases fundamentais do cálculo estejam inequivocamente assimiladas.

Fixado esse nível, e a ser introduzido o calculador de bolso na escola, quem o pagaria? A escola ou os pais dos alunos? Decerto a escola, porque, no caso contrário, o calculador de bolso constituiria mais um instrumento de discriminação social, já que os alunos com mais haveres ficariam beneficiados.

Como se entrevê, o problema é de índole pedagógica, mas também envolve aspectos de natureza económica. É certamente por esta razão que, oficialmente, os calculadores de bolso continuam a ser “ignorados”, mesmo em níveis de ensino onde seguramente não haveria motivos pedagógicos válidos que se opusessem à sua adopção. Um exemplo: no cabeçalho de certos pontos de exame do Ano Pro­pedêutico de 1978/79, entre várias recomendações, podia ler-se: “Não é permitida a utilização de má­quinas de calcular”. Este ano não se explicitava a proibição, mas ela mantinha-se... Ora, ao nível do Ano Propedêutico, que dá acesso ao ensino superior, não se duvida que os alunos adquiriram já as noções básicas do cálculo! E cai-se nesta situação: em casa ou nas escolas não-oficiais onde se prepa­ram para estes exames, os alunos podem utilizar, e utilizam, os calculadores de bolso na resolução de exercícios, o que lhes facilita grandemente a tarefa na medida em que os alivia de cálculos fastidiosos e, simultaneamente, lhes permite consagrar mais tempo ao essencial, que é o raciocínio; entretanto, nos exames isso está-lhes vedado, e nem sempre os professores que preparam os pontos têm o cuidado de, sem prejuízo da finalidade das provas, conceber problemas que não façam consumir demasiado tempo em operações matemáticas cansativas. 

É esta, pois, uma questão em aberto, que rapidamente virá a ganhar maior acuidade no futuro imediato, por razões que facilmente se adivinham. A nível universitário, a maior parte dos professores não se opõe à utilização das máquinas de calcular – neste caso, pertença dos alunos – antes a incentiva. Os calculadores de bolso, programáveis ou não, tal como os computadores, fazem já parte do nosso dia-a-dia, portanto é recomendável que os jovens aprendam a utilizá-los o mais cedo possível. Há apenas que definir o limiar, o ponto de partida.

Em vários países, como os Estados Unidos, a França e a Suécia, a maioria dos professores de matemática é favorável à introdução dos calculadores de bolso em turmas dos anos terminais do ensino secundário. Em Portugal, isso poderia verificar-se eventualmente a partir do actual 10.º ano de escolaridade. É um facto que a questão é relativamente complexa nas suas implicações, que carece de estudo, mas urge iniciá-lo. Não se poderá, por muito mais tempo, “passar ao lado” de uma realidade marcante da época em que vivemos.

sábado, 4 de maio de 2013

Pior do que há dois anos...


«[…] Há dois anos, o ministro das Finanças de Sócrates, para impor o resgate externo, mandou o recado para os jornais de que não havia dinheiro para salários e pensões. Esta semana, o primeiro-ministro, Passos Coelho, veio dizer o mesmo: ou prosseguimos as políticas que ele propõe, ou não há dinheiro para salários e pensões. Descontando o elemento chantagista do argumento, que é igual há dois anos e hoje, o que podemos concluir é que nada foi adquirido e que estamos na mesma, vivemos a um mês de não ter dinheiro para salários e pensões.

Se se aceita a veracidade do argumento, a pergunta a fazer é que significado teve o sacrifício dos portugueses nestes dois anos, em que cada pacote de austeridade foi sempre apresentado como último, para ser logo a seguir anunciado um novo, quando o Governo não conseguia os resultados que pretendia com o anterior. Em finais de 2011, Passos Coelho, quando questionado sobre se bastava o corte de meio subsídio de Natal, respondeu que sim. Logo a seguir, quando do anúncio do fim dos subsídios de Natal e de férias, quando questionado sobre se era suficiente, respondeu que sim. Em 2012, quando subiram os impostos, questionado sobre se chegava, Passos Coelho respondeu que sim. Em 2012, quando anunciada a subida da TSU, questionado sobre se essa medida seria eficaz, Passos Coelho respondeu que sim. Em 2012, quando se anunciou o “enorme aumento de impostos”, que seria apenas para 2013, Passos Coelho garantiu que sim. Em 2012 e 2013, quando começou a falar da “refundação do Estado” e dos quatro mil milhões, questionado sobre se isso resolvia o problema de adequar o financiamento do Estado aos recursos que os “portugueses estariam dispostos a pagar”, Passos Coelho respondeu que sim, esta reforma era “estrutural” e por isso fechava o “problema”.

