domingo, 11 de dezembro de 2011

Como surgiu a Sociedade Portuguesa de Física

Registo aqui os passos essenciais que conduziram à formação da Sociedade Portuguesa de Física (SPF). Participei activamente nesse trabalho, enquanto membro da Comissão SPF (também designada por Comissão pró-SPF e Comissão organizadora da SPF), desde o início de 1971 até 25 de Janeiro de 1975, data em que se reuniu pela primeira vez a Assembleia Geral da SPF.

 ***
Relato da Comissão SPF apresentado na 1.ª Assembleia Geral da SPF

1. Na sessão de 15.Fevereiro.1971 do Núcleo de Física de Lisboa da Sociedade Portuguesa de Química e Física (SPQF), foi decidido, por unanimidade, criar uma comissão destinada a efectuar um inquérito tendo em vista auscultar a opinião dos físicos portugueses (sócios ou não da SPQF) relativamente ao interesse com que veriam:
a) A criação de uma Sociedade Portuguesa de Física; ou
b) O fortalecimento dos Núcleos de Física da SPQF.

2. Em face dos resultados do inquérito referido (155 respostas recebidas até 12.Março.1971 das quais 130 favoráveis à criação de uma SPF), o Núcleo de Física de Lisboa decidiu, em 19.Março.1971:
a) Pedir a convocação da Assembleia Geral da SPQF para se pronunciar sobre a cisão da Sociedade em duas outras (a de Física e a de Química);
b) Continuar o inquérito (2.ª fase).

3. O pedido de convocação da Assembleia Geral de SPQF foi feito em 19.Abril.1971 ao abrigo do § único do Art.º 16.º dos Estatutos da SPQF (requerimento de 20 sócios). A Assembleia foi convocada, em 24.Maio.1971, para reunir a 04.Junho.1971 com a seguinte ordem de trabalhos:
a) Apreciar os resultados do inquérito realizado pelo Núcleo de Física de Lisboa da SPQF;
b) Discutir e eventualmente aprovar a cisão da SPQF em duas sociedades, a SPF e a SPQ.

4. À hora a que deveria reunir a Assembleia Geral em 2.ª convocação, verificava-se a ausência do Presidente da Mesa, Prof. Dr. António Jorge Andrade de Gouveia, estando presentes o 1.º e o 2.º Secretários da mesma Mesa. O 1.º Secretário, Prof. Dr. Alberto Ralha, que, nos termos do Estatuto, deveria assumir a Presidência da Mesa, deu a conhecer a impossibilidade de a AG reunir visto não ter sido cumprido o disposto no Art.º 18.º dos Estatutos (convocação com 15 dias de antecedência).

5. A 13.Julho.1971 reuniu finalmente, no anfiteatro de Química da Faculdade de Ciências de Lisboa, a Assembleia Geral extraordinária da SPQF, na qual, foi decidida por unanimidade "a cisão da SPQF em duas sociedades: a SPQ e a SPF". Foi também decidido que:
a) A SPQF fosse convertida na SPQ;
b) As acções dos químicos para converter a SPQF em SPQ e dos físicos para criar a SPF fossem desenvolvidas simultaneamente;
c) Os projectos de estatutos das futuras Sociedades fossem obtidos por simples adaptação dos Estatutos da SPQF.

Da execução das decisões da AG foram encarregados o secretário-geral da SPQF, Professor Doutor Kurt Jakobson, e os membros da "comissão organizadora da SPF" constituída com base na comissão que realizara o inquérito aos físicos portugueses:
Augusto Barroso (FCiências-UL)
Eduardo Martinho (JENuclear)
Filipe Duarte Santos (JENuclear)
Jaime da Costa Oliveira (JENuclear)
João Maia de Quininha (FCiências-UL).


