sexta-feira, 22 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
Homenagem a Diogo Vasconcelos
Diogo Vasconcelos, um dos incentivadores do Plano Tecnológico e um forte impulsionador da proximidade da sociedade às novas tecnologias, morreu em Londres na passada 5.ª feira e o seu funeral realiza-se hoje no Porto.Apenas agora soube que há dois anos, em Junho de 2009, Diogo Vasconcelos e Teresa Martinho Marques (minha filha) se cruzaram num contacto virtual na rede INTERACTIC 2.0. Diogo Vasconcelos lançara um desafio que terminava assim: Fico a aguardar os vossos comentários. Sky is the limit.
A Teresa respondeu ao desafio, e Diogo Vasconcelos deixou o seguinte comentário:
Cara Teresa Marques
A sua resposta é muito inspiradora. Desde Sebastião da Gama que não lia um texto tão belo sobre a arte de ser professor. Obrigado!
Quis agora a Teresa, no seu blogue, prestar a homenagem que Diogo Vasconcelos merece (http://tempodeteia.blogspot.com/2011/07/diogo-vasconcelos-rede-interactic-e-eu.html):
«(...) pelo que ele simboliza na nossa história recente (oh se o entendo bem... tão bem que não consigo nunca falar dele no passado), pelo vento que ele é e será sempre nas nossas velas de futuro, pelo facto de acreditar que é pelo sonho que vamos.
Cruzámos linhas por um breve instante e ao reler o que disse(mos), não posso deixar de constatar que tenho pelo menos tentado colocar em prática muitos sonhos e não gastar apenas o tempo a falar deles. É a minha melhor homenagem a homens como o Diogo que são exemplo de visão e acção entrelaçadas.»
Foto: Ana Ramalho
sábado, 16 de julho de 2011
A casa da tia Maria Luísa

Todos, ou quase todos nós, guardamos como recordação das nossas brincadeiras de meninos, um certo lugar. Para mim, foi a casa da tia Maria Luísa. Lá está ainda, no Planalto de S. Bento, em Santarém, construída no ano de 1941, pintada de branco e com janelas debruadas a vermelho. No terreno que a envolvia, ficava o quintal com a capoeira, o cão de guarda e a cerejeira que ao longo de anos foi crescendo e quase tocava a janela de um dos quartos do primeiro andar. Muitas vezes nos debruçámos nela para apanhar as bagas vermelhinhas. Nunca houve árvore mais bonita. Nem frutos mais doces! Havia ainda a horta e o jardim, o tanque grande para as brincadeiras de verão e para as regas.
Pelas traseiras, entrava-se em casa por um alpendre, cujo chão coberto de mosaicos nos permitia ensaiar “vistosos” passos de dança e dar mesmo... alguns trambolhões. No alpendre, havia dois tanques para a lavagem de roupa, uma pequena casa de banho e a sala para o arranjo dos lençóis, toalhas e vestuário em geral. Era uma dependência agradável, cheia de luz, com janelas e portas que davam para o jardim e... com música saindo de uma, caixa estranha sem botões (tratava-se de um altifalante), um luxo naquela época. Cuidar da roupa era uma das tarefas da tia Maria Luísa. Muitas vezes a encontrei ali, com “montanhas” de peças que ela pacientemente borrifava, dobrava ou passava a ferro.
Lembro a porta estreita que nos introduzia no interior da casa, com o seu grande corredor liberto de móveis. De um lado, a cozinha e os seus odores, do outro, a sala de jantar, de mobiliário simples e funcional, com a mesa colocada no centro, mesa que se “desdobrava” a todas as refeições para os da casa (a família era grande) e para os que apareciam de surpresa. Sempre foi assim. Ao fundo do corredor ficava a sala do piano, sombria, talvez porque as paredes estavam revestidas de retratos muito antigos. Ao lado, o escritório do tio Américo, com uma bonita mobília negra chapeada a metal amarelo.
Tínhamos acesso à garagem através de uma portinha ao lado do escritório. Sentados no velho e belíssimo Citröen (eu, meus irmãos e primo), o primo mais velho ao volante, lá partíamos mundo fora...
De referir ainda a casa do lavatório onde todos brincávamos numa improvisada casa de bonecas. No primeiro andar ficavam os quartos e a sala de banho, muito moderna, tal qual as que víamos nas escassas idas ao cinema.
Ao sótão, íamos pouco. As divisões serviam para arrumações. Tínhamos um certo “respeito” pelo piso superior. Lembro-me que olhava com algum receio o lance de escadas que nos conduzia até lá. Preferia não arriscar. Estava-se muito bem cá em baixo!
A família sofreu muitos revezes, que davam para uma longa história. Todos foram desaparecendo, um a um, mais ou menos tragicamente. No casarão habitam agora três mulheres, as mais jovens. A tia Maria Luísa deixou-nos também há alguns anos, após prolongada doença que a manteve indiferente a tudo e a todos, durante anos. Lembro hoje, com saudade, as brincadeiras inventadas por cada um de nós ao longo da casa (postas em prática sem quaisquer proibições!), como atravessar a cozinha em correria para aterrar mais depressa no quintal, as sessões de cantigas e teatros, a casa das bonecas, o velho automóvel...
