segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O meu Bairro -- Minimercado Pérola dos Açores

Na Rua Ponta Delgada, a uma escassa centena de metros de nossa casa, está localizado o minimercado Pérola dos Açores. É lá que fazemos as nossas compras do dia-a-dia, porque não gostamos de frequentar as grandes superfícies. Quando começámos a morar em Lisboa, há quase 40 anos, o proprietário da Pérola dos Açores era o Senhor Manuel, um homem sereno e prestável.


Agora o minimercado é explorado pelo Hélder e pela Mina, sua esposa, desde há muitos anos. Casal extremamente simpático, o Hélder e a Mina conseguiram naturalmente criar um ambiente amigo de proximidade e boa vizinhança que atrai os clientes. É este acolhimento personalizado, marcado por uma grande disponibilidade, que faz a diferença e a beleza do comércio local. Aí se encontram e conversam muitos vizinhos. Além de conversarem, às vezes “confessam-se”… e a ajuda não falta!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Na Rota da Terra Branca - CHAMUSCA

O Centro Regional de Artesanato anima-se. A Câmara Municipal da Chamusca oferece um “Abafado de Honra” aos participantes na apresentação de um Livro de co-autoria de um Chamusquense. E depois da energia nuclear, radioactividade e histórias de cientistas que trabalharam a dobrar para saborear metade do conteúdo de garrafas de vinhos afamados, à procura do trítio, e de outros que descobriram que o vinho estava falsificado por ser pouco radioactivo, a conversa acerejou-se divergindo ao sabor do acaso, para, no final, se ajeitar uma Caminhada à Chamusca.


A Chamusca espraia-se ao longo da Estrada Nacional 118. É uma das últimas vilas ribatejanas, da borda-de-água, que mantém as características urbanísticas da região e que ainda não sofreu a pressão demolidora de um forte movimento demográfico. Porém, é notório, mesmo ao visitante mais descuidado, que tem havido um trabalho constante de melhoramento das condições de vida, acompanhado de preservação da identidade cultural. É uma vila limpa.


A vila nasceu ao longo da estrada. Na rua principal situavam-se os prédios dos moradores mais abastados; mais para o interior, acotovelavam-se as gentes das classes médias, relegando para os outeiros que cercavam a vila, as casas mais modestas do povo humilde. E quem pense que a morte iguala os homens, visite o cemitério da vila, onde encontrará reposta a mesma ordem social em tudo semelhante à terra dos vivos. Ali, na rua principal, os mausoléus dos poderosos, enquadrados pelas campas rasas, com direito a lápide perpetuadora de um nome que não quer ser esquecido; ao fundo, o chão liso, sepultura incógnita, à espera da vala comum.


Num prédio contíguo aos Paços do Concelho viveu, em meados do séc. XIX, o político Setembrista, Passos Manuel, dedicando-se à agricultura em propriedades, que, entretanto, havia adquirido. Também, por essas alturas, permaneceu algum tempo exilado na Chamusca o Infante Carlos de Bourbon, pretendente carlista e absolutista ao trono espanhol.

O relógio batia as 9H30, hora marcada para o encontro no Largo 25 de Abril. O dia estava convidativo para a prospecção. Éramos muitos, pois o pessoal do ITN também quer efectuar esta caminhada: o João Carranca, o José Salgado, o António Falcão, o Rui Silva, o Eduardo Martinho, a Márcia Vilarigues do ITN e o João Calado, genro do segundo nomeado.

Atravessada a Rua Direita (estrada nacional), cortou-se a 1.ª à direita e a primeira paragem é em frente do Poiso do Besouro e vem, à memória de alguns mais felizardos, o belo almoço, num outro sábado: petinga frita, moleja (sarrabulho), bacalhau assado com couves a soco… Se um dia por aqui passarem, numa visita sem tempo marcado, aconselho a prova.


Paredes-meias, encontra-se um antigo Lagar, inactivo e agora recuperado pela Câmara Municipal como um Centro de Arqueologia Industrial. Ainda aqui voltaremos mais tarde. Chegamos agora ao Largo da Srª das Dores. Em nossa frente a Igreja de Nª Srª da Piedade e das Sete Dores! Seguindo pela Rua Eng. José Belard da Fonseca atingimos o Dique que protege a vila e os campos ribeirinhos das enchentes do Tejo. Daqui, a vila, qual presépio, empina-se pelos montes fronteiriços.


Barcos no Porto das Mulheres
Vamos até à beira de água, ao Porto das Mulheres, nome que abre a imaginação do viajante às mais diversas suposições. Em tempos idos, morada de avieiros e barcos de água-a-cima que sulcavam o rio de Lisboa até Abrantes. Levavam carvão, cortiça, vinho e outros produtos regionais; traziam o sal e outros mantimentos.