A cada pacote de austeridade foi sempre pedido mais do que no pacote anterior e todas as medidas estão a ser cumulativas, e as que eram provisórias para 2011, 2012, ou 2013 continuam em aplicação para 2014, 2015, 2016, 2017, e algumas o ministro das Finanças aponta para 2020-2030. De medidas destinadas a resolver a situação de emergência de 2011-2014, passaram a medidas para uma geração ou duas. Qualquer pessoa que tenha uma mínima ideia do que é uma democracia percebe que isto é errado, ilusório, mágico, milagroso, ou melhor ainda, um completo disparate. […]»

José Pacheco Pereira
Pior do que há dois anos – primeiro acto
PÚBLICO, 04.Maio.2013 (p.52)

Pedir um termo de responsabilidade às crianças?!


As escolas estão a receber orientações para obrigar os alunos do 4.º ano a assinarem um "termo de responsabilidade" onde se comprometem a não utilizar telemóveis nos exames.

O MEC explicou que a declaração está prevista nas normas de realização dos exames do ensino básico, e quem for detectado com um telemóvel, terá a prova anulada pelo director da escola, o que poderá ditar a retenção do aluno nesse ano de escolaridade. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

25 de Abril sempre

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«No passado dia 24 de Abril os alunos da Escola Básica e as crianças do Pré-Escolar do Vimeiro comemoraram a Revolução dos Cravos, no Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro.

Os alunos puderam ver um PowerPoint realizado pela educadora Helena Martinho, que nos honrou com uma contextualização da revolução, assim como o seu testemunho, dado que, em 1974, tinha 10 anos e lembra-se da agitação do memorável dia.

Os alunos também viram uma curta-metragem, filmada durante a Revolução dos Cravos. Conheceram Zeca Afonso, a partir das suas músicas, as quais foram usadas como senhas na revolução.

Tivemos a sorte de os avós da Salomé, criança do Pré-Escolar, terem vindo dar o seu testemunho, pois estavam a morar em Lisboa na altura e, contrariamente às ordens dadas pelos militares naquele dia, saíram à rua e também os seus corações batiam pela ansiada liberdade.

No final das atividades, a Junta de Freguesia presenteou a todos com uns belos cravos vermelhos.

A frase “25 de abril sempre" foi gritada pelos alunos aos quatro ventos, desde o Centro de Interpretação até à Escola. Um dia inesquecível.»

Filipa Alexandre
http://moodle.aedlv.org/ (01.Maio.2013)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ai Silvina, ai Silvininha

Ai Silvina, Silvininha 
é um inédito de Alain Oulman
com poema de António Gedeão
cantado por Camané - “O Melhor / 1995-2013”




Lindos olhos tem Silvina,
lindas mãos Silvina tem,
e a cintura de Silvina
é fina como o azevém.
Em Silvina tudo exala
um cheiro de coisa fina,
mas o que a nada se iguala
é a fala de Silvina.

A doce voz de Silvina
é como um colchão de penas,
é um fio de glicerina,
um vapor de águas serenas.

― Porque não cantas, Silvina?
Se a tua voz é tão doce
talvez cantada que fosse
mais doce que a glicerina.
Porque não cantas, Silvina?

― Não me apetece cantar
e muito menos para ti.
Eu sou nova, tu és velho,
já não és homem para mim.

― Não me tentes, Silvininha,
que eu já não te olho a direito.
Sou como um ladrão escondido
na azinhaga do teu peito.

― A azinhaga do meu peito
corre entre duas colinas.
O ladrão do meu amor
tem pé leve e pernas finas.

― Canta, canta, Silvininha,
uma canção só para mim.
Dar-te-ei um lençol de estrelas,
uma enxerga de alecrim.

― Deixa o teu corpo estendido
à terra que o há-de comer.
A tua cama é de pinho,
teus lençóis de entristecer.


― Canta, canta, Silvininha,
como se fosse para mim.
Dar-te-ei um escorpião de oiro
com um aguilhão de marfim.

― Não quero o teu escorpião,
nem de ouro nem de prata.
Quero o meu amor trigueiro
que é firme e não se desata.


― Pois não cantes, Silvininha,
se é essa a tua vontade.
Canto eu, mesmo assim velho,
que o cantar não tem idade.

Hás-de tu ser morta e fria,
cem anos se passarão,
já de ti ninguém se lembra
nem de quem te pôs a mão.