Os grandes tinham então muito tempo para se ocupar dos mais pequenos e amá-los sem pressas. Quantas tias Luísas ajudaram, assim, a crescer muitos de nós, dando força a coisas que, mesmo singelas, marcaram o nosso modo de estar na vida.
Texto de Maria da Piedade Pinheiro Martinho
publicado no jornal O MIRANTE em Novembro.1989
sexta-feira, 15 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Quando foi?

Deixaram de me embalar
me aconchegar
com histórias
à noite
para adormecer
E eu não me lembro quando foi
o dia
a exacta hora
em que se foram embora
e se esqueceram de mim
(e a palavra fim, foi mesmo fim).
O que descobriram sem eu saber?
Que chegara às estrelas?
Já sabia ler?
Não acreditava em fadas
ao anoitecer?
Foi duma vez só que cresci?
Ou foi sendo, sem regresso,
e eu nem me apercebi?
Não me lembro quando foi
o dia
o exacto momento
em que olhei de fora para mim
e percebi
que o meu corpo era o meu.
Agora
já não é importante recordar
a exacta hora
Esqueci.
Porque chegou a noite
de emprestar histórias
e de semear
magia e fadas
em ti.
Poema de Teresa Martinho Marques (http://sabordepalavra.blogspot.com)
in Das Palavras, Edições Eterogémeas (http://www.eterogemeas.com)
ilustrado por Paulo Miguel P. Martinho (http://pintapalavras.blogspot.com)
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Ciência no Jardim de Infância
A Maria Helena falou da “Viagem ao Mundo da Luz” (http://www.slideshare.net/3zamar/viagem-ao-mundo-da-luz-1-prmio-cincia-na-escola-helena-martinho), um projecto realizado com os seus meninos do Jardim de Infância do Vimeiro, no ano lectivo 2009-2010, com o qual conquistaram o 1.º lugar do Prémio Fundação Ilídio Pinho “Ciência na Escola – Artes da Física”.Resumo: O Projecto “Viagem ao Mundo da Luz” procurou pesquisar fenómenos da Física em três domínios essenciais: refracção da luz, reflexão, e sombra. O percurso passou pelo levantamento de ideias prévias sobre fenómenos como o “arco-íris” ou outros e também pela exploração plástica dos temas. As sessões experimentais realizadas dentro e fora da sala, com luz natural e artificial, em torno de fenómenos como a decomposição da luz no seu espectro de cores, a exploração de sombras e a fantástica descoberta da reflexão múltipla da imagem com a utilização de dois espelhos de dança, originaram múltiplos registos gráficos e verbais, discussões muito interessantes e muitas descobertas progressivamente mais concretas e científicas. Também a construção e exploração de materiais como: discos de newton, espectroscópio, caleidoscópios e relógios de sol, foram proporcionando aprendizagens novas sobre os domínios pesquisados. Existiu um constante cuidado no permear o Projecto com a imagem artística que fizesse sentido como leitura divergente dos domínios abordados. No domínio da refracção, exploraram-se pinturas de Hilma Af Klint, Hundertwasser e algumas obras do escultor britânico de Land Art Andy Golsworthy; no contexto da reflexão recorreu-se à pintura de Dali, Monet, Caspar David Friedrich e Fernand Khnopff; já quanto às sombras descobrimos as instalações em materiais e desperdícios industriais da dupla britânica: Tim Noble e Sue Webster. Também a Literatura para a Infância enriqueceu o projecto com uma leitura mais lúdica e fantasiosa, dos domínios explorados. Aqui recorreu-se a obras de diferentes origens e línguas (Portugal, Coreia, Inglaterra, América…). Livros tão belos como “Espelho” de Suzy Lee, fantasiosos como “The rainbow goblins” de Ul de Rico ou divertidos como ”Nothing sticks like a shadow” de Ann Tompert perdurarão, seguramente, na memória das crianças. Para terminar o Projecto montou-se uma Exposição (no Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro) que incluiu todo o material construído e explorado, fotografias, registos gráficos, trabalhos de expressão plástica, livros utilizados e filmagens das sessões experimentais.
Carlos Fiolhais, professor catedrático da Universidade de Coimbra e prestigiado divulgador de Ciência, intitulou sugestivamente a sua comunicação de “Ciência no jardim-de-infância: de pequenino se torce o destino”. Do brilhantismo da sua intervenção basta dizer que foi interrompido várias vezes pelos aplausos da numerosa assistência.Resumo: É hoje consensual que a cidadania nos tempos de hoje envolve uma preparação científica básica. Apesar de ter havido alguns avanços nos últimos anos, ainda existe entre nós um enorme défice do ensino das ciências nos primeiros anos de escolaridade: no jardim de infância e no 1.º ciclo do ensino básico. Se no início do século XX o nosso problema era o analfabetismo, no início do corrente século é, em larga medida, o analfabetismo científico. Esse fenómeno, que se deve mais à pouca familiaridade com a ciência dos educadores e professores desse grau de ensino do que a falta de meios materiais, está na base do nosso défice de ciência escolar que apontei no meu recente livro “A Ciência em Portugal”, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que se expressa em avaliações realizadas em anos posteriores de escolaridade. Para o ultrapassar há que promover melhor formação de educadores e professores e propor a realização de experiências no jardim de infância e na escola básica com materiais simples e acessíveis: o êxito da colecção “Ciência a brincar”, publicada pela editora Bizâncio, que já vai em dez volumes, mostra que há uma grande receptividade à “ciência para pequeninos”. As Crianças, claro, mostram-se muito curiosas e interessadas em actividades científicas pelo que não são seguramente o problema.