6. Nos meses de Maio a Julho de 1971, o Diário de Lisboa publicou, no suplemento Mesa Redonda, respostas a um inquérito sobre o interesse e possíveis formas de actuação de uma SPF, produzidas por: Prof. Dr. José Gomes Ferreira (FCL), Eng.º Frederico Gama Carvalho (JEN), Dr. Rómulo de Carvalho (Liceu Pedro Nunes), Prof. Dr. Luís Alte da Veiga (Fac. de Ciências de Coimbra), Prof. Dr. João António Menezes Bessa Sousa e José Ferreira da Silva (Fac. de Ciências do Porto) e Prof. Dr. António Brotas (Instituto Superior Técnico).

7. Em 27.Março.1972, foram enviados a cada um dos interessados na criação da SPF (num total de 205, segundo os resultados do inquérito obtidos até 31.Maio.1971) uma cópia do projecto dos Estudos da SPF e um boletim de inscrição de sócio fundador da Sociedade. Em 02.Junho.1972 enviou-se novo boletim de inscrição aos colegas que não responderam à missiva de 27.Março.1972.

8. O requerimento de constituição da SPF (juntamente com o projecto de Estatutos) e o pedido de autorização para mudar a designação da SPQF em SPQ foram entregues na Direcção-Geral dos Assuntos Culturais do ex-Ministério da Educação Nacional em 26.Maio.1973.

9. A constituição da SPF foi autorizada por despacho do Secretário de Estado da Instrução e Cultura de 30.Outubro.1973, tendo os respectivos estatutos sido aprovados, após introdução de algumas alterações sugeridas pelo ex-MEN em relação ao projecto inicial.

10. A escritura de constituição da Sociedade foi celebrada no 10.º cartório notarial de Lisboa em 19.Abril.1974. 
Sócios fundadores que constam da escritura notarial: 
–  Cândido Marciano da Silva
–  João Tavares Maia de Quininha
–  António Manuel Patrício Comprido 
  Eduardo João Cardoso Martinho
–  Jaime Manuel da Costa Oliveira
–  Rui Manuel Vassalo Namorado Rosa
–  Frederico José da Silva da Gama Carvalho
–  Maria da Conceição Abreu e Silva
–  Filipe Duarte Branco da Silva Santos



11. Durante o mês de Novembro de 1974, a Comissão Organizadora da SPF recebeu uma única lista de candidatos para os seguintes cargos: mesa da assembleia geral, secretário-geral, secretário-geral adjunto, tesoureiro e conselho fiscal.

12. A Assembleia Geral da SPF foi convocada em 21.Dezembro.1974 para a sua primeira sessão de trabalho que hoje (25.Janeiro.1975) se realiza no anfiteatro do Departamento de Física da Universidade de Coimbra, com a seguinte ordem de trabalhos:
a) Relato de actividade da Comissão SPF;
b) Eleição da mesa da assembleia geral da SPF, do secretário-geral, do secretário-geral adjunto, do tesoureiro e do conselho fiscal;
c) Comunicações livres;
d) Linhas de acção futuras.


Os 222 sócios fundadores vão, por certo, proporcionar aos órgãos directivos da SPF o apoio indispensável para que possam conduzir os destinos da Sociedade no sentido do progresso do ensino, da investigação e das aplicações da Física em Portugal e realizar um intercâmbio eficiente entre os físicos nacionais e estrangeiros.
São os últimos votos da
Comissão SPF


Para memória futura, assinale-se que na acta da referida Assembleia Geral consta o seguinte: 
António Manuel Baptista propôs um voto de louvor à Comissão pró-SPF pela boa conclusão dos seus trabalhos e pelo interesse e dedicação dos seus membros. Este voto de louvor foi aprovado por aclamação.


Nota final
Para o sucesso dos primeiros passos que conduziram à formação da Sociedade Portuguesa de Física, nomeadamente entre 1971 e 1975, muito contribuiu o apoio logístico proporcionado pelo Laboratório de Física e Engenharia Nucleares (Sacavém), instituição a que é devido um agradecimento especial na pessoa do seu director-geral, doutor Carlos Cacho, que apoiou incondicionalmente o trabalho da Comissão SPF.