"Olhem que a estrada deve estar ainda cortada! Foi muita água!"
Aqui encontramos o Sr. Joaquim, sorridente e colaborante: “Olhem que a estrada deve estar ainda cortada! Foi muita a água!” E os campos estão alagados. Atravessa-se um pomar de laranjeiras. É um desolo, as laranjas apodrecidas, rebentam sob os nossos pés.

Entra-se outra vez na vila pela Rua José Luciano de Castro, Travessa da Batoca, direito ao Largo da Misericórdia, onde se ergue a Igreja da Misericórdia, templo do séc. XVII.

Igreja Matriz + Largo da Igreja da Misericórdia + Convento de S. Francisco
A próxima paragem é no Convento de S. Francisco, construído em meados do séc. XVIII e desafectado do culto católico a seguir à implantação da República, é hoje um centro de congressos e onde se assistirá a uma apresentação do Concelho.


Ermida de Nossa Senhora do Pranto

Sobe-se depois até à Ermida de Nª Srª do Pranto. Construção de traços simples, caiada de branco, com listas azuis e recheada de azulejos do séc. XVIII. À esquerda do altar, um painel representa a circuncisão do Menino Jesus e a mãe, ajoelhada, lança uma lágrima furtiva, condoída do sofrimento que a origem judaica impõe ao seu filho, mal sonhando o martírio para que ele estava fadado. À direita, outro quadro mostra o jovem Jesus, sentado num trono erguido entre os doutores, mais resplandecente que todos eles. Mas se o interior é interessante, o largo fronteiriço abre-se sobre a vila a nossos pés e prolonga-se sobre a vastidão da lezíria, correndo ao fundo o Tejo. Lá está a Golegã, depois o Entroncamento, mais ao fundo Torres Novas e, há quem diga que em dias claros se avista Abrantes.


Miradouro do Pranto de onde se avista toda a vila

É um bom mirante subir ao depósito da água - obra de 1938 do chamado Estado Novo, que quis perpetuar na legenda tamanha façanha, para que os vindouros pudessem reconhecer a visão de progresso que animava os governantes de então; as vistas são ainda mais largas, abarcando de um lado a lezíria e do outro a charneca ribatejana. No cimo de um monte surge a Ermida do Senhor do Bonfim. Lá chegaremos, com a sua ajuda.


Da Ermida da Senhora do Pranto, repicaram os sinos avisando o povo assustado, refugiado na Igreja da Misericórdia, do Milagre que o Senhor fez num dia chuvoso do Outono de 1807. A história conta-se em poucas palavras. Para espalharem no nosso país o ideal de igualdade, liberdade e fraternidade que o povo francês tinha lançado aos ventos em 1789, o exército de Napoleão invadiu Portugal. Ei-lo, do outro lado do rio, na vizinha Golegã onde praticou as maiores atrocidades. Concentrados nos Outeiros do Pranto e de S. Pedro, os Chamusquenses, aterrados, observavam os acontecimentos, angustiados com o seu futuro próximo: Seguiriam os franceses pela margem direita, na sua caminhada triunfal até Lisboa, abandonada à sua sorte pela Corte, que foi buscar no longínquo Brasil a chegada de melhores dias? Ou atravessariam o rio para saquear mais uma pequena vila indefesa? Abandonados pelo poder dos homens, só lhes restava rogar ao Senhor Deus da Misericórdia! Mas eis que, alegremente, se ouve o sino da Ermida da Nª Srª do Pranto. É que o Tejo, seguramente por intervenção divina, se enchera repentinamente, com uma corrente forte e caudalosa, arrastando consigo as barcas dos soldados. Chamusca estava salva!

Atinge-se o fim da vila, termina a estrada alcatroada e segue-se por um estradão ladeado de tojos e eucaliptos. E é pena, pois a paisagem que se disfruta merecia muito mais, mas, infelizmente, apesar de existir um aterro sanitário no concelho, não falta o lixo abandonado ao longo de todo o percurso. O caminho é fácil, com uma inclinação ligeira. Embrenhamo-nos pela charneca, com terrenos arenosos onde o eucalipto está a roubar espaço ao sobreiro. Já perto da Outeiro da Cabeça Alta, o terreno enruga-se, e numa centena de metros é preciso trepar cerca de quarenta. Mas vale a pena o sacrifício, pois é deslumbrante a paisagem que nos aguarda lá em cima.

Depois do almoço, descemos em direcção à ribeira de Arraiolos e acompanhamos de perto o seu cantar, rolando os seixos do leito. Atravessa-se a ponte construída em 1894, que substituiu uma antiga ponte romana. Por perto existe uma Cova da Moura. Foi certamente uma princesa moura, encantada pelo pai extremoso, emir da região, para a livrar de um saque eminente de um exército cristão pouco cristão e que, no fundo da cova, espera o beijo libertador do seu amado príncipe, que tarda a chegar. Talvez, no princípio, nas noites de verão de lua cheia, acompanhando o sussurro da brisa nocturna, a moura cantasse e chorasse a sua triste sina.