Mas sempre há-de haver quem cante
os versos desta canção:
Ai Silvina, ai Silvininha,
Amor do meu coração.

António Gedeão         
Máquina de fogo / 1961

quarta-feira, 1 de maio de 2013

1.º de Maio (manhã) -- Passeio no meu Bairro

 Alameda D. Afonso Henriques (Lisboa), com Fonte Luminosa ao fundo

 Corrida do 1.º de Maio, Av. Almirante Reis acima

 Tasquinhas e petiscos

 Parque infantil, com torres do IST ao fundo

 Convívio e venda de produtos regionais

Regresso a casa

Dia do Trabalhador


segunda-feira, 29 de abril de 2013

… porque os velhos não querem morrer


«José Cunha Rodrigues, ex-Procurador-Geral da República e ex-Juiz do Tribunal de Justiça da União Europeia, foi entrevistado, a vinte deste mês, por António José Teixeira no programa A Propósito da SIC. 


Nessa entrevista, num determinado momento, para explicar melhor o "pensamento societal" que tomou conta do pensamento colectivo, contou um episódio singelo de que tinha tido conhecimento: uma professora pediu aos seus meninos para dizerem o que, no seu entender, justifica a crise de que toda a gente fala.

Um dos meninos respondeu: "porque os velhos não querem morrer".

O menino, na sua inocência, deu tal resposta como poderia ter dado outra resposta qualquer que pairasse no ar, mas, insinuando-se esta de modo forte, ele não podia deixar de a apreender; depurou-a dos artifícios de que os adultos se socorrem para ficarem sempre bem vistos e verbalizou-a, certamente, num sorriso.

Dizem os psicólogos sociais que uma boa forma de aferir estereótipos é inquirir crianças porque, sem terem aprimorado a filtragem da desejabilidade social, captam-nos e reproduzem-nos na sua forma mais genuína.

Devem, por isso, as suas respostas fazer-nos pensar naquilo que, como adultos, pensamos.»



Post de Helena Damião 
no blogue De Rerum Natura (28.Abril.2013, ver aqui)
(Helena Damião é professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação 
da Universidade de Coimbra). 







Este post fez-me lembrar o impressionante artigo de José Vítor Malheiros “O sonho de Pedro Passos Coelho” publicado no jornal PÚBLICO em 11.Set.2012, que pode ser lido no blogue Versaletes do próprio autor (ver aqui).

domingo, 28 de abril de 2013

Calendário do Programa Comenius (UE)

No âmbito do programa Comenius, que reúne escolas de oito países europeus, foi produzido um calendário para este ano (cf. aqui)
A capa seleccionada baseia-se num objecto virtual da autoria de Teresa Martinho Marques (cf. aqui e aqui).

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Visita da "embaixada" Comenius ao Jardim de Infância do Vimeiro
(30.Janeiro.2013) guiada pela Educadora Helena Martinho

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sempre a descer

«(…) o interesse dos portugueses no comentário de Sócrates tem vindo sempre a descer. O ex-primeiro-ministro estreou-se com 978 mil espectadores e na última semana só teve 489 mil – tornando-se no menos visto dos comentadores.» Semanário SOL, 26.Abril.2013 (p.28)

Estes resultados estão em consonância com o que foi dito aqui: Uma pessoa não muda só porque esteve dois anos em Paris, supostamente a estudar filosofia. A sua “narrativa” é uma velha e conhecida história de autojustificação do interessado. Só converte os já crentes.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

“O dia inicial inteiro e limpo” (Sophia)

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O Adalberto (tio Berto) esteve dois anos na guerra (Guiné). 
Era de lá que enviava aerogramas aos sobrinhos (ver aqui).


Conversa entre o Pe. Alberto e a Isabel
RTP1 - Set.1979
(…) «se não tivesse havido o 25 de Abril, o meu irmão, que tem agora dezoito anos, iria para a guerra». (…)

(cf. aqui)

terça-feira, 23 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O senhor comentador