“Ciência a Brincar”: http://www.editorial-bizancio.pt/coleccoes.php?col=19
domingo, 10 de julho de 2011
Vermelho maresia

Ele passava dias, semanas, meses e anos sem voltar a casa. Um dia decidiu alterar a prenda que dava à mulher e ofereceu-lhe um «bouquet» de estrelas do mar. Diz-se que as estrelas do mar têm poderes… e estas eram mágicas e fizeram uma magia. O marinheiro deu muitos beijinhos à mulher e ela ficou grávida num abrir e fechar de olhos!Então a casa dele encheu-se de alegria… havia estrelas pelo tecto… a tristeza saía pelas portas e pelas janelas e pelo telhado…
E por magia nasceu uma bebé que se chamava Maresia… e por magia essa bebé nasceu com o cabelo vermelho! Vermelho maresia é a cor mais rara do mundo…
E dizem… que ela tinha sempre saudades das algas, dos búzios e das estrelas do mar… porque ela era meio filha do mar.
Esta história é única e não volta a repetir-se…
Vicente Soares Carvalho (6 anos)
Ilustração em http://catherinedejupiter.files.wordpress.com
sábado, 9 de julho de 2011
O “Adeus” definitivo de Rómulo de Carvalho
Edição da Fundação Calouste Gulbenkian

«§ 170 - Meus queridos tetranetos.
(...)
Por tudo isto [grande sofrimento físico devido a doença grave] me decidi a terminar [1 de Fevereiro de 1997] a escrita destas memórias. Ficasteis a saber de mim tudo quanto era facilmente comunicável. Morro tranquilo porque nunca fiz mal a ninguém e sempre ajudei o próximo em tudo quanto pude. Nunca me zanguei com ninguém, como já vos disse, e de boa vontade pediria desculpa a quem tivesse tido de mim qualquer impressão de que o ofendera ou magoara. Cumpri sempre os meus deveres para com o próximo e o distante. Trabalhei a vida inteira e, embora mal remunerado, sempre o fiz com todo o esmero possível.
A vida nunca me seduziu. Entre o viver e o morrer sempre preferi o morrer. Se não tivesse nascido, ninguém daria pela minha falta. Reconheço que estou a ser indelicado com todos aqueles que gostam de mim, mas peço-lhes que me desculpem. É preciso ter vocação para viver e é por isso que alguns se suicidam, o que é digno de todo o respeito. Nunca pensei nisso e só em consequência de um sofrimento excessivo o faria.
O mundo é repugnante e a vida não tem sentido. É uma luta permanente e feroz em que cada um busca a satisfação dos seus interesses exactamente como outros quaisquer seres vivos, animais ou plantas, que se espreitam e se atacam. Em nós, humanos, que somos o ponto mais elevado do desenvolvimento das espécies, o modo de proceder é diferente e as manhas são outras. Mas o homem que está comodamente sentado à secretária do seu gabinete, com a esferográfica na mão e o papel defronte, ruminando em qual será a melhor maneira de atacar o próximo, de o explorar, de o dominar e de encher os seus próprios bolsos, em nada difere, nas intenções, de um quadrúpede qualquer, de um insecto, de um peixe, do que for, que está muito quieto no seu reduto, espreitando o outro que anda ali próximo, para dar o salto no momento próprio. Ele vigia, o insecto, o peixe, o quadrúpede, pensa, faz cálculos, analisa, decide e, num relâmpago, atira a sua arma sobre o irmão distraído, pisa-o, esmaga-o, massacra-o e descansa, olhando em redor, não venha outro como ele fazer-lhe o que agora tanto o satisfaz. E nós a julgarmos que somos os únicos e privilegiados animais presentes. Não é sem pensar que o pobre cão perdido a longa distância da sua casa, a dos seus donos, consegue reencontrá-la e de novo repousar no seu habitual aconchego. E assim já tem sucedido. Ou a gaivota que levanta voo do rochedo para ir examinar o mar e regressa para comunicar às companheiras que a aguardam como as coisas decorrem. Ou as formigas que vão e vêm, numa carreirinha, segredando umas às outras o que se vai passando.
As minhas dores no estômago e nos intestinos continuam sem descanso e os médicos não descobrem o que tenho apesar de todo o seu saber, simpatia e generosidade. É preferível morrer. É neste estado que vos escrevo embora a minha letra, que aqui vêdes, não dê sinal de tantos males e de tão profundo abatimento. Fui sempre pessoa de grande coragem e espero conservá-la até o último momento.
A todos os que me estimaram e, no extremo, me amaram, um longo adeus com os olhos tristes. Muito em particular para os meus mais íntimos. Deixo, neste vale, a vossa tetravó Natália, dois filhos (uma filha e um filho) e cinco netos (duas netas do filho, e uma neta e dois netos da filha). Todos me estimaram, e até me amaram muito, cada um com a sua capacidade de expressão.