 Três anos depois da 1.ª Assembleia Geral da SPF realizou-se a primeira grande reunião de
Físicos em Portugal, que decorreu nas instalações da Fundação Calouste Gulbenkian.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

José Cid, meu conterrâneo

José Cid, nome artístico de José Albano Salter Cid de Ferreira Tavares, nascido na Chamusca em 4 de Fevereiro de 1942, é um [muito conhecido] músico português.
Terceiro filho de Francisco Albano Coutinho Ferreira Tavares e de Fernanda Salter Cid Freire Gameiro, mudou-se com os pais para Mogofores, perto de Anadia, aos onze anos.
Iniciou a sua carreira musical em 1956, com a fundação de “Os Babies”, agrupamento musical que se dedicava à interpretação de covers. Em 1960 criou em Coimbra o Conjunto Orfeão, com José Niza [meu distinto colega de estudo em Santarém, recentemente falecido], Proença de Carvalho e Rui Ressurreição. (...) Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Cid.

José Cid é um conterrâneo meu, que muito aprecio por razões diversas. Acontece que na minha meninice convivi com José Cid, porque brinquei muito em casa de seus pais e sou afilhado de baptismo da sua irmã mais velha, Maria de São João (por isso mesmo me chamo Eduardo João).
Esta introdução é uma espécie de declaração de interesses antes do que se segue, que é uma carta que dirigi ao jornal O MIRANTE em Junho de 2009.

Site de José Cid: http://www.josecid.com

 José Cid (Lisboa - Campo Pequeno, 2009)  +  José Cid entre mim e a Celeste (1944)

Uma rua da Chamusca com o nome José Cid
A Câmara Municipal da Chamusca homenageou recentemente, e bem, três distintos chamusquenses [um dos quais vivo] com o descerramento de placas toponímicas em ruas da vila.
Tendo presente esta efeméride, afigura-se-me oportuno e justo referir aqui o nome de José Cid, que ama a sua terra e lhe tem dado uma visibilidade ímpar. Recordo que este ilustre chamusquense recebeu em Maio o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores. Segundo a SPA, o prémio atribuído a José Cid «distingue mais de quatro décadas de intensa e ininterrupta actividade criadora, como compositor-autor, de um dos mais populares nomes de sempre da música portuguesa, triunfador de vários festivais em Portugal e no estrangeiro e autor de alguns dos maiores êxitos musicais das últimas décadas».

Carta publicada no jornal O MIRANTE, 25.Junho.2009

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Estadia em Paris e... a Avenida das Tílias

Depois de ter sido admitido no Laboratório Nuclear de Sacavém em 1961, fui enviado para França em 1962 para completar os estudos em Física e Engenharia de Reactores Nucleares, tendo regressado em 1965. Foi assim que conheci Paris na primeira metade dos anos 60.
Durante esta permanência fui colega de hotel do Prof. Doutor António Marcos Galopim de Carvalho – Galopim para os mais íntimos – que havia sido meu assistente de Geomorfologia na Faculdade de Ciências de Lisboa. Aliás, foi o Galopim que me “puxou” para o Hotel Blanadet (Rue Monge) após uma curta estadia no Hotel Lisbonne (Rue Vaugirard, do lado do boulevard de Saint Michel) – tudo no Quartier Latin ou suas proximidades.

Acontece que, há dias, o Galopim encaminhou um e-mail que recebera com um power-point intitulado “Os Nostálgicos Anos 60” recheado de canções de artistas que então ouvíamos regularmente (Françoise Hardy, Sylvie Vartan, France Gall, Richard Anthony, Bécaud, Adamo e tantos outros).

Dizia o Galopim e a Isabel (sua esposa):
Caros amigos
Recebemos este e-mail e de quem nos lembrámos no imediato? Do casal Eduardo - Piedade!, das inúmeras vezes que estas canções foram entoadas e dos bons momentos que a elas estiveram associados. Bons tempos, de que restam saudades sem fim.
Um abraço bem apertado, esperando que se deliciem tanto quanto nós ao tornar a ouvir o que nunca foi esquecido.
Isabel e Galopim

E aí pensei: É desta vez que vou escrever um post sobre a estadia em Paris!
Mas… pensando melhor: Escrever para quê? O Galopim já o fez tão bem em livro! Basta copiar a “Avenida das Tílias”: está lá quase tudo o que eu poderia dizer para tipificar o ambiente geral em que vivíamos… E foi o que fiz. Apreciem a escrita colorida do Galopim. 