Quando se soube que José Sócrates iria fazer comentário político na televisão pública, surgiram duas petições de sinal contrário. É compreensível a bipolarização, dado que o ex-líder do PS tem uma personalidade e um passado que despertam reacções de amor-ódio.
Na petição “Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP”, dirigida em particular aos deputados da Assembleia da República e ao presidente da RTP, os cidadãos subscritores diziam, no essencial, que José Sócrates não devia ter qualquer programa numa empresa que é paga com o dinheiro dos contribuintes, os quais estão a sofrer com o resultado da sua gestão danosa enquanto primeiro-ministro.
Por sua vez, na petição “A favor da presença de Sócrates na RTP”, dirigida à Assembleia da República, os cidadãos subscritores entendiam basicamente que o balanço da sua governação depende da avaliação de cada um e que se deve respeitar o princípio do contraditório para defesa quer das opções tomadas quer do bom nome, neste caso face aos ataques do actual Governo para encobrir o seu próprio falhanço.  
Embora inicialmente me sentisse tentado a subscrever a petição “contra”, não a assinei. É que me pareceu completamente inútil dirigi-la aos deputados da Assembleia da República. Aliás, as petições talvez nem tivessem razão de existir se quem teve a responsabilidade do convite o assumisse e explicasse oportunamente. Entretanto, o presidente da RTP já veio dizer que o programa é “serviço público” e susceptível de melhorar as audiências… Ficámos esclarecidos.   
Antecipei que o programa de José Sócrates não me iria trazer nada de novo. Isso mesmo confirmei na entrevista dada à RTP1 a 28 de Março, para o que me bastaram apenas os primeiros quinze minutos. Uma pessoa não muda só porque esteve dois anos em Paris, supostamente a estudar filosofia. A sua “narrativa” é uma velha e conhecida história de autojustificação do interessado. Só converte os já crentes.
Vem a propósito recordar uma passagem do artigo “O tempo de Sócrates acabou”, da autoria de Esther Mucznik, aparecido no PÚBLICO em 19.Maio.2011: «Muito se tem falado sobre o “profissionalismo” de Sócrates, do seu virtuosismo mediático, de conseguir falar apenas do que lhe interessa, de encostar os adversários à parede, etc., etc. Provavelmente, neste tipo de coisas, será rei. Mas é precisamente o tipo de político de que Portugal não precisa: não precisamos de quem negue e mascare a realidade em permanência, de quem escamoteie as suas responsabilidades, de quem seja um ás na culpabilização dos outros. Pode haver quem considere esta actuação como o expoente máximo da sabedoria política. Eu vejo-a como um miserável manobrismo de um homem cujo ego lhe subiu tanto à cabeça que deixou de ver o país.»

Nota - Texto escrito em 05.Abril.2013 para uma finalidade que não chegou a concretizar-se.

A caminho da missa do 7.º dia?

PÚBLICO / Bartoon
17.Abril.2013


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sábado, 13 de abril de 2013

Nevoeiro de Abril

Hoje a manhã acordou assim em Lisboa. 
Ai esta Primavera portuguesa que tarda tanto em chegar!...

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Corações entrelaçados

Antes de regressar a Bruxelas, a nossa neta Inês 
deixou-nos esta composição ternurenta...

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Ninho de melros no Largo do Leão...

... antes e depois de um dos pais vir alimentar os filhotes.
(Falta-me uma máquina com um zoom óptico digno desse nome, como aqui)

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Quem porfia sempre alcança

Meu artigo publicado hoje no semanário O MIRANTE
(cf. http://www.omirante.pt/ e aqui)

Em geral os governantes não são completamente indiferentes ao que os órgãos de comunicação social dizem de certas reivindicações. Como assunto não publicado, é assunto que “não existe”, importa publicitar convictamente a causa em que se acredita.
O Laboratório Nuclear de Sacavém passou por uma situação de indefinição particularmente delicada a partir de Novembro de 1992, quando se teve conhecimento da decisão do ministro Mira Amaral de o excluir da estrutura orgânica do Ministério da Indústria e Energia. A ideia era, segundo a versão oficial, “promover o estudo da viabilidade de constituição de um consórcio com as universidades (…) para enquadrar as actividades do Laboratório que não fossem extintas”. Esta “conversa” ambígua e ameaçadora deixava no ar as maiores incertezas. 

A publicação de um artigo num jornal nacional de referência parecia uma iniciativa adequada para denunciar o risco de desmantelamento de um complexo laboratorial bem apetrechado, com prestígio científico nacional e internacional, e o único existente no país com alguma capacidade de resposta global no domínio nuclear. 
  