A tristeza da minha situação actual conseguiu arrancar os fechos das portas dos esconderijos onde a vossa tetravó Natália conservava guardados, desde há longos anos, os seus afagos, os seus carinhos, os seus sentimentos de amor, tão vivos, tão ansiosos de préstimo como se tivessem nascido no momento. Ninguém tem culpa de nada. Tudo quanto fazemos resulta dessa luta interminável entre insignificantes células hereditárias que nos dominam completamente e fazem de nós um complexo inevitável de comportamentos e de sentimentos a que somos alheios. Ela é uma mulher intelectual e tudo nela foi intelectualizado e assim arrumado, em prateleiras, e tudo por ordem. De repente tudo se desmoronou, as prateleiras ruiram e no alvoroço dos escombros apareceram uns olhos ardentes, espreitando o mundo e poisaram-se em mim.
E é tudo.
Chamo-me Rómulo e nasci no dia 24 de Novembro de 1906 com sete meses de gestação. Faleci em 19 de Fevereiro de 1997.»
Cf. http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.com/2010/12/romulo-de-carvalho-memorias.html
Cf. “Escolhas de Livros de Carlos Fiolhais” em link colocado em: http://dererummundi.blogspot.com/2011/07/memorias-de-romulo.html
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Selecção de Professores
O editorial de hoje (Público, 03/09/2007) insurge-se contra a «imposição de testes específicos a todos os que acabam esses cursos [de formação de professores] e pretendem ingressar na carreira docente». A meu ver, a enorme importância do assunto justifica alguns comentários.1. Iniciar o artigo com a afirmação de que «O Ministério da Educação não confia no Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior» não ajuda a focar o problema. Nesta matéria, não se trata de saber quem (não) confia em quem. A questão essencial consiste em saber se se deve fazer uma selecção dos futuros professores e, no caso afirmativo, como proceder para identificar correctamente os melhores de entre os candidatos a professor.
2. Quais são os melhores candidatos a professor? Boa pergunta! Há qualquer coisa de indefinível, que “não vem nos livros”, que faz com que os bons professores – aqueles que marcam os alunos e são recordados – se destaquem dos outros. Serão, em geral, as qualidades humanas? o perfil físico? o tom de voz? a experiência? o empenhamento? a imaginação? a disponibilidade? o jeito para dialogar? a capacidade de fomentar e gerir cumplicidades? será uma vocação natural? Não sei. Dos professores, bem se poderia dizer também que “são muitos os chamados, mas poucos os escolhidos”.
3. Sou, pois, a favor de uma selecção, mas não com base (pelo menos, exclusivamente) em critérios de tipo escolar. Concordo com o editorialista quando afirma que cabe à Universidade assegurar que um candidato a professor conhece a matéria específica em que se licenciou, que deve dominar a língua materna, estar familiarizado com as novas tecnologias de informação, etc.; em resumo, que tem as óbvias competências básicas necessárias para leccionar. Neste particular, convém saber se os candidatos a professor provêm apenas de licenciaturas em formação de professores e se provêm apenas das universidades públicas, o que julgo não ser o caso. O sistema educativo não deveria ser um «vazadouro», mas infelizmente o desemprego obriga muita gente a procurar o ensino por necessidade e não por vocação.
4. Em Novembro de 1996, Rómulo de Carvalho («professor, pedagogo, historiador e divulgador da Ciência, tudo em nome do Ensino») deu uma entrevista notável ao JL/Educação. Dizia ele que a aptidão para o ensino «não é coisa que os professores aprendam nas escolas, quando estão a preparar-se para a profissão, é uma coisa natural», mas dizia também «fartei-me de trabalhar, sabe, fartei-me de trabalhar.» Das palavras de Rómulo de Carvalho parece legítimo retirar a conclusão de que na base do êxito de um professor, está a vocação, mas que é imprescindível muita transpiração... Julgo, pois, que, na selecção futura dos candidatos a professor, mais do que (por exemplo) a média da licenciatura, importa a sinceridade da vocação, a honestidade da motivação, a força da determinação e uma razoável cultura geral. A transpiração vem depois, por imperativo destas exigências.
A terminar, uma ressalva: Esta “teoria da vocação” é válida para ministérios da Educação que não estejam contra com os professores, caso contrário não há motivação que resista nem transpiração que dignifique.
Publicado em 15.Setembro.2007 no blogue convidado do PÚBLICO
http://dererummundi.blogspot.com/2007/09/seleco-de-professores.html
segunda-feira, 4 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
Desejos improváveis que se "concretizam"...

Desta vez fui à praia de Santa Cruz para assistir à celebração do fim de ano lectivo do Jardim de Infância do Vimeiro, que se realizou ontem no Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro (um belíssimo espaço de cultura que vale a pena visitar).
A festinha compreendeu uma exposição, intitulada “Do transparente ao verde”, mostra de trabalhos dos meninos tendo a ecologia como valor central, e uma “photostory” (apresentada pela educadora Helena Martinho) das muitas realizações levadas a efeito durante o ano lectivo. Esta “photostory” finalizava com uma série de fotocomposições em que cada menino era enquadrado no ambiente por si escolhido (nadando num oceanário, escalando uma montanha, voando com uma águia, sobrevoando uma floresta em parapente, etc.). A imaginação de cada um foi o limite… e os desejos mais improváveis surgiram (o Pedro quis viajar sentado na cauda de um crocodilo e com uma piranha na mochila…)!