«Avenida das Tílias
Como disse atrás, França ainda era para nós, neste começo dos anos 60, o destino da maioria dos nossos jovens em início de carreira docente e/ou científica, a fim de aí estagiarem com os mais conceituados mestres. Essencialmente francófonos, tínhamos, com as conceituadas instituições francesas, grande proximidade e um relacionamento vindo do último quartel do século XIX. Nas estantes das nossas bibliotecas dominavam os livros escritos em francês. Nem todos os estudiosos liam o inglês com a eficácia desejável, como acontece nos dias de hoje, e eram raros aqueles que se serviam dos livros alemães, não obstante a qualidade das obras escritas nas duas línguas e o prestígio dos respectivos autores e dos laboratórios e universidades nos quais exerciam as suas actividades.

Estagiar em França fora a principal opção dos docentes e investigadores de diversos domínios científicos que me antecederam e, ao chegar a minha vez de alargar os horizontes do conhecimento, foi para França que me mandaram. O boom da investigação científica no pós-guerra, à escala mundial, com relevo para os Estados Unidos da América, e a globalização da língua inglesa, quase puseram fim a esta nossa dependência do saber francófono. Como um dos derradeiros representantes de uma classe de bolseiros na terre des gaulois, ali estava eu num pequeno hotel, na Cidade das Luzes, a cerca de um quarto de hora, a pé, do Museum.

Naquele ano de 1962, fui o primeiro de uma série de portugueses, a cumprirem estágios científicos em Paris, que, por meu intermédio, fixaram residência neste mesmo hotel. Recomendado por um amigo, jornalista de profissão, fui responsável por uma vaga de admissões de colegas, na maioria geólogos. De início instalados num qualquer andar, Mlle. Bruel ia-os encaminhado para o último, à medida que aí vagava um quarto ou um apartamento. Assim, o 6.º andar, por nós baptizado como Avenida das Tílias, passou a ser uma muito unida comunidade lusíada, com um americano encravado e bem aceite no seu seio. Bill McLean, texano, estudante de sociologia, a preparar uma tese de doutoramento sobre os graƒƒittis de Paris, foi um agradável companheiro nesses anos. Sozinho, cozinhava, tratava da sua roupa e do arrumo do seu apartamento que, como diria a minha mãe, era um brinquinho. Muito crítico da sociedade americana e um tanto ingénuo, fora casado com uma alemã de quem se separara porque, como ele próprio afirmava, num certo tom malicioso,
- Elles [as alemãs] ne savent pas ƒaire l’amour.

Este nosso amigo corria os bairros urbanos e suburbanos da cidade, a fotografar escritos, pinturas, desenhos e outros riscos nas paredes e onde quer que os descobrisse. Entrava em tudo o que eram instalações sanitárias de cafés, restaurantes, escolas, universidades e quartéis, em busca de todos os elementos que servissem o seu objectivo. No apartamento convertia todos esses elementos em fichas que sistematizava por temas sociais, políticos, escolares, de caserna, pornográficos, etc. Com o regresso a Portugal perdi-lhe o rasto, mas, anos mais tarde, ao consultar um catálogo de uma livraria francesa, tive a alegria de ver o seu nome como autor de um volumoso estudo – a sua dissertação – sobre os graffittis de Paris.
No período da minha estadia, viviam sete portugueses no último andar do Blanadet, todos com varanda para a rua, e, ainda, o nosso amigo texano, nas traseiras, com uma óptima vista para as arènes de Lutèce. Da comunidade lusa apenas dois casais dispunham de apartamento com sala e mesa suficientemente amplas, para as confraternizações que fazíamos, e uma pequena cozinha. Para serem T1 só lhes faltava a casa de banho privativa, coisa que não havia em nenhum dos andares. Havia, sim, um WC colectivo, no corredor, e uma casa de banho, propriamente dita, com chuveiro, no 3.º andar. Para tomar um duche, o cliente pedia a chave na recepção e pagava a quantia estipulada. Para obviar a esta deficiência muito francesa, os quartos e apartamentos tinham lavatório com água quente e fria e um bidé.