Ponte na zona da Cova da Moura

A ribeira estreita-se, e é altura de saltar para a outra margem e começar a subir para o Senhor do Bonfim. É uma ermida modesta, um pouco degradada. Do seu miradouro, a vista estende-se novamente por sobre a lezíria. No seu interior alguns ex-votos. Foi um local de devoção das mães que viram partir para África os seus filhos durante a guerra colonial. Aqui os vinham encomendar à sua protecção. Apetece descansar um pouco.

 A etapa seguinte é o Parque Municipal, onde se pode visitar uma casa rural tradicional, reconstituição de uma casa camponesa dos anos 30.

Vista do Parque Municipal
Estamos outra vez no Largo 25 de Abril. No outro lado da Estrada Nacional está sediado o Centro Regional de Artesanato, onde se destacam as cerâmicas, os trabalhos em madeira, o restauro de móveis antigos, a cestaria, a tecelagem, os bordados, os ferros forjados, a latoaria, os brinquedos que nos encantavam quando éramos crianças e oficinas onde artesãos mostram o seu trabalho.

A caminhada termina com uma visita a um antigo lagar de azeite, hoje um museu de arqueologia industrial.

Para combater a moda dos McDonald's aqui vai uma receita típica.

José Francisco Salgado


Bacalhau assado com couve a soco
Ingredientes: Bacalhau, couve, batata, pão, alho e azeite.
 Corta-se a couve a soco [Separam-se as couves e dá-se um soco nos talos. Apertam-se as folhas de couve em molho com a mão esquerda - como quem vai cortar caldo verde. Puxam-se as folhas, com um esticão, partindo-as e repete-se a operação até ao fim das folhas.] e coze-se com a batata. No fim da cozedura, coloca-se o pão e escorre-se a água. Se necessário, junta-se mais pão de modo que o preparado fique mais seco. Mexe-se, abre-se um buraco no meio do preparado e coloca-se o azeite e o alho. Deixa-se cozer o azeite, volta-se a mexer e acompanha-se com bacalhau assado.
In: Sabores, A gastronomia no Concelho da Chamusca, Novo Observador, 1999.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Desenhos/presentes natalícios

São dos meus três netos mais novos (Hugo, 9 anos; João, 7 anos; e Inês, 7 anos)
os desenhos que se seguem.

Hugo Martinho Chaves

Inês Martinho Chaves

João Guilherme Martinho Quintas

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

“Retrato de grupo com o país ao fundo”

«Um acidente de automóvel numa estrada qualquer. Um despiste, o carro caído na valeta. A televisão mostra o carro acidentado, o carro da polícia, a ambulância, a curva da estrada, os bombeiros, entrevista o polícia, o bombeiro, o condutor que ia a passar, a senhora que ouviu o barulho, o homem que viu uma pessoa a sair do carro, a câmara mostra vidros no chão, a casca arrancada da árvore, a vedação destruída, a mancha de sangue se houver. O repórter faz o directo indirecto: “Foi aqui que, há precisamente seis horas…” Foi pena não ter sido preciso desencarcerar ninguém, porque se a equipa de reportagem tivesse chegado seis horas antes e tivesse filmado o desencarceramento isso é que era televisão, mas pronto. Mudança de plano para o parque de estacionamento do hospital onde uma médica fala, grave, do acidentado grave, “estável mas com prognóstico muito reservado”. Por acaso não foi preciso helitransportar ninguém porque isso é que era televisão, mas o INEM está preparado para helitransportar. Cinco ou seis minutos de informações inúteis mas dramáticas.

Mas aconteceram outras coisas no mundo: no Algarve, um bando não identificado assaltou durante a noite uma máquina de tabaco, no interior de um estabelecimento comercial. A câmara mostra a vitrine, os ferros torcidos, vidros partidos no chão, entrevista a empregada da loja, a polícia, torna a mostrar as mesmas imagens da vitrine, dos ferros torcidos. Há imagens captadas pelas câmaras de vigilância, a preto e branco, que mostram homens encapuzados aos saltinhos na filmagem sincopada.

Mas não, ainda não é tudo. Há ainda uma máquina Multibanco assaltada com recurso a uma escavadora. Numa demonstração de grande perícia os assaltantes conseguiram extrair o cofre com um dano mínimo no cubículo que o albergava. A câmara mostra a marca deixada pelos dentes da retroescavadora na parede do edifício. Podemos ver em detalhe cada marca de cada dente na parede e ainda temos tempo para chamar a família. “Ó Guida, vem cá ver o que eles agora fazem com uma retroescavadora!…” Mas não é tudo, há também uma ourivesaria assaltada. A câmara mostra a vitrine partida, uns ferros torcidos, entrevista a dona da loja, o polícia, a senhora que viu, o homem que ouviu, outro que não deu por nada, outro que não viu mas foi por pouco porque se tivesse passado uns minutos antes ou depois, outro que comenta estes assaltos que há agora, outro que diz que não há polícia que chegue, outro que diz que não há suficientes câmaras de videovigilância, porque se houvesse uma câmara a espreitar pelo rabo de cada cidadão em tempo real poderiam evitar-se todos os crimes e fazer a despistagem do cancro do cólon ao mesmo tempo.