O grande sucesso desta iniciativa -- que gerou entusiasmo entre os que encheram o anfiteatro -- ficou a dever-se à “designer” Selma (mãe do Noé) que seleccionou os “ambientes” e fotografou os meninos nas posições adequadas. O resto, em que participei, foi quase só copy/paste…
As fotografias ilustram (um pouco) o que se passou na festinha que começou às 18 horas e terminou (no espaço do Jardim de Infância) pelas 21 horas… tendo sido entregue aos Pais um DVD e a fotografia da respectiva criança na situação radical em que se idealizou.
Foi um fim de tarde para recordar!








quinta-feira, 30 de junho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
A porquinha Olívia no Jardim de Infância do Vimeiro!
A educadora do Jardim de Infância do Vimeiro, Helena Martinho (minha filha), lançou este ano lectivo um projecto tendo como figura central a conhecidíssima porquinha Olívia, que envolveu a produção de vários vestidos e adereços com a participação de familiares dos meninos.Depois, fez fotografias dos objectos e enviou-as à Olívia para saber a sua opinião sobre o trabalho realizado... E não é que a Olívia respondeu ao desafio?!...
June 18, 2011Dear Ms. Martinho’s Kindergarten
Students,
Thank you so much for your “fabaronney” letter and the awesome pictures that illustrated your OLIVIA project! Mr. Falconer and I loooove getting mail and we read every single letter.
I hope this letter reaches you before you are out for the summer! Now you have the proper email to reach me faster so the children next fall can write me back.
I would looove to see what you have done in video if you have a youtube.com link to share.
We do send our apologies to you for the delay in responding to you because sometimes it takes a whole year for a letter to get to us (I am really not sure why), but do know we appreciate your letter very much.
Now keep reading lots of books over the summer!!!!!!!!
Sincerely,
Olivia
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Às mulheres que eu amo
Elas estão presentes na vida de cada um de nós. Elas são a mãe, a avó, a tia, a irmã, a amiga... e as outras. Elas acompanham de perto as nossas vidas; nós amamo-las e escolhemos as melhores como referências. Elas são a força e também a renúncia e o cansaço. Mal amadas, são as companheiras fiéis dos homens que as maltratam. Elas são notícia de jornal, quando vítimas de sevícias, quase sempre pouco apoiadas pela justiça. Elas correm todo o tempo. Mourejam de sol a sol, no campo. “Morrem” lentamente nas fábricas. Servem a família pela noite dentro. Elas ensaiam sorrisos tristes quando o pão escasseia e vendem o corpo para sustentar os filhos. Elas são tudo isto e o mais que cada uma poderia testemunhar.
Elas são o milagre, as Mulheres que eu amo!
Reflexão de Maria da Piedade Pinheiro Martinho
publicada no jornal O MIRANTE em Janeiro.1990
ELASde Maria Velho da Costa
1. RECONSTITUIÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO
Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas. Elas migam sêmeas e restos de comida azeda. Elas chamam ainda escuro os homens e os animais e as crianças. Elas enchem lancheiras e tarros e pastas de escola com latas e buchas e fruta embrulhada num pano limpo. Elas lavam os lençóis e as camisas que hão-de suar-se outra vez. Elas esfregam o chão de joelhos com escova de piaçaba e sabão amarelo e correm com os insectos a que não venham adoecer os seus enquanto dormem. Elas brigam nos mercados e praças por mais barato. Elas contam centavos. Elas costuram e enfiam malhas em agulhas de pau com as lãs que hão-de manter no corpo o calor da comida que elas fazem. Elas vêm com um cântaro de água à cinta e um molho de gravetos na cabeça. Elas limpam as pias e as tinas e as coelheiras e os currais. Elas acendem o lume. Elas migam hortaliça. Elas desencardem o fundo dos tachos. Elas passajam meias e calças e camisas e outra vez meias. Elas areiam o fogão com palha de aço. Elas calcorreiam a cidade a pé e à chuva porque naquele bairro os macacos são caros. Elas correm esbaforidas para não perder o comboio, o barco. Elas pousam o cesto e abrem a porta com a mão vermelha. Elas põem a tranca no palheiro. Elas enterram o dedo mínimo na galinha a ver se tem ovo. Elas acendem o lume. Elas mexem o arroz com um garfo de zinco. Elas lambem a ponta do fio de linha para virar a camisa. Elas enchem os pratos. Elas pousam o alguidar na borda da pia para aguentar. Elas arredam a coberta da cama. Elas abrem-se para um homem cansado. Elas também dormem.
2. REPRODUÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO
Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. Elas passam fitilhos de seda no melhor babeiro. Elas andam descalças que os pés já não cabem no calçado. Elas urram. Elas untam o mamilo gretado com um dedal de manteiga. Elas cantam baixinho a meio da noite a niná-los para que o homem não acorde. Elas raspam as fezes das fraldas com uma colher romba. Elas lavam. Elas carregam ao colo. Elas tiram o peito para fora debaixo de um sobreiro. Elas apuram o ouvido no escuro para ver se a gaiata na cama ao lado com os irmãos não dá por aquilo. Elas assoam. Elas lavam joelhos com água morna. Elas cortam calções e bibes de riscado. Elas mordem os beiços e torcem as mãos, a jorna perdida se o febrão não desce. Elas lavam os lençóis com urina. Elas abrem a risca do cabelo, elas entrelaçam. Elas compram a lousa e o lápis e a pasta de cartão. Elas limpam rabos. Elas guardam uma madeixita entre dois trapos de gaze. Elas talham um vestido de fioco para uma boneca de papelão escondida debaixo da cama. Elas lavam as cuecas borradas do primeiro sémen, do primeiro salário, da recruta. Elas pedem fiado popeline da melhor para a camisa que hão-de levar para a França, para Lisboa. Elas vêm trazer um borrego à primeira barraca e ao primeiro neto. Elas poupam no eléctrico para um carrinho de corda.
3. PRODUÇÃO
Elas sobem para cima de um caixote, que ainda são pequenas para chegar à bancada de descamar o peixe. Elas mondam, os dedos tolhidos de frieira e urtiga. Elas fazem descer a lâmina de cortar o coiro. Elas sopram nos dedos a aquecê-los, esfregam os olhos, voltam a pôr as mãos por detrás da lente a acertar os fios da matriz do transístor. Elas espremem as tetas da vaca para o balde apertado entre as pernas. Elas fecham num dia as pregas de papel de mil pacotes de bolacha. Elas acertam em duzentos casacos a postura da manga onde cravar o botão. Elas limpam o suor da testa com a manga e a foice rebrilha ao sol por cima da cabeça e da seara. Elas ouvem a matraca de dez teares enquanto a peça cresce diante, o fio amandado de braço a braço aberto. Elas cortam os dedos nas primeiras vinte cinco latas até calejar bem. Elas fazem a agulha passar para cá e lá em cruz na tela do tapete. Elas vigiam a última fileira de garrafas, caladas, à espera da sirene. Elas carregam o cesto de azeitona à cabeça já sem cantar, até que o sol se ponha.
4. SERVIÇOS
Elas carregam no botão da caixa e fazem quinhentos trocos miúdos. Elas metem a cavilha, dizem outro número e passam a vigésima chamada. Elas mexem panelões que lhes chegam à cinta. Elas descem doze caixotes de lixo já noite fechada. Elas fazem todas as camas e despejos de uma família alheia. Elas picam bilhetes metidas numa caixa de vidro. Elas batem à máquina palavras que não entendem. Elas arquivam por ordem alfabética duas mil fichas e vinte e cinco ofícios. Elas vão outra vez buscar a gaveta das luvas para o balcão a ver se há aquele verde. Elas aspiram do pó antes das nove doze assoalhadas e cento e dez degraus de alcatifa. Elas entram na praça manhã cedo, já vindas da lota ajoujadas com o peixe para as bancadas. Elas acertam as bainhas de joelhos, a boca cheia de alfinetes. Elas põem trinta e duas arrastadeiras e tiram sessenta temperaturas. Elas pintam unhas de homem. Elas guardam sanitas e fazem renda em pequenos cubículos sem janela.
5. TRANSMISSÃO DE IDEOLOGIA
Coisas que elas dizem:
- Se mexes aí, corto-ta.
- Isso não são coisas de menina.
- O meu homem não quer.
- Estuda, que se tiveres um empregozinho sempre é uma ajuda.
- A mulher quer-se é em casa.
- Isto já vai do destino de cada um.
- Deus não quiz.
- Mas o senhor padre disse-me que assim não.
- Dá um beijinho à senhora que é tão boazinha para a gente.
- Você sabe que eu não sou dessas.
- Estás a dar cabo do teu futuro com uns e com outros.
- Deixa-te disso, o que é preciso é sossego e paz de espírito.
- Comprei uns jeans bestiais, pá.
- Sempre dá para uma televisão daquelas novas.
- Cada um no seu lugar.
- Julgas que ele depois casa contigo?
- Sempre há-de haver pobres e ricos.
- Se tu gostasses de mim não andavas com aquela cabra a gastar o nosso.
- Põe o comer ao teu irmão que está a fazer os trabalhos.
- Sempre é homem.
6. PRODUÇÃO DE DESEJO
Elas olham para o espelho muito tempo. Elas choram. Elas suspiram por um rapaz aloirado, por duas travessas para o cabelo cravejadas de pedrinhas, um anel com pérola. Elas limpam com algodão húmido as dobras da vagina da menina pensando, coitadinha. Elas escondem os panos sujos de sangue carregadas de uma grande tristeza sem razão. Elas sonham três noites a fio com um homem que só viram de relance à porta do café. Elas trazem no saco das compras uma pequena caixa de plástico que serve para pintar a borda dos olhos de azul. Elas inventam histórias de comadres como quem aventura. Elas compram às escondidas cadernos de romances em fotografias. Elas namoram muito. Elas namoram pouco. Elas não dormem a pensar em pequenas cortinas com folhos. Elas arrancam os primeiros cabelos brancos com uma pinça comprada na drogaria. Elas gritam a despropósito e agarram-se aos filhos acabados de sovar. Elas andam na vida sem a mãe saber, por mais três vestidos e um par de botas. Elas pagam a letra da moto ao que lhes bate. Elas não falam dessas coisas. Elas chamam de noite nomes que não vêm. Elas ficam absortas com a mola da roupa entre os dentes a olhar o gato sentado no telhado entre as sardinheiras. Elas queriam outra coisa.