Com um escrito nas mãos, fui à redacção do semanário EXPRESSO. Disse ao que ia, e esclareceram-me: “Esse assunto é com o senhor Coimbra, mas ele não está. Se quiser esperar…”. Ao fim de algum tempo, chegou o tão aguardado interlocutor. Resumi-lhe o que se estava a passar com o Laboratório de Sacavém. Ele leu o que eu escrevera e disse-me: “Nós publicamos isto”. Era um bom ponto de partida… E assim, em 19 de Dezembro, o EXPRESSO publicava o texto “A nossa opção nuclear” como artigo de opinião. [Diga-se que, depois desse encontro, algumas vezes mais estive com o “senhor Coimbra” – José Henriques Coimbra (1937-2009) – a cuja memória rendo aqui homenagem.]    
Em Fevereiro de 1993, após contacto telefónico com o jornalista José Vítor Malheiros, que também não conhecia pessoalmente, o jornal PÚBLICO aderiu à causa e publicou o artigo “Investigação, visão de Estado e o futuro do ICEN”. Duas semanas antes, O MIRANTE havia publicado já o artigo “Investigação, que futuro?”, com a cumplicidade de Joaquim António Emídio.
Com a divulgação destes artigos, acreditámos que a batalha dos jornais estaria ganha, dado que fora levada à opinião pública a voz dos que estavam genuinamente preocupados com o futuro de uma instituição ímpar em Portugal.  

A defesa do Laboratório de Sacavém feita nos jornais e as diversas acções de sensibilização realizadas por colegas meus junto de personalidades do meio científico e académico, acabaram por alterar o cenário inicial de incerteza. Por fim, em Dezembro de 1994, após dois anos de indefinição, era aprovada a lei orgânica do Instituto Tecnológico e Nuclear, acertadamente mantido na íntegra e como instituição autónoma. Quem porfia...
   

terça-feira, 9 de abril de 2013

Uma roda bem rodada...

A minha neta Inês (8 anos) fazendo ginástica na praia do Meco 
fotografada pelo tio-geólogo Fernando Ornelas Marques

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domingo, 7 de abril de 2013

Há 50 anos... em Paris



Completam-se hoje precisamente 50 anos desde que estes retratos foram feitos na Place du Tertre (junto ao Sacré-Coeur), aquando da nossa estadia em Paris (cf. aqui). Clicar para ampliar.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Em quem se pode confiar?

Meu artigo publicado hoje no semanário O MIRANTE 
(ver http://www.omirante.pt/ e aqui)

Face ao que nos é dado observar desde há oito anos na área da Educação, compreende-se que a classe docente tenda a confiar cada vez menos nos dirigentes do Ministério. No consulado de Maria de Lurdes Rodrigues (2005-2009) começou o desatino da desconsideração dos professores e da instabilidade no sistema educativo. O desagrado atingiu o seu clímax em Março de 2008, expresso numa Marcha da Indignação que levou 100 mil professores à rua.

Quando Nuno Crato chegou ao ministério da Educação, houve pessoas que saudaram a sua nomeação, crentes de que haveria uma alteração de política e uma mudança de atitude para com os professores, dadas as críticas que o próprio tinha feito no tempo do anterior executivo. Com o passar dos meses começou a perceber-se que não havia razões para tanta expectativa.

No momento presente, com a novidade de os professores do quadro sem componente lectiva (horário zero) passarem a ser abrangidos pela mobilidade especial – com o salário reduzido a metade e despedimento ao fim de dois anos neste regime –, volta a colocar-se a questão da confiança dos professores no Ministério que os tutela. É que, ao longo de 2012, o ministro Nuno Crato garantiu repetidas vezes que tal não aconteceria. Também o secretário de Estado Casanova Almeida em Setembro, na Assembleia da República, garantiu o mesmo, mas agora veio dar o dito por não dito com uma espécie de graçola: Como a mudança de regime só se aplica no próximo ano lectivo, o compromisso foi cumprido! Salvo melhor opinião, isto é um argumento do tipo chico-esperto que não fica bem a um membro do Governo.

Esta situação – que pode atirar ainda mais professores para o desemprego – a par de outras medidas que vão no mesmo sentido (criação de monstruosos agrupamentos escolares, “rescisões amigáveis” com funcionários públicos dos escalões mais baixos, etc.), poderia ser assumida honestamente como uma “contribuição” do ministério da Educação para os cortes (as ditas poupanças…) em perspectiva. Mas não, são invocados argumentos mais ou menos ardilosos para tudo explicar em nome de objectivos que não são os reais.

The International Herald Tribune publicou em 20 de Março último um artigo de Jonathan Blitzer que, dando o mote, começa assim: «A política de Educação não é o ponto forte do Governo Português». A terminar, o jornal reproduz uma afirmação esclarecedora de um dirigente de uma escola de Lisboa: «O ministério encarregado da Educação em Portugal é, na verdade, o Ministério das Finanças». Ou seja: a troika manda, as Finanças obedecem e os da Educação executam, quais ajudantes que prescindem de convicções, entendendo porventura que a coerência não é uma bandeira de virtudes.

Ilustração: © Antero Valério

quarta-feira, 3 de abril de 2013