Mas não é tudo. Finalmente uma notícia, sobre uma coisa que interessa a todos: os aumentos em 2012, os aumentos da electricidade, da saúde, dos impostos, dos restaurantes, dos transportes, de tudo. A notícia fala dos aumentos e entrevista “populares”. Há reacções resignadas, sarcásticas e discordantes. Não há ninguém indignado, nem sequer contestatário e muito menos agressivo. A sociedade portuguesa está resignada. Porque é que são os aumentos? Bom, a peça não diz mas percebe-se que é porque tem de ser. Há quem não concorda, mas são aqueles que são sempre do contra. Noutro programa, numa mesa-redonda, o moderador olha com indisfarçado ar de nojo para um sindicalista a quem pergunta com enfado: “Mas não há nestas medidas anunciadas pelo Governo nenhuma com que concorde?” O subtexto é claro: se concordasse com metade das medidas e discordasse da outra metade, ainda vá lá! Mas assim… só pode ser porque é um ressabiado de maus fígados.

Mas há boas notícias! Nem tudo é mau. Uns voluntários distribuem sopa e bolo-rei a sem-abrigo durante a noite. Pessoas abnegadas e bondosas, que prescindem do conforto do lar para ajudar o próximo. A apresentadora do noticiário exulta, de sorriso rasgado, está feliz, é Natal! É Natal! A voluntária entrevistada pela repórter que acompanhou os voluntários exulta por esta experiência de solidariedade que teve oportunidade de viver. Que bom que é haver pobrezinhos que nos dão oportunidade de sermos solidários. Que bom que é ver a sociedade civil a ocupar o lugar que o Estado não pode ocupar. “O Estado não tem vocação para gerir instituições de solidariedade social”, diz o bem-aventurado ministro Pedro Mota Soares, com a boa consciência a transbordar fatias de bolo-rei. Os sem-abrigo aceitam a sopa, o bolo-rei, quase nenhum aceita ser filmado, só do pescoço para baixo. É natural. Têm vergonha. São os únicos que não são voluntários.

Passei uma boa parte da vida a dizer que as manipulações da informação a que assistimos na imprensa – e, com maioria de razão, na televisão – eram na sua maioria acidentais, fruto de incompetências, desleixos. Seria demasiado complicado orquestrar tudo isso.

Mas, seja qual for a razão, será que os jornalistas da televisão se dão conta do retrato que fazem do país? Um país resignado, onde o único discurso pertence ao Governo, onde não há opções políticas, reais discordâncias, debates em pé de igualdade, alternativas, revolta, indignidades, hipocrisias? Onde há apenas assaltos para justificar o medo, acidentes para emocionar, pobres para justificar a caridade e governantes tão generosos que dão sete euros por mês aos mais pobres e que nos explicam que não sobra dinheiro para o SNS depois de pagar o juro das dívidas que meteram nos bolsos dos seus amigos?»

José Vítor Malheiros
PÚBLICO, 3.Jan.2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

In memoriam Maria Helena Pires de Matos

«Primeira intérprete portuguesa a reunir distinções internacionais, na área da música clássica, como o Choque Musique e o Diapason d`Or, Maria Helena Pires de Matos [1938-2011] tinha no canto gregoriano a missão de uma vida, tanto ao nível da investigação, como da divulgação, tendo fundado o Coro Gregoriano de Lisboa, em 1989, com alunos, antigos alunos e professores do Instituto Gregoriano e da Escola Superior de Música de Lisboa.

Licenciada em Engenharia Química pelo Instituto Superior Técnico, com o curso superior de piano do Conservatório Nacional, que terminou em 1963, foi professora coordenadora da Escola Superior de Música de Lisboa, onde presidiu o conselho científico e assumiu a responsabilidade da cadeira de Canto Gregoriano até ao final de 2008.

Foi ainda membro da Comissão Instaladora do Instituto Gregoriano de Lisboa, entre 1978 e 2000, tendo ainda leccionado a disciplina de Canto Gregoriano da Licenciatura em Música na Escola de Artes da Universidade Católica do Porto de 2000 a 2003.

Ao nível da investigação destaca-se, em particular, o trabalho em paleografia musical e história da liturgia.

A morte de Maria Helena Pires de Matos [10.Dezembro] coincide com a edição do último disco do Coro Gregoriano de Lisboa, por si dirigido, "Os Apóstolos", que integra obras recolhidas pela própria musicóloga, em códices dos séculos XI a XIII.

Sob a direcção de Maria Helena Pires de Matos, o Coro Gregoriano de Lisboa foi distinguido pelo álbum "Liturgia de Santo António" (1993), com o Prémio "Choc" do Le Monde de la Musique, e por "Missa pela Paz" (1997), com um Diapasão de Ouro (Diapason d`Or), tendo as suas edições em disco, que incluem ainda "Missa pela Chuva" e "Liturgias de santos europeus do primeiro milénio", integrado escolhas discográficas de referência dos guias Penguin e Gramophone.»


Maria Helena Pires de Matos era esposa de António Pires de Matos, meu amigo e colega de muitos anos no Laboratório Nuclear de Sacavém.
Para ti, António, aqui fica o meu testemunho de profunda solidariedade e um fraternal abraço.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Votos de Bom Ano 2012 (à espera de 2013)...

... porque há vida para além da crise, ainda que o caminho seja difícil e o horizonte indefinido!




Autora da fotografia:
Filomena Maria Santos
(por terras da Guarda)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Extinção do Instituto Tecnológico e Nuclear!




O ponto 4 do comunicado do Conselho de Ministros de 22.Dez.2011 ganha mais significado se for lido ao som do 
REQUIEM de Mozart:

4. O Governo decidiu também, na esfera do Ministério da Educação e Ciência, proceder à integração do Museu Nacional da Ciência e da Técnica Doutor Mário Silva na Universidade de Coimbra e proceder à extinção do Instituto Tecnológico e Nuclear, I.P., sendo que a Quinta dos Remédios, parte integrante do campus deste Instituto, é afecta ao Instituto Superior Técnico, passando a integrar o seu património. http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Governo/ConselhoMinistros/ComunicadosCM/Pages/20111222.aspx

Voltarei a este assunto quando souber o que significa exactamente esta decisão, mas, para já, entendo-a como um erro de avaliação grave e a "prenda" com que o Governo de Pedro Passos Coelho assinala os 50 anos de bons serviços do Laboratório de Sacavém da ex-Junta de Energia Nuclear!

* * *

Adenda (30.Dez.2011)
Lei orgânica do Ministério da Educação e Ciência
Decreto-Lei n.º 125/2011, de 29 de Dezembro
Artigo 31.º - Extinção, criação, fusão e reestruturação
4 — O Instituto Tecnológico e Nuclear, I. P., é integrado no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa.
* * *
Adenda (15.Fev.2012)

No Diário da República – I Série, N.º 29, de 9 de Fevereiro – foi publicado o decreto-lei N.º 29/2012 [http://dre.pt/pdfgratis/2012/02/02900.pdf] que oficializa definitivamente a extinção do ITN.

O diploma «Procede à extinção do Instituto Tecnológico e Nuclear, I. P., sendo que a Quinta dos Remédios enquanto parte integrante do campus deste Instituto é afecta ao Instituto Superior Técnico, passando a integrar o património próprio desta instituição

O objecto do diploma é definido no seu Artigo 1.º: «O presente diploma procede à integração do Instituto Tecnológico e Nuclear, I. P., abreviadamente designado ITN, I. P., assegurando-se a transferência da sua missão, das suas atribuições e competências, assim como a integração do seu pessoal e património no Instituto Superior Técnico, abreviadamente designado IST, da Universidade Técnica de Lisboa, abreviadamente designada UTL

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Obrigado, Prof. Carlos Fiolhais!

O Prof. Carlos Fiolhais teve a gentileza de citar o post “Como surgiu a Sociedade Portuguesa de Física no seu blogue “De Rerum Natura”, com uma introdução que começa assim: O físico Eduardo Martinho, um dos principais impulsionadores e fundadores, há 36 anos, da Sociedade Portuguesa de Física, escreveu no seu blogue uma história do processo de fundação daquela sociedade.
http://dererummundi.blogspot.com/2011/12/historia-da-sociedade-portuguesa-de.html

Fico-lhe grato, Prof. Carlos Fiolhais, pelas suas palavras de reconhecimento!

Foto in: http://itunesu-repository.uc.pt/itunesu/pages_collections/109108-1.html

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pensar globalmente, actuar localmente

O leitor sabe que, quando queima lenha, carvão ou gás, está a produzir dióxido de carbono -- assim se chama o gás resultante da combustão -- o qual contribui para o chamado efeito de estufa, donde poderá resultar um sobreaquecimento da Terra, com efeitos graves para o clima e para a vida do Homem (as previsões apontam no sentido de poder haver, num futuro não muito distante, fusão de gelos polares, acompanhada de subida do nível da água dos mares e inundação de vastas zonas costeiras; carência de água, seca e desertificação em certas regiões, e chuvas diluvianas noutras)?
Já pensou que, quando anda no seu automóvel (sem necessidade, às vezes), está a produzir dióxido de carbono através da queima de gasolina ou de gasóleo?
Tem consciência de que, quando utiliza energia eléctrica (nem sempre bem), “produz” dióxido de carbono -- porque as centrais electroprodutoras convencionais queimam combustíveis fósseis (como o carvão e o fuelóleo)? 
Faz ideia de que, quando consome esse bem precioso que é a água potável da rede pública, também está a “produzir” dióxido de carbono -- porque nos processos de captação, tratamento e distribuição da água é utilizada energia eléctrica?
E que o mesmo se passa, por razões análogas, com praticamente tudo o que consome (e desperdiça, por vezes) no dia-a-dia?

Teve conhecimento de que estiveram recentemente reunidos em Berlim [em Durban, este ano] várias centenas de governantes, ambientalistas e cientistas de largas dezenas de países, na chamada Conferência das Partes da Convenção sobre Alterações Climáticas, para discutir os problemas relacionados com o efeito de estufa, tendo em vista limitar e reduzir as emissões de dióxido de carbono? 
Sabe que a Conferência de Berlim -- a que se seguirá a Conferência de Tóquio, em 1997 -- vem na sequência de uma Cimeira realizada no Rio de Janeiro, em 1992, onde a necessidade da redução das emissões  de dióxido de carbono já havia sido objecto de negociações, mas sem grande sucesso prático? 
E sabe que agora, em Berlim, também não foram feitos progressos substanciais [em Durban também não] que nos tranquilizem relativamente às alterações climáticas que a Terra poderá sofrer no futuro?
Imagina quão difíceis devem ser as decisões políticas sobre esta matéria, quando estão em jogo interesses económicos contraditórios, em que tanto os países pobres como os países ricos não querem reduzir as emissões de dióxido de carbono, embora por razões diferentes -- uns para não comprometerem o seu desenvolvimento, os outros para não perderem competitividade?

Que fazer então? perguntará o leitor.
Como poderemos contribuir, individualmente, para a resolução de um problema complexo, a nível global 
-- perante o qual nos sentimos impotentes -- se a nossa acção se faz sentir apenas a nível local?
 Deixo-lhe uma pista que se afigura estimulante: uma das chaves desta questão reside na possibilidade que cada um de nós tem de pensar globalmente e actuar localmente! Aliás, este lema é válido para todos os “efeitos de estufa” que nos afectam, a qualquer nível, seja na nossa rua; na colectividade que frequentamos; na praia onde passamos férias; no município, na região ou no país a que pertencemos, enfim, no mundo que queremos mais apetecível. No fundo, a resolução dos problemas colectivos -- que nunca são apenas dos “outros”... -- passa pela maneira como os encaramos e por comportamentos individuais coerentes com a ideia que tivermos do que deve ser feito para os resolver. 

Nota -- A primeira vez que li a expressão “Pensar globalmente, actuar localmente” (“Think global, act local”, no original) foi num cartaz afixado no Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, há cerca de três anos. Foi uma revelação: ali estava uma explicitação eficaz do que dá sentido à acção individual. Como nunca pensara nisso?! Depois de desvendadas, as evidências tornam-se óbvias...

Artigo publicado no jornal O MIRANTE, 25.Abril.1995

sábado, 17 de dezembro de 2011

Já reparou (na factura da EDP) que...

... em Portugal é consumida electricidade produzida em centrais nucleares?


Adenda (29.Dez.2011)
O meu amigo Joaquim António Emídio, director-geral de O MIRANTE, teve a amabilidade de fazer  um comentário a este post no Cavaleiro Andante, secção humorística do seu jornal:
«O físico Eduardo João Martinho, natural da Chamusca, um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Física e especialista em Física das Radiações de Reactores de Cisão Nuclear, não perde uma oportunidade de defender a sua dama, a energia atómica, tanto no seu blogue "Energia Nuclear - Bases" como no seu outro blogue "Tempo de Recordar". Num dos últimos posts deste blogue, a 17 de Dezembro, colocou uma chamada de atenção para o facto de em Portugal consumirmos diariamente electricidade produzida em centrais nucleares. E até reproduziu a parte da factura da EDP onde um gráfico mostra que a fatia desse tipo de energia é de 5,2 por cento do total. Tendo em conta que há pessoas que apenas consomem produtos agrícolas biológicos por serem contra os químicos, por exemplo, é bem provável que alguns ambientalistas radicais desliguem a electricidade este Inverno. bbbbrrrr... bbbbrrrr... bbbbrrrr...»

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Que exagero Sr. Santos!

Há políticos portugueses que gostam muito de utilizar metáforas bombásticas para exprimir mais coloridamente as suas ideias.
Há uns meses, uma deputada do PEV invocou Fukushima no contexto das últimas eleições legislativas [http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.com/2011/05/que-exagero-dona-heloisa.html].
Agora um deputado do PS invocou a bomba atómica para justificar o injustificável no tocante ao pagamento da dívida nacional.

Na situação em que nós vivemos, eu estou-me marimbando para os nossos credores. Estou-me marimbando para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal, nas condições em que emprestou. Estou-me marimbando que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que nós podemos usar na cara dos alemães e dos franceses, e essa bomba atómica é, simplesmente: não pagamos! Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos. E se nós não pagarmos a dívida e se lhe dissermos, as pernas dos banqueiros alemães até tremem!

Pedro Nuno Santos, vice-presidente da bancada parlamentar do PS, num jantar de Natal com militantes socialistas (Castelo de Paiva, 10.Dez.2011)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Os aerogramas do tio Berto

(…) os [nossos] filhos viveram a guerra através do tio, que um dia também partiu, rumo à Guiné. Ele que fora menino pacato, que se fizera homem recusando toda a violência, lá foi de abalada, entregue à sorte, que outra coisa o não poderia proteger. Aqui ficámos nós, com o medo dos que ficavam e viam partir os familiares. Chegavam com frequência os aerogramas endereçados aos sobrinhos, recheados de engraçados desenhos que ele coloria, de muitas histórias ou divertidas charadas. Acolhíamos as notícias sem entusiasmo, porque cada minuto em África escondia mil perigos, e as cartas chegavam sempre com grande atraso. Só os pequeninos faziam da chegada do carteiro um motivo de alegria. (…) Cf. http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.com/2010/10/recordando-outros-tempos.html

Os aerogramas referidos acima foram escritos em 1969 e 1970. “Perdidos” durante muito tempo, viemos agora a descobrir que estavam na posse de uma das sobrinhas, a Lena, que os guardou religiosamente. Seguem-se alguns exemplares.


OBRIGADO, TIO BERTO!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Como surgiu a Sociedade Portuguesa de Física

Registo aqui os passos essenciais que conduziram à formação da Sociedade Portuguesa de Física (SPF). Participei activamente nesse trabalho, enquanto membro da Comissão SPF (também designada por Comissão pró-SPF e Comissão organizadora da SPF), desde o início de 1971 até 25 de Janeiro de 1975, data em que se reuniu pela primeira vez a Assembleia Geral da SPF.

 ***
Relato da Comissão SPF apresentado na 1.ª Assembleia Geral da SPF

1. Na sessão de 15.Fevereiro.1971 do Núcleo de Física de Lisboa da Sociedade Portuguesa de Química e Física (SPQF), foi decidido, por unanimidade, criar uma comissão destinada a efectuar um inquérito tendo em vista auscultar a opinião dos físicos portugueses (sócios ou não da SPQF) relativamente ao interesse com que veriam:
a) A criação de uma Sociedade Portuguesa de Física; ou
b) O fortalecimento dos Núcleos de Física da SPQF.

2. Em face dos resultados do inquérito referido (155 respostas recebidas até 12.Março.1971 das quais 130 favoráveis à criação de uma SPF), o Núcleo de Física de Lisboa decidiu, em 19.Março.1971:
a) Pedir a convocação da Assembleia Geral da SPQF para se pronunciar sobre a cisão da Sociedade em duas outras (a de Física e a de Química);
b) Continuar o inquérito (2.ª fase).

3. O pedido de convocação da Assembleia Geral de SPQF foi feito em 19.Abril.1971 ao abrigo do § único do Art.º 16.º dos Estatutos da SPQF (requerimento de 20 sócios). A Assembleia foi convocada, em 24.Maio.1971, para reunir a 04.Junho.1971 com a seguinte ordem de trabalhos:
a) Apreciar os resultados do inquérito realizado pelo Núcleo de Física de Lisboa da SPQF;
b) Discutir e eventualmente aprovar a cisão da SPQF em duas sociedades, a SPF e a SPQ.

4. À hora a que deveria reunir a Assembleia Geral em 2.ª convocação, verificava-se a ausência do Presidente da Mesa, Prof. Dr. António Jorge Andrade de Gouveia, estando presentes o 1.º e o 2.º Secretários da mesma Mesa. O 1.º Secretário, Prof. Dr. Alberto Ralha, que, nos termos do Estatuto, deveria assumir a Presidência da Mesa, deu a conhecer a impossibilidade de a AG reunir visto não ter sido cumprido o disposto no Art.º 18.º dos Estatutos (convocação com 15 dias de antecedência).

5. A 13.Julho.1971 reuniu finalmente, no anfiteatro de Química da Faculdade de Ciências de Lisboa, a Assembleia Geral extraordinária da SPQF, na qual, foi decidida por unanimidade "a cisão da SPQF em duas sociedades: a SPQ e a SPF". Foi também decidido que:
a) A SPQF fosse convertida na SPQ;
b) As acções dos químicos para converter a SPQF em SPQ e dos físicos para criar a SPF fossem desenvolvidas simultaneamente;
c) Os projectos de estatutos das futuras Sociedades fossem obtidos por simples adaptação dos Estatutos da SPQF.

Da execução das decisões da AG foram encarregados o secretário-geral da SPQF, Professor Doutor Kurt Jakobson, e os membros da "comissão organizadora da SPF" constituída com base na comissão que realizara o inquérito aos físicos portugueses:
Augusto Barroso (FCiências-UL)
Eduardo Martinho (JENuclear)
Filipe Duarte Santos (JENuclear)
Jaime da Costa Oliveira (JENuclear)
João Maia de Quininha (FCiências-UL).


6. Nos meses de Maio a Julho de 1971, o Diário de Lisboa publicou, no suplemento Mesa Redonda, respostas a um inquérito sobre o interesse e possíveis formas de actuação de uma SPF, produzidas por: Prof. Dr. José Gomes Ferreira (FCL), Eng.º Frederico Gama Carvalho (JEN), Dr. Rómulo de Carvalho (Liceu Pedro Nunes), Prof. Dr. Luís Alte da Veiga (Fac. de Ciências de Coimbra), Prof. Dr. João António Menezes Bessa Sousa e José Ferreira da Silva (Fac. de Ciências do Porto) e Prof. Dr. António Brotas (Instituto Superior Técnico).

7. Em 27.Março.1972, foram enviados a cada um dos interessados na criação da SPF (num total de 205, segundo os resultados do inquérito obtidos até 31.Maio.1971) uma cópia do projecto dos Estudos da SPF e um boletim de inscrição de sócio fundador da Sociedade. Em 02.Junho.1972 enviou-se novo boletim de inscrição aos colegas que não responderam à missiva de 27.Março.1972.

8. O requerimento de constituição da SPF (juntamente com o projecto de Estatutos) e o pedido de autorização para mudar a designação da SPQF em SPQ foram entregues na Direcção-Geral dos Assuntos Culturais do ex-Ministério da Educação Nacional em 26.Maio.1973.

9. A constituição da SPF foi autorizada por despacho do Secretário de Estado da Instrução e Cultura de 30.Outubro.1973, tendo os respectivos estatutos sido aprovados, após introdução de algumas alterações sugeridas pelo ex-MEN em relação ao projecto inicial.

10. A escritura de constituição da Sociedade foi celebrada no 10.º cartório notarial de Lisboa em 19.Abril.1974. 
Sócios fundadores que constam da escritura notarial: 
–  Cândido Marciano da Silva
–  João Tavares Maia de Quininha
–  António Manuel Patrício Comprido 
  Eduardo João Cardoso Martinho
–  Jaime Manuel da Costa Oliveira
–  Rui Manuel Vassalo Namorado Rosa
–  Frederico José da Silva da Gama Carvalho
–  Maria da Conceição Abreu e Silva
–  Filipe Duarte Branco da Silva Santos



11. Durante o mês de Novembro de 1974, a Comissão Organizadora da SPF recebeu uma única lista de candidatos para os seguintes cargos: mesa da assembleia geral, secretário-geral, secretário-geral adjunto, tesoureiro e conselho fiscal.

12. A Assembleia Geral da SPF foi convocada em 21.Dezembro.1974 para a sua primeira sessão de trabalho que hoje (25.Janeiro.1975) se realiza no anfiteatro do Departamento de Física da Universidade de Coimbra, com a seguinte ordem de trabalhos:
a) Relato de actividade da Comissão SPF;
b) Eleição da mesa da assembleia geral da SPF, do secretário-geral, do secretário-geral adjunto, do tesoureiro e do conselho fiscal;
c) Comunicações livres;
d) Linhas de acção futuras.


Os 222 sócios fundadores vão, por certo, proporcionar aos órgãos directivos da SPF o apoio indispensável para que possam conduzir os destinos da Sociedade no sentido do progresso do ensino, da investigação e das aplicações da Física em Portugal e realizar um intercâmbio eficiente entre os físicos nacionais e estrangeiros.
São os últimos votos da
Comissão SPF


Para memória futura, assinale-se que na acta da referida Assembleia Geral consta o seguinte: 
António Manuel Baptista propôs um voto de louvor à Comissão pró-SPF pela boa conclusão dos seus trabalhos e pelo interesse e dedicação dos seus membros. Este voto de louvor foi aprovado por aclamação.


Nota final
Para o sucesso dos primeiros passos que conduziram à formação da Sociedade Portuguesa de Física, nomeadamente entre 1971 e 1975, muito contribuiu o apoio logístico proporcionado pelo Laboratório de Física e Engenharia Nucleares (Sacavém), instituição a que é devido um agradecimento especial na pessoa do seu director-geral, doutor Carlos Cacho, que apoiou incondicionalmente o trabalho da Comissão SPF.


 Três anos depois da 1.ª Assembleia Geral da SPF realizou-se a primeira grande reunião de
Físicos em Portugal, que decorreu nas instalações da Fundação Calouste Gulbenkian.