7. REVOLUÇÃO
Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes. Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai a guerrear com o filho. Elas tiveram medo e foram e não foram. Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe, segure-me aqui nos cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é. Elas vieram dos arrabaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada. Elas estenderam roupas a cantar, com as armas que temos na mão. Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens. Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.
Dezembro de 1975
in CRAVO, Maria Velho da Costa, Moraes Editores, 1976
Poema transcrito de http://ascerco.blogspot.com/2008/05/elas-maria-velho-da-costa.html
Fotografia de Maria Velho da Costa da autoria de Graça Sarsfield, in Vozes e Olhares no Feminino, Edições Afrontamento, Porto 2001
domingo, 26 de junho de 2011
Apanhados na rede...
sábado, 25 de junho de 2011
Balanço de uma Professora em final de ano lectivo
Resisti a falar dela.
Talvez porque não tenha sequer sido.
Ou porque gosto de saber que os encontrarei a todos para o ano, embora não na minha sala de aula como aconteceu por dois anos (novamente especiais). Mais um ciclo completado com alegria.
Dissemos até já ao jeito dos spots publicitários.
Dissemos vamos ter tantas saudades, mas sabendo que estamos mais perto do que nunca foi possível. Todos ali na rede digital ao meu lado, comunicando, enviando mensagens, provocando-me, comentando. A distância terminou e as lágrimas já não se apoderam de nós no final dos ciclos. Ainda bem.
O mundo muda e há mudanças de que gosto muito. A proximidade é a melhor delas todas.
Miúdos! Continuaremos juntos no matter what!
(Aqui na foto - ESE/IPS - faltam alguns, mas estiveram presentes connosco nesse dia...)
A minha turminha D (mais uma turminha Scratch que alinhou com as suas Famílias em muitas aventuras - obrigada, Mães e Pais, por tudo!) que se despediu de mim com bons resultados numa prova de aferição que vale o que vale (não é minha intenção discutir isso agora). 3 D (insuficiente) em 28 alunos (um deles é um aluno que terá 3 sem aflição... e registei a ausência de D num aluno que terá nível 2... Dois Dês correspondem, portanto, a dois dos três alunos com 2, no final deste ano). Depois há um A (esperado) e 16 B - Bom (alguns deles com 3A e 1 B nos domínios avaliados ?? mas B na avaliação final) e 8 C (Suficiente)... Bastante coerência com os níveis que atribuirei: os Bês e A são alunos de 4 ou 5 e os C (com raras excepções) serão os alunos com 3.
Tudo vale o que vale, mas é difícil resistir a comparar o que nos acontece com os resultados da Escola, os resultados nacionais e com as nossas próprias interpretações da avaliação do caminho feito pelos alunos. Não me descansa em nada... mas, pelo menos, não escutarei dizer que os meus métodos, pouco comuns e nada conformados ou formatados ao manual e rigidez das abordagens, contribuem para baixar o nível de resultados da minha Escola, ou do meu país, nas avaliações aferidas. Mais liberdade, suponho, para seguir tranquilamente as minhas opções, valham os resultados o que valerem. Aproveito-me do sistema, tal como o sistema se tenta aproveitar de mim, sem esquecer NUNCA que EU SOU o sistema e que está nas minhas mãos ir moldando a Educação no melhor sentido possível. Muita exigência é fundamental. Experiência, compreensão da criança mas sem paternalismo. Amor presente, distância clínica. Respeito de parte a parte.Como eles me dizem com carinho: a professora é boa a ser má... Guardarão de mim essa exigência grande, o exemplo que lhe procuro juntar (não exijas aos outros sem exigir de ti) e um carinho infinito por eles, feito da mais pura verdade. Digo sempre sem esconder: não chega, tens de fazer muito mais. E procuro encontrar as melhores formas de os ajudar e de os ensinar a ajudarem-se a si próprios. E de os ensinar a gerir a frustação e o medo. A desenvolver a autonomia. A crescer sem a protecção constante do mal e da tristeza, na qual se vão viciando. Sofrer faz parte do crescimento. Competências fundamentais a adquirir.
E esforço partilhado. Não faço milagres sozinha sem eles e sem as Famílias.
No último dia de aulas reencontrei pelo recreio os meus GTScratch (a minha primeira turminha Scratch do mestrado) e já me foram avisando: contamos consigo para o ano que vem no nosso Baile de Finalistas! (Mais um vestido... não pode ser o mesmo :). Que sim... que sim. Podia lá perder o baile da minha turma G! Também eles estão perto de mim no digital e vou seguindo os seus passos, sem que a saudade penetre em excesso no peito.
As despedidas já não são o que eram e ainda bem.
Não gosto de despedidas de coisas boas.
Gosto de Olás, gosto de Até já(s), Até mais ver, Até logo(s). Gosto da esperança contida neles.
De adeus(es) não.
Teresa Martinho Marques (http://tempodeteia.blogspot.com)
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Ainda Rómulo de Carvalho/António Gedeão

Em Novembro de 1996 publiquei no jornal O MIRANTE um artigo intitulado “Rómulo de Carvalho, um Professor de referência”, cujo conteúdo coloquei oportunamente neste blogue: http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.com/2010/11/romulo-de-carvalho-um-professor-de.html.
Para grande surpresa minha, eis que na página 492 do livro “Rómulo de Carvalho – MEMÓRIAS” (http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.com/2010/12/romulo-de-carvalho-memorias.html) leio o seguinte, entre as referências que Rómulo de Carvalho evoca a propósito das homenagens que lhe foram prestadas por ocasião do seu 90.º aniversário: «Em 27 de Novembro [de 1996] uma página a mim dedicada em O Mirante, Jornal da Região do Ribatejo, com inclusão de poemas meus, e um longo artigo do investigador de Física, Eduardo Martinho, na antiga Junta de Energia Nuclear, em Sacavém. Muito obrigado, também.»
Lembrei-me então de que enviara ao Professor Rómulo de Carvalho uma carta pessoal a acompanhar o exemplar do jornal a que ele se refere nesta evocação:
«Senhor Professor Rómulo de Carvalho
Devo confessar, sinceramente, que hesitei bastante em tomar a iniciativa deste contacto. Para resolver o “dilema”, socorri-me do Frederico [meu colega no Laboratório Nuclear de Sacavém], que me incitou: Faz isso, que o meu Pai vai gostar. Quebrada a hesitação, estou sem saber o que escrever. Esta é uma daquelas situações em que o espaço-em-branco da vulgar folha A4 parece ter um tamanho desajustado ao que se pretende -- porque excessivo e diminuto, paradoxalmente.
Excessivo, porque, não o conhecendo pessoalmente, talvez fosse aconselhável limitar-me a palavras contidas, por exemplo: Senhor Professor Rómulo de Carvalho, tenho o prazer de lhe enviar um pequeno artigo que me atrevi a escrever para assinalar o seu 90.° aniversário e, com essa efeméride, homenagear tudo o que V.Exa. representa para aqueles que, como eu, aprenderam a estimá-lo.
Diminuto, porque, embora não o conhecendo pessoalmente, na sua figura encontro referências e reconheço afinidades -- acentuadas umas e reveladas outras, recentemente, pela leitura da entrevista concedida ao JL/Educação e pelas reflexões pessoais fixadas no documentário televisivo da jomalista Diana Andringa -- que me “convidam” a ir mais longe, a entrar mesmo no terreno da confidencialidade entre Amigos de longa data, que partilham sentimentos comuns. Isto, em particular, na área do Ensino, “arte” pela qual me interesso desde que comecei a dar explicações, andava então no 4.° ano do liceu, em Santarém. [Depois disso, enquanto estudante de Ciências Físico-Químicas na Faculdade de Ciências de Lisboa, trabalhei como prefeito no Colégio Manuel Bernardes, onde me competia, entre outras tarefas, tirar dúvidas nas chamadas salas de estudo. Já na ex-Junta de Energia Nuclear, em regime de acumulação, exerci funções docentes no Departamento de Fisica daquela Faculdade durante 15 anos (de 1965 a 1980), onde tive o privilégio de contar com a Amizade do saudoso Professor José Gomes Ferreira e da sua esposa, Professora Lídia Salgueiro. Actualmente, limito-me a participar numa ou noutra acção de formação e a ministrar um módulo de introdução à Fisica Nuclear para estudantes da disciplina de Medicina Nuclear, na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.] Apesar de algumas desilusões (de carácter institucional, sobretudo), o meu contacto com os alunos foi sempre gratificante. E continua a ser. É sempre com alegria que me cruzo com antigos alunos que, guardando boas recordações das aulas, têm a generosidade de mo manifestar. Tenho a certeza de que entende, melhor do que ninguém, a satisfação pessoal que se sente quando nos é dado constatar que “valeu a pena” o que se fez...
Não sei se este “meio termo”, entre o formal e o (quase) intimista, será a melhor aproximação da “virtude” desejável. Também não sei se estas palavras -- que comecei a alinhavar sem lhes conhecer o rumo --, serão as apropriadas para lhe testemunhar a minha consideração. Nem sei se a homenagem do jornal O MIRANTE cumpriu bem a intenção dos seus promotores. Uma esperança-quase-certeza alimento: a da benevolência do Professor Rómulo de Carvalho para com um admirador reconhecido pelo muito que fez por muitos, de muitas maneiras.
Respeitosos cumprimentos de
Eduardo Martinho»
É na sequência desta mensagem que o Professor Rómulo de Carvalho teve a gentileza de me escrever o seguinte cartão pessoal:
Fica assim completa a história mencionada no início deste post, que julgo ter valido a pena contar pela enorme estatura de Rómulo de Carvalho/António Gedeão.













Uma rede "pensada" para impedir que insectos entrassem numa casa de campo acabou, curiosamente, por se transformar numa ratoeira... mas os insectos foram libertados!