Um desses dois apartamentos mais amplos era nosso. O outro era o dos Martinho. De vez em quando, aos domingos, num ou noutro, reuníamo-nos todos em portuguesíssimos almoços, prolongados e ruidosos, contando e ouvindo episódios do dia-a-dia de cada um de nós, ávidos de falar a própria língua, ao fim de uma semana de francofonia e de restaurante universitário em self-service. Nessa altura, em que o franco francês rondava os seis escudos (o preço de um litro de gasolina), comprava-se no talho um coelho médio por sete a oito francos, com a curiosa particularidade de a metade dianteira, o devant de lapin, quase sempre rejeitado pela clientela mais desafogada, ser vendida aos clientes de menores posses por apenas um franco. O dèrrière, ou seja, os quartos traseiros, bem mais caro, ficava pelos restantes seis ou sete. Com as cabeças, as mãos, os peitos e as fressuras de três ou quatro coelhos comia-se, no dizer de todos, o melhor arroz do dito, um pouco ao jeito do sabor da cabidela perfumada com cominhos.

Galopim, Isabel, Miguel Ramos, Piedade e Martinho

- Este manjar devia ser comido de joelhos, acompanhado de louvores à Natureza e à arte culinária, e sempre regado por um bom tinto du Rhône – afirmava o Miguel Ramos, um saudoso e alegre amigo, prematuramente desaparecido, a chupar à mão, uma a uma, as finas costelinhas do animal.

As nossas confraternizações prolongavam-se tarde fora, de mistura com muita conversa e animação que crescia na razão inversa do nível do líquido nas respectivas bouteilles. Muitas destas conversas visavam histórias decorrentes da nossa condição de irmãos dos imigrantes que enxameavam os bairros mais pobres dos arredores de Paris e ali asseguravam as tarefas profissionais menos qualificadas, que os franceses rejeitavam, à semelhança do que hoje aqui se passa com os milhares de africanos que tão mal tratamos, já esquecidos da experiência dolorosa que tivemos por essa Europa rica.
Uma outra causa de uma certa menorização, de que éramos alvo, residia na nossa condição de naturais de um país sem prestígio internacional, conduzido por um ditadorzinho a que nós, ovelhas submissas, não tínhamos artes de pôr fim. Os ventos da descolonização de África sopravam fortes e Salazar e sua política, de um Portugal uno e indivisível, ao arrepio desses ventos, eram causa de uma antipatia e de uma hostilidade que acabava por se reflectir em nós. Foi este o pano de fundo da nossa vivência parisiense, o que não quer dizer que não tivéssemos, todos nós, tido relações de amizade e de trabalho que apertaram laços para a vida.»

Et c'est tout...

domingo, 4 de dezembro de 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um mergulho inesperado


Quando no Verão nos juntamos na praia de Santa Cruz, os meus netos mais novos (Hugo, João Guilherme e Inês) costumam desafiar-me para ir à pesca com eles na zona das rochas em frente da Meia-Laranja. E aí vamos nós com o camaroeiro e os baldes, na expectativa de apanharmos alguns cabrozes (que depois devolvemos ao mar, diga-se).
Este ano a “coisa” correu menos bem... Ao tentar apanhar um peixe grandinho, com a excitação escorregou-me um pé nos limos e enfiei-me desamparadamente (caindo de costas!) numa poça com 1 metro de profundidade. Lá me levantei como pude, mas sem largar o camaroeiro com o cabroz. Quando o viu, o João entusiasmado gritou para os primos: “Peixe! Peixe!”… enquanto a água que me encharcava a roupa escorria por mim abaixo…
Eis o que justificou a oferta que me foi feita pelo João (com a cumplicidade da Mãe) no dia do meu aniversário: uma T-shirt recordando um mergulho inesperado, com os dizeres: Já fui atleta olímpico… e ainda faço mortal à rectaguarda! (com c e tudo